Como a planta-mãe de caqui transformou uma floresta em Nagaland em um pomar pioneiro, gerou renda muito maior que o arroz e criou um novo jeito de cuidar da terra
Na encosta de uma aldeia em Nagaland, um agricultor de 85 anos transformou uma floresta em Nagaland em um pomar orgânico de caquis e kiwis. Onde antes havia apenas mata e terra sem cultivo, hoje existe um sistema produtivo que alimenta a família, inspira vizinhos e mostra o poder de um trabalho paciente feito ao longo de décadas.
Antes de chegar a esse ponto, ele foi plantador de arroz, pequeno comerciante de biscoitos e dono de loja em outra cidade. Cansado da rotina de lojista e atraído pelo encanto das árvores frutíferas, ele reconstruiu a própria vida em torno da terra, criando um modelo de produção que une tradição, renda e cuidado com o solo.
A planta-mãe que virou avó de um pomar inteiro

Tudo começa com uma árvore única. Ele chama essa primeira árvore de caqui de planta-mãe, a mais velha do pomar, a verdadeira avó de todas as outras.
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Foi dessa árvore inicial que saíram os enxertos para todas as demais árvores que ele possui hoje. Cada caquizeiro do terreno carrega um pedaço dessa primeira árvore, que se tornou símbolo do tempo, da paciência e da visão de longo prazo do agricultor.
Ele não começou como especialista em frutas. A oportunidade surgiu quando visitou um centro de pesquisa em horticultura, onde um amigo trabalhava com kiwi e caqui.
Durante uma visita em plena frutificação, eles provaram os frutos e perceberam como o sabor era especial. O amigo ofereceu mudas.
Ele plantou duas mudas de caqui. Uma morreu, uma sobreviveu e essa única sobrevivente se transformou na planta-mãe que sustenta todo o pomar atual.
Do arroz e dos biscoitos ao pomar que transformou a terra

Antes de transformar a floresta em Nagaland, sua vida girava em torno de outra lógica. Ele cultivava arroz na aldeia e, com muito esforço, conseguia poupar de 200 a 300 rúpias. Com esse dinheiro, comprava biscoitos em Kohima e revendia na própria aldeia, somando pequenas economias.
Com o tempo, decidiu se mudar para Pfütsero e abrir uma pequena loja. Anos de trabalho atrás do balcão garantiram a sobrevivência da família, mas trouxeram também o cansaço silencioso de quem sente que a vida poderia ser diferente. Com a idade avançando e o corpo pedindo outro ritmo, nasceu o desejo de voltar à terra de outro jeito.
Foi assim que ele encontrou o cultivo de árvores frutíferas. Essa descoberta não foi apenas uma mudança de atividade econômica. Foi uma mudança de sentido de vida.
Quando ele transformou uma floresta em Nagaland em terraços e árvores
Na época em que recebeu as primeiras mudas, o terreno onde hoje fica o pomar era simplesmente uma floresta. Ninguém cultivava aquela área, não havia terraços, não havia lavoura, apenas mata.
Ele decidiu intervir. Construiu três terraços com bancos, organizando a encosta em patamares. Começou então a cultivar arroz naquele terreno recém-modelado.
Depois de dois anos plantando arroz, tomou a decisão que mudaria tudo: transformou aquele antigo trecho de floresta em Nagaland em um pomar de frutas.
As primeiras colheitas mostraram algo óbvio para quem provava os frutos: o sabor era excelente. No início, ele nem pensava em vender, nem via claramente o valor comercial do que estava nascendo ali. Com o tempo, porém, percebeu que o cultivo de frutas tinha um potencial muito maior do que o arroz.
Quando plantava arroz, a renda do terreno ficava entre 20.000 e 30.000 rúpias. Com o pomar de frutas, o cenário mudou completamente: o mesmo espaço passou a render de 300.000 a 400.000 rúpias por ano.
Em um ano especialmente bom, ele obteve 400.000 rúpias com caqui, 200.000 com kiwi e 500.000 com a venda de mudas de caqui, somando um total de onze lakhs.
Ele começou com kiwi e, depois, passou a dar mais ênfase ao caqui, que hoje lhe traz ainda mais alegria.
Um pomar que é um laboratório de agricultura orgânica
Ao longo de toda essa trajetória, ele fez uma escolha firme: nunca usar produtos químicos na fazenda.
Quando cultivava arroz, já seguia essa linha. Agora, com as frutas, continua fiel ao mesmo princípio. Todas as árvores e hortaliças são conduzidas de forma orgânica. Um exemplo claro aparece no controle de insetos que atacam a parte inferior das árvores.
Em vez de recorrer a defensivos químicos, ele mistura terhipri (Nicotiana tabacum) com cinzas e aplica diretamente nas árvores. Esse preparo simples funciona como repelente e afasta o inseto.
O cuidado com o solo é outro pilar do seu método. Ele reúne todas as folhas e a terra solta da fazenda e faz montes de material espalhados pelo pomar.
Esses montes se decompõem até virar um solo preto fino, um composto rico que depois é misturado à terra normal, fortalecendo a saúde das plantas.
Até o manejo das ervas daninhas carrega uma lógica própria. Em vez de arrancá-las com uma Dao, uma faca artesanal, ele recomenda o uso de uma pá. Ao remover as ervas com pá, não se limpa apenas o entorno imediato da árvore.
As ervas se misturam melhor ao solo enquanto se decompõem, melhorando sua qualidade. Fazer isso uma vez por estação já mostra uma melhora perceptível no solo.
Ele não fala mal dos produtos químicos a partir da experiência direta, porque nunca os utilizou. Mas comenta algo que ouviu de outros: se alguém aplica químicos uma vez, no ano seguinte a qualidade do solo tende a piorar se o uso for interrompido, e o uso contínuo pode trazer efeitos de longo prazo.
Na prática, seu pomar se tornou um laboratório vivo de agricultura orgânica, construído com observação, tentativa, erro e muita disciplina diária.
Trabalho em família, cansaço do corpo e o desafio da sucessão

