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Como o aumento no preço dos combustíveis afeta economia brasileira

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 22/06/2022 às 14:28
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Frentista em posto de gasolina Petrobras – Imagem Google
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O teto de cobrança do ICMS é uma saída emergencial e temporária para conter os aumentos constantes dos combustíveis

O preço da gasolina nas refinarias passou de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro, registrando um aumento de 5,18%. Já o litro do diesel teve alta de R$ 4,91 para R $5,61, o que equivale a um reajuste de 14,26%. Dados foram anunciados pela Petrobras na última sexta-feira (17).

A alta dos combustíveis deverá alavancar ainda mais a inflação, que já está em 11,73% no acumulado de 12 meses. Como a logística do comércio brasileiro é fortemente ligada ao transporte rodoviário e praticamente tudo que se consome é oriundo dos fretes de caminhões, a alta dos combustíveis causará uma reação em cadeia no preço dos produtos.

“O Brasil é um país muito dependente do transporte rodoviário para abastecer as cadeias de consumo, todo reajuste do combustível impacta diretamente o custo do frete, afetando o preço dos produtos”, diz Richard Clayton, empresário e presidente da Trinta Porcento. 

Para Richard, o aumento constante nos preços dos produtos diminui a renda dos brasileiros. “Gera dificuldade em consumir mais produtos e nos comerciantes que vendem os produtos também”, comenta. 

Pressão na Petrobras

Nos últimos anos, a estatal passou a sofrer com duras críticas do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O presidente disse recentemente que o lucro da companhia “é uma coisa que ninguém consegue entender” e sugeriu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar diretores e membros do conselho de administração.

Já Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, exigiu a demissão imediata do ex-presidente da empresa, José Mauro Ferreira Coelho. 

O pedido do deputado foi atendido: a estatal anunciou a demissão do então presidente, José Mauro, no dia 20. “A nomeação de um presidente interino será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras a partir de agora”, disse a empresa em nota. O ex-presidente é o terceiro no comando da empresa na “Era Bolsonaro”.

Aumento de preços

Conforme aponta o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a alta dos combustíveis terá impacto de 0,14 de ponto percentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sendo diluída em Junho e Julho. 

O IPCA é um índice que tem por função medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população do país, indicando a variação mês a mês. 

“No IPCA deste mês, deve ser precificado apenas metade desse aumento. A inflação deste ano, na minha estimativa, ficará em 9,2%, já considerando os efeitos desse reajuste dos combustíveis”, apontou André Braz, coordenador dos índices de preços da instituição.

Aos consumidores

Segundo análises da Petrobrás, o preço ao consumidor da gasolina pode passar, em média, de R$ 2,81, para R$ 2,96 a cada litro vendido na bomba — uma variação de R$ 0,15 por litro. No caso do diesel, a fatia da estatal pode passar de R$ 4,42 para R$ 5,05 a cada litro vendido nos postos, a alta será de ao menos R$ 0,63 por litro.

Embora o aumento seja iminente, a determinação do “teto de cobranças” de 17% no ICMS dos combustíveis, já aprovado na Câmara dos Deputados, poderá aliviar os valores em até 9%, segundo especialistas.

“O teto de cobrança do ICMS é uma saída emergencial e temporária para conter os aumentos constantes dos combustíveis. O governo está buscando uma forma de garantir uma estabilidade nos preços de combustível e para isso, está determinando o teto de ICMS. Entretanto, este teto não é suficiente para cobrir as arrecadações dos Estados”, analisa Richard.

Para o empresário, os consecutivos aumentos preocupam cada vez mais os consumidores. Os bancos e instituições consultadas em uma pesquisa do Projeções Broadcast analisam que o Banco Central deve subir a Taxa Selic (principal taxa de juros do país) para 13,75% ao ano no final do ciclo de aperto monetário. Uma semana atrás, a estimativa era de 13,25%.

“Dependendo da forma utilizada, o governo corre o risco de aumentar suas dívidas de modo geral, trazendo riscos econômicos ao Brasil, que, para investidores, soa ruim e diminui o interesse em investir no país” finaliza Richard.

Fonte: Trinta Porcento

Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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