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Fábrica de etanol de trigo da Be8 chega a 80% das obras em Passo Fundo e prevê produzir 210 milhões de litros por ano a partir de março de 2027

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 01/09/2026 às 10:09 Atualizado em 01/09/2026 às 10:10
Vista aérea das obras da nova fábrica de etanol de cereais da Be8 em Passo Fundo
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A fábrica de etanol de trigo da Be8 alcançou 80% das obras em Passo Fundo e avança para uma operação prevista em março de 2027, com capacidade anual de 210 milhões de litros de etanol, 153,2 milhões de quilos de DDGS e 26,9 mil toneladas de glúten vital.

O canteiro da Be8 em Passo Fundo entrou na fase final de uma obra que muda o destino industrial dos cereais de inverno no Rio Grande do Sul. A empresa informou durante a Expointer que o complexo está com 80% de execução.

A previsão atual coloca o início da operação em março de 2027. Como se trata de cronograma empresarial, a data depende da conclusão das obras, da montagem dos sistemas, do comissionamento e dos testes necessários antes do funcionamento comercial.

Quando entrar em produção, a planta poderá fabricar 210 milhões de litros de etanol por ano. O projeto usa trigo e outros cereais, conectando a produção agrícola de inverno a um mercado de combustível que tradicionalmente depende de outras matérias-primas.

Executivo da Be8 apresenta o avanço do projeto industrial em Passo Fundo
A Be8 apresentou na Expointer a atualização de 80% das obras do complexo.

Fábrica de etanol de trigo terá três produtos principais

O etanol é apenas uma parte da conta. A unidade foi desenhada para produzir 153,2 milhões de quilos de DDGS por ano, ingrediente usado na alimentação animal, e 26,9 mil toneladas de glúten vital, produto que o Brasil ainda precisa buscar no exterior.

Essa combinação melhora o aproveitamento do cereal. O amido segue para a fermentação e se transforma em etanol, enquanto proteínas e outros componentes ganham destinos comerciais próprios. Dessa forma, a viabilidade não depende de uma única receita.

Segundo a atualização publicada pelo Jornal do Comércio, as estruturas avançaram em engenharia, suprimentos e construção. A etapa restante inclui integração de equipamentos e preparação para a partida.

O glúten vital merece atenção porque aparece em alimentos, nutrição animal e outras aplicações industriais. Produzi-lo em Passo Fundo cria uma alternativa nacional para uma cadeia atendida por importações, ao mesmo tempo que abre um comprador adicional para cereais cultivados na região.

Já o DDGS devolve parte do valor à pecuária. Depois da retirada do amido destinado ao etanol, o coproduto concentra componentes úteis para rações. É uma lógica de biorrefinaria: cada fração precisa encontrar uso econômico para reduzir perdas.

Representação aérea do complexo de etanol e glúten vital da Be8
O complexo integra produção de etanol, DDGS e glúten vital no mesmo local.

Passo Fundo ganha uma nova demanda para cereais de inverno

O Rio Grande do Sul já possui produtores habituados ao trigo e ao triticale. Contudo, o mercado desses cereais enfrenta variações de preço, qualidade e demanda. Uma unidade industrial de grande porte pode criar uma saída adicional para lotes adequados ao processamento energético.

Para o agricultor, isso não elimina riscos de clima ou custo. Ainda assim, adiciona um comprador com consumo contínuo quando a fábrica estiver operando. O efeito real dependerá dos contratos, das especificações de matéria-prima e da distância entre as lavouras e Passo Fundo.

Para a cidade, o projeto adiciona movimentação industrial, transporte e serviços. Caminhões, armazenagem, manutenção e controle de qualidade acompanham a produção. Olhando assim, a planta não termina no portão; ela reorganiza fluxos de cereal e de produtos acabados ao redor do município.

A Be8 também planeja uma unidade de hidrogênio verde associada ao complexo, em etapa posterior. O financiamento informado para esse projeto soma R$ 38,7 milhões, com R$ 29,7 milhões em apoio e R$ 8,9 milhões aportados pela empresa.

Essa frente não deve ser confundida com a partida da biorrefinaria. O marco de 80% se refere ao complexo de etanol, DDGS e glúten. O hidrogênio possui cronograma e implantação próprios, embora possa aproveitar a estratégia energética da unidade.

Técnicos e autoridades visitam o canteiro da biorrefinaria da Be8
Visitas técnicas acompanham a execução do projeto industrial em Passo Fundo.

O projeto conversa com outra aposta brasileira em combustível renovável: transformar produção agrícola em energia sem desperdiçar os coprodutos. A diferença está na matéria-prima e no desenho específico de cada processo.

O passo seguinte será menos visível do que uma grande obra, porém decisivo. Comissionar significa testar equipamentos, tubulações, automação e segurança como um único sistema. Uma fábrica pode parecer pronta por fora e ainda precisar de meses para operar de forma estável.

Se a data de março de 2027 for mantida, a Be8 passará do canteiro à produção em poucos meses. Então será possível observar volumes reais, compras de cereal e qualidade dos três produtos, confirmando se a integração desenhada no papel funciona na escala prevista.

A marca de 80% mostra que o projeto deixou de ser promessa distante. Ao mesmo tempo, os 20% finais concentram sistemas críticos e testes. A fábrica só completará sua transformação quando o primeiro cereal entrar e etanol, DDGS e glúten saírem dentro das especificações.

A operação também dependerá de uma logística sincronizada. Cereais precisam chegar com qualidade e regularidade, enquanto etanol e coprodutos precisam sair sem formar estoques que reduzam o ritmo da fábrica. Isso exige contratos, armazenagem, transporte e controle laboratorial trabalhando junto com a área de processo. Uma biorrefinaria integrada não vende apenas combustível; ela administra mercados diferentes a partir da mesma matéria-prima.

Para os produtores da região, a nova demanda pode criar alternativa comercial para culturas de inverno, mas o efeito dependerá das condições de compra e da capacidade de atender às especificações. Para a Be8, suprimento previsível e aproveitamento dos coprodutos serão parte central da competitividade. Se um elo perder valor, a conta econômica do conjunto também muda.

Até a partida, os sinais mais úteis serão a conclusão física, o início do comissionamento e a preparação da cadeia de fornecimento. Depois, o acompanhamento deve migrar do percentual de obra para indicadores de produção. É nessa mudança que o empreendimento deixa de ser medido pelo concreto instalado e passa a ser avaliado pela eficiência, regularidade e qualidade do que entrega.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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