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Como alternativa à crise mundial da areia dos rios usada na construção, cientistas desenvolveram um novo material mais resistente e eficiente, produzido com areia do deserto, prensagem a quente e sem cimento, alcançando padrões industriais

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 20/02/2026 às 13:21
Atualizado em 20/02/2026 às 13:23
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A crise da areia de rios acelera a busca por alternativas, e um novo material com areia do deserto ganha força ao resistir a ataques de sulfato e prometer aplicação em ambientes costeiros.

A construção civil pode estar perto de uma virada importante. A areia de rios, base do concreto tradicional, é cada vez mais questionada pelos impactos ambientais ligados à extração intensa. Esse cenário alimenta a busca por alternativas que reduzam a pressão sobre ecossistemas e cadeias de suprimento.

É justamente nesse ponto que entra a areia do deserto, um recurso abundante e pouco aproveitado em escala industrial. Apesar de ocupar áreas gigantescas no planeta, ela sempre foi vista como “difícil” para o concreto. O motivo está na forma como é produzida pela natureza: o vento deixa os grãos ultrafinos e muito uniformes.

Por que a areia do deserto sempre foi um desafio

Quem explica esse obstáculo com clareza é Ren Wei, pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Engenharia Civil e de Manufatura da NTNU . Em um comunicado, ele destaca que a areia do deserto costuma ser fina demais para funcionar bem como componente estrutural no concreto convencional.

Segundo Ren Wei (NTNU), quando o material não “encaixa” como deveria, o concreto pode perder dureza e desempenho. Essa falta de angularidade e textura dificulta o travamento entre partículas, reduzindo a resistência final. Por isso, durante anos, a ideia ficou mais no campo das hipóteses do que da aplicação prática.

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O que mudou: engenharia para “domar” a areia

O avanço recente vem de uma abordagem mais técnica: em vez de tentar usar a areia do deserto como ela é, pesquisadores passaram a trabalhar com pré-tratamento e controle de granulometria. A proposta é ajustar a distribuição do tamanho dos grãos e combinar o material com aditivos para elevar o desempenho.

Essa linha de pesquisa citada no artigo indica que, com os ajustes certos, é possível obter argamassas e concretos mais eficientes. A credibilidade do caminho, dentro do texto original, se apoia justamente na fala de Ren Wei (NTNU) ao contextualizar o problema e no relato de resultados obtidos com novas técnicas.

Concreto botânico: o material que dispensa cimento

Um dos pontos centrais do estudo descrito no artigo é o chamado “concreto botânico”. Ele é produzido a partir de pó de areia fina moída, seguido de prensagem a quente, e combinado com madeira. A proposta chama atenção porque, segundo o texto, o processo pode ser feito sem depender do cimento tradicional.

Para avaliar se o material realmente funciona, os pesquisadores testaram diferentes condições de formação. O artigo relata variações de temperatura, proporções da mistura, pressão aplicada e tempo de processamento, medindo como isso impacta a resistência à flexão e a densidade. Esse conjunto de testes é apresentado como base para afirmar o potencial do concreto botânico.

Testes, microscopia e padrões industriais

O texto também menciona que foram analisados cinco tipos de areia, incluindo a areia do deserto, para verificar como cada uma altera o resultado. Para enxergar a estrutura interna do material, foi usada microscopia eletrônica de varredura. Isso permitiu observar detalhes microscópicos que ajudam a explicar por que o material se comporta melhor em certas condições.

De acordo com o artigo, os resultados foram suficientes para cumprir, na maioria dos cenários, padrões industriais japoneses para blocos de pavimentação. Esse tipo de referência é importante porque aproxima a pesquisa de um uso real no mercado. Ainda assim, o texto não informa o nome da revista científica nem o DOI do estudo.

Quando o “defeito” vira vantagem

Um detalhe interessante é que duas características antes vistas como negativas podem ajudar no desempenho do concreto botânico. A alta finura e a alcalinidade da areia do deserto, citadas no artigo, passaram a ser interpretadas como fatores que melhoram a união e a performance do material nesse novo formato.

Essa leitura ganha reforço com a avaliação de Maher Omar, professor de Engenharia Civil da Universidade de Sharjah. No artigo, Maher Omar (Universidade de Sharjah) relata testes sob exposição química agressiva e descreve a resistência de tijolos ativados com álcali.

Resistência a sulfatos: um ponto forte para áreas costeiras

A fala de Maher Omar (Universidade de Sharjah) chama atenção por um motivo prático: o ataque de sulfato é um problema conhecido em ambientes costeiros e marinhos. Segundo ele, os tijolos de areia do deserto ativados com álcali mantiveram integridade e, em casos-chave, superaram tijolos à base de cimento.

Essa informação é relevante porque solos e águas subterrâneas ricos em sulfato podem acelerar o desgaste de estruturas. Ao citar Maher Omar, o artigo tenta mostrar que a solução não é apenas sustentável, mas também resistente em condições difíceis. Isso ajuda a dar mais credibilidade ao potencial do material.

Por que isso pode mudar a construção em regiões áridas

O texto aponta o concreto botânico como uma alternativa sustentável e potencialmente mais barata, especialmente em regiões desérticas. Nesses locais, materiais convencionais podem ser escassos, caros ou depender de longas cadeias de transporte. A ideia de aproveitar recursos locais torna o modelo mais viável.

O artigo reforça essa visão ao mencionar que o processo de produção tende a ser relativamente simples. Ren Wei (NTNU) aparece novamente ao destacar que, em princípio, o material poderia ser fabricado em muitos lugares, desde que passe por testes adicionais. Essa observação aproxima o tema de uma aplicação em escala.

Resíduos agrícolas: o próximo passo mais promissor

Outro ponto projetado para o futuro é o uso de resíduos agrícolas como matéria-prima, em vez de resíduos de madeira. O texto descreve que a agricultura em regiões desérticas evoluiu com novas técnicas e, ao mesmo tempo, o acúmulo de resíduos orgânicos se tornou um problema. A queima desses resíduos aumenta emissões e prejudica ecossistemas.

Ao propor a incorporação desses resíduos no concreto botânico, o artigo sugere uma rota de economia circular. É uma forma de reduzir desperdício e poluição enquanto se cria um insumo local para construção. Embora a ideia ainda dependa de estudos, ela é apresentada como um caminho lógico para regiões áridas.

O desafio final antes de virar realidade

Mesmo com resultados promissores, o artigo deixa claro que ainda há etapas pendentes. Ren Wei (NTNU) afirma que serão necessárias mais avaliações, incluindo testes de resistência ao frio, antes de o material ser utilizado. Esse detalhe é importante para manter o texto realista e confiável.

Se os próximos testes confirmarem desempenho e durabilidade, o concreto botânico pode se tornar um exemplo de inovação sustentável. A credibilidade do relato, no artigo original, se sustenta principalmente nas falas nominais de Ren Wei (NTNU) e Maher Omar (Universidade de Sharjah). Com isso, a areia do deserto pode deixar de ser “inútil” e virar protagonista na construção do futuro.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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