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Como se uma esponja gigante tivesse falhado no extremo sul do planeta, o Oceano Austral está ficando mais salgado, perdendo gelo em ritmo alarmante e permitindo que calor profundo volte à superfície, em uma mudança capaz de desorganizar a circulação que regula temperatura, carbono e tempestades em todos os oceanos da Terra

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 29/04/2026 às 20:54
Assista o vídeoComo se uma esponja gigante tivesse falhado no extremo sul do planeta, o Oceano Austral está ficando mais salgado, perdendo gelo em ritmo alarmante e permitindo que calor profundo volte à superfície, em uma mudança capaz de desorganizar a circulação que regula temperatura, carbono e tempestades em todos os oceanos da Terra
Oceano Austral está ficando mais salgado, perdendo gelo em ritmo alarmante
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Estudo de 2025 revela que o Oceano Austral ficou mais salgado, perdeu eficiência climática e pode afetar a circulação global dos oceanos.

Segundo a Universidade de Southampton, um estudo publicado em 30 de junho de 2025 no Proceedings of the National Academy of Sciences revelou que o Oceano Austral entrou em um estado completamente diferente daquele que manteve por décadas, com mudanças abruptas que não foram previstas pelos modelos climáticos. Utilizando dados de satélites europeus coletados entre 2015 e 2024, o Dr. Alessandro Silvano e sua equipe documentaram uma reversão inesperada: a superfície do oceano ao redor da Antártida, que vinha se tornando progressivamente mais fria e mais doce desde o início dos anos 1980, passou a ficar mais quente e mais salgada a partir de 2015.

No mesmo período, a Antártida perdeu uma área de gelo marinho equivalente ao tamanho da Groenlândia, configurando uma das maiores transformações ambientais já registradas nas últimas décadas. As duas mudanças passaram a interagir em um ciclo de retroalimentação que ainda não é totalmente compreendido pela ciência.

Oceano Austral funciona como principal regulador climático do planeta ao absorver calor e dióxido de carbono

Para compreender a importância dessa mudança, é necessário entender o papel do Oceano Austral no sistema climático global.

Esse oceano, que circunda completamente a Antártida, atua como o principal dissipador de calor do planeta e como um dos maiores sumidouros de carbono.

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Estimativas indicam que ele absorve cerca de 75% do calor excedente gerado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa e aproximadamente 40% do dióxido de carbono dissolvido nos oceanos. Sem esse mecanismo, o aquecimento global já teria avançado significativamente mais.

Estratificação da água dependente da salinidade mantém equilíbrio térmico e permite armazenamento de calor nas profundezas

O funcionamento desse sistema depende de um equilíbrio físico específico. Em regiões próximas ao congelamento, como o Oceano Austral, a densidade da água é controlada principalmente pela salinidade.

Água mais salgada é mais densa e afunda. Ao afundar, transporta calor e carbono para as profundezas, onde ficam armazenados por longos períodos.

Durante décadas, o sistema funcionou de forma estável. O derretimento do gelo liberava água doce na superfície, formando uma camada menos densa que flutuava sobre águas mais salgadas. Esse processo criava uma estratificação que mantinha o calor preso nas camadas profundas e favorecia o congelamento superficial no inverno.

Aumento da salinidade desde 2015 rompe estratificação e permite que calor profundo suba à superfície

A partir de 2015, esse equilíbrio foi interrompido. A salinidade da superfície aumentou, reduzindo a estratificação que separava as camadas do oceano.

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Com isso, o calor armazenado nas profundezas passou a subir com mais facilidade para a superfície. Esse processo desencadeou um ciclo de retroalimentação: menos gelo gera menos água doce, o que aumenta a salinidade, permitindo que mais calor suba, dificultando ainda mais a formação de gelo.

Colapso do gelo marinho antártico reforça ciclo de aquecimento e altera dinâmica oceânica

O gelo marinho entrou em declínio acelerado. A partir de 2022, recordes mínimos de extensão foram registrados repetidamente.

O verão de 2023 apresentou a menor extensão de gelo marinho já observada em registros de satélite. Essa redução reforça o processo de aquecimento superficial e altera profundamente a dinâmica do oceano.

Retorno da polynya de Maud Rise indica mudança profunda na circulação oceânica do Mar de Weddell

Um dos sinais mais marcantes dessa transformação foi o retorno da polynya de Maud Rise. Essa abertura no gelo marinho, que não ocorria desde os anos 1970, reapareceu com grande extensão no Mar de Weddell.

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Polynyas permitem troca direta de calor e gases entre o oceano profundo e a atmosfera, intensificando a convecção e alterando o balanço térmico.

O Oceano Austral desempenha papel central na circulação termohalina. Esse sistema distribui calor, sal e carbono por todos os oceanos do planeta.

A alteração na estratificação e na formação de águas profundas pode modificar esse sistema, com impactos globais.

Subida de águas profundas libera calor e dióxido de carbono acumulados por décadas

Com a quebra da estratificação, águas profundas mais quentes e ricas em carbono passaram a subir. Isso resulta na liberação de calor armazenado e na redução da capacidade do oceano de absorver novas emissões de CO₂.

Desde os anos 1980, o Oceano Austral apresentava tendência de resfriamento superficial e redução de salinidade.

Essa tendência foi revertida em menos de uma década. A velocidade da mudança foi considerada inesperada pela comunidade científica.

Causas da mudança incluem perda de gelo, alterações nos ventos e aquecimento das camadas intermediárias

Os pesquisadores apontam múltiplos fatores para explicar a mudança. Entre eles estão a redução do gelo marinho, alterações nos padrões de vento e o aquecimento acumulado nas camadas intermediárias do oceano.

Oceano Austral está ficando mais salgado, perdendo gelo
Oceano Austral está ficando mais salgado, perdendo gelo

Mudanças no oceano impactam padrões atmosféricos. Regiões como Nova Zelândia já apresentam indícios de aumento de tempestades. Outras áreas do hemisfério sul também podem ser afetadas.

A circulação oceânica global influencia a temperatura do Atlântico Sul. Essa dinâmica está ligada à Zona de Convergência do Atlântico Sul, que regula chuvas no Brasil. Mudanças nesse sistema podem afetar regimes de precipitação.

Monitoramento contínuo com satélites e sensores é essencial para entender evolução do fenômeno

A Universidade de Southampton destaca a necessidade de monitoramento constante. Satélites e instrumentos autônomos são fundamentais para acompanhar mudanças em salinidade, temperatura e gelo.

Os dados disponíveis ainda não permitem determinar se a mudança é reversível. O sistema pode retornar ao estado anterior ou entrar em um novo regime climático. A mudança observada levanta dúvidas sobre o futuro do sistema climático.

Na sua visão, o oceano ainda pode recuperar seu equilíbrio ou estamos diante de uma transformação permanente?

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Ronaldo P. Silva
Ronaldo P. Silva
29/04/2026 22:30

Parabéns pelo texto. Para mim, é mudança permanente. Mesmo que se consiga reequilibrar o sistema, será a partir de onde ele está. Para mim, não há retorno ao estado original.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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