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Complexo de biodiesel de R$ 1,25 bilhão recebe primeiro financiamento de R$ 200 milhões e prepara obras civis em Cruz Alta

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 03/09/2026 às 10:30 Atualizado em 03/09/2026 às 11:06
Representantes da Soli3, do Banrisul e de parceiros durante anúncio do financiamento em Cruz Alta
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O complexo de biodiesel da Soli3, orçado em R$ 1,25 bilhão, recebeu seu primeiro financiamento: R$ 200 milhões do Banrisul para construir armazéns e estruturas de recebimento, estocagem e expedição de grãos em Cruz Alta.

O contrato foi formalizado em 1º de setembro, durante a Expointer 2026, em Esteio. A Soli3 reúne três cooperativas gaúchas: Cotrijal, Cotripal e Cotrisal.

O aporte do banco estadual cobre a implantação da armazenagem, incluindo infraestrutura, construção dos armazéns e equipamentos necessários para movimentar a matéria-prima antes do processamento industrial.

A fábrica vai produzir biodiesel, óleo degomado, farelo de soja e casca peletizada. Assim, o grão recebido será dividido em produtos com destinos energéticos, alimentares e industriais.

As obras começaram em 30 de junho, inicialmente com terraplanagem e canteiro. A etapa civil está programada para outubro de 2026, enquanto o início da operação permanece previsto para 2028.

Segundo a divulgação da Cotrijal, o complexo ocupará 75 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 138 hectares e contará com integração ferroviária.

Tanques e estruturas industriais de uma unidade de produção de biodiesel
O projeto combina processamento de soja, produção de biodiesel e estruturas de armazenagem.

Financiamento prepara a porta de entrada da fábrica

Antes de esmagar soja, a indústria precisa receber e conservar grandes volumes de grãos. Armazéns funcionam como um pulmão entre a colheita, o transporte e a linha de processamento.

Os R$ 200 milhões serão aplicados justamente nessa etapa. Ela inclui áreas de descarga, sistemas de movimentação, controle de estoque e estruturas de expedição dos produtos.

Sem armazenagem compatível, a planta ficaria dependente da chegada diária de caminhões em ritmo perfeito. Estoque bem dimensionado reduz interrupções e permite organizar compras conforme safra, qualidade e disponibilidade.

A ferrovia adiciona uma alternativa para volumes maiores. Seu aproveitamento efetivo dependerá de terminais, janelas de operação e conexão com os destinos dos produtos fabricados em Cruz Alta.

Na primeira fase, a capacidade será de 3 mil toneladas de soja por dia. Em um ano, a previsão chega a 1 milhão de toneladas processadas.

O biodiesel deve alcançar 600 toneladas por dia, ou 200 mil toneladas anuais. A diferença entre soja recebida e combustível produzido corresponde aos demais derivados retirados do grão.

Óleo degomado pode seguir para etapas posteriores de refino ou transformação. Farelo atende principalmente à nutrição animal, enquanto a casca peletizada concentra um coproduto em forma mais fácil de armazenar e transportar.

Essa variedade melhora o aproveitamento industrial. A viabilidade não fica apoiada apenas no preço do biodiesel, pois a receita também depende dos mercados de farelo, óleo e casca.

Para os produtores associados, a indústria cria uma nova rota de comercialização. O ganho real dependerá das condições oferecidas, do custo logístico e do desempenho da operação depois de 2028.

Eu acompanho esse tipo de anúncio olhando primeiro para o canteiro. Terraplanagem, fundações e montagem mostram com mais clareza quando um plano de grande valor começa a virar capacidade física.

Vista aérea de complexo de armazenagem de grãos junto à área urbana
Armazéns e sistemas de expedição ligam a chegada da soja ao ritmo contínuo da indústria.

Intercooperação divide escala, matéria-prima e risco

A Soli3 nasceu da associação entre Cotrijal, Cotripal e Cotrisal. A intercooperação permite reunir base de produtores, conhecimento regional e capacidade financeira para um projeto maior do que uma unidade isolada.

O Banrisul é a primeira instituição financeira a aportar recursos. Como o investimento total é muito superior ao contrato atual, outras fontes de capital ainda serão necessárias ao longo da implantação.

Financiamentos podem ser liberados por etapas, conforme garantias e avanço da obra. Esse desenho reduz a exposição inicial do credor, mas exige que a companhia cumpra marcos técnicos e documentais.

A dimensão do terreno, 138 hectares, oferece espaço para indústria, circulação, estoque e possíveis expansões. Já os 75 mil metros quadrados construídos medem a área coberta prevista no projeto.

Cruz Alta ocupa uma região produtora de grãos. A proximidade da soja diminui parte do deslocamento até a transformação, embora o balanço completo dependa da origem de cada carga e do destino dos derivados.

A obra também movimenta fornecedores antes da operação. Engenharia, concreto, aço, montagem eletromecânica e transporte de equipamentos entram primeiro; empregos permanentes aparecem quando a unidade começa a produzir.

Por isso, números de vagas precisam ser tratados apenas quando divulgados oficialmente. O comunicado confirma capacidades, valores e cronograma, mas não apresenta neste momento um total consolidado de contratações.

A produção de biodiesel responde à mistura obrigatória no diesel vendido no país e à demanda de distribuidores. O projeto terá de atender especificações da ANP e manter rastreabilidade das matérias-primas.

Até 2028, preços da soja, custo de capital e regras do combustível podem mudar. A estrutura de vários produtos ajuda a empresa a lidar com essas variações sem eliminar o risco do investimento.

Vejo o complexo de biodiesel Soli3 como um teste da capacidade das cooperativas de avançar além da comercialização do grão. Industrializar exige vender produtos diferentes, administrar margens e manter a planta abastecida em todas as fases da safra.

Também existe um compromisso de execução associado ao crédito. Armazéns financiados precisam integrar o restante da fábrica; isolados, eles não entregariam a produção anual anunciada nem a agregação de valor pretendida.

Em seguida, a montagem dos equipamentos de processo será a etapa mais especializada. Contratos, prazos de fabricação e testes de comissionamento terão de conversar com a conclusão das obras civis.

O marco imediato é concreto: há um contrato de R$ 200 milhões destinado à armazenagem e uma etapa civil marcada para outubro. São os próximos pontos verificáveis do cronograma.

Se a execução cumprir as etapas, Cruz Alta receberá uma unidade capaz de transformar 1 milhão de toneladas de soja por ano e enviar parte dessa produção ao mercado de combustíveis.

O projeto de R$ 1,25 bilhão será julgado pela capacidade de conectar cooperados, indústria e logística sem perder disciplina financeira durante quase dois anos de construção.

O complexo da Soli3 pode mudar a industrialização da soja no Rio Grande do Sul? Conte nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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