Esse projeto nunca foi uma operação com grande equipe de funcionários. A espinha dorsal do pomar sempre foi o trabalho dele e da esposa.
Eles contrataram algumas pessoas apenas para o serviço mais pesado de cavar os buracos iniciais para o plantio das mudas. Depois disso, todo o restante foi feito praticamente pela dupla, um pouco por dia, temporada após temporada.
Ele gosta de repetir que, se alguém trabalhar um pouco no pomar todos os dias, é possível dar conta de tudo. Só que o tempo passa, o corpo muda.
Hoje, ele se cansa com facilidade. Tarefas que antes eram rotineiras, como pegar um poste para sustentar um galho, já se tornaram pesadas demais. Até a caminhada da estrada até a fazenda ficou difícil.
Na avaliação dele, é apenas uma questão de alguns anos até que não consiga mais manter o pomar sozinho. Por isso, ele sabe que alguém mais jovem precisa assumir o legado que construiu.
Pensando no futuro, tomou uma nova decisão estratégica: comprou um terreno mais acessível nas proximidades e, desde o ano passado, vem trabalhando ali. Neste novo espaço, já plantou cerca de cem caquizeiros.
É uma forma de preparar a transição, facilitando o acesso e tornando o manejo mais viável para quem vier depois.
Um legado que vai além do dinheiro
A história desse agricultor de 85 anos é, ao mesmo tempo, simples e profunda. Com poucas ferramentas, muito trabalho e escolhas consistentes, ele transformou uma floresta em Nagaland em um pomar orgânico que multiplica renda, conserva o solo e inspira a comunidade.
Seu legado não está apenas nas árvores carregadas de frutos ou no aumento de renda, mas nos princípios que deixa para quem quiser aprender: observar a terra, cuidar do solo, evitar atalhos químicos, trabalhar um pouco todos os dias e pensar em quem vai continuar o caminho.
No fim das contas, cada fruto de caqui que amadurece naquele pomar carrega uma história de persistência, de amor pela terra e de confiança de que o trabalho paciente pode mudar um pedaço do mundo.
E você, se pudesse transformar um pedaço de terra abandonada em qualquer lugar do mundo, o que escolheria plantar e por quê?


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