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Cometa recém-descoberto pode virar espetáculo raro no céu em abril ao passar a apenas 120 mil km do Sol e surpreender astrônomos com brilho extremo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/02/2026 às 12:52
Atualizado em 10/02/2026 às 12:53
Cometa Lovejoy visto da Estação Espacial Internacional, 22 de dezembro de 2011. (NASA)
Cometa Lovejoy visto da Estação Espacial Internacional, 22 de dezembro de 2011. (NASA)
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Descoberto em 13 de janeiro no deserto do Atacama, o cometa C/2026 A1 integra a família de rasantes de Kreutz, aproxima-se a apenas 120 mil quilômetros da superfície do Sol no início de abril e pode atingir brilho incomum, com chance de visibilidade a olho nu

Um cometa recém-descoberto, o C/2026 A1 (MAPS), identificado em 13 de janeiro no deserto do Atacama, poderá tornar-se visível a olho nu no início de abril ao passar a 120.000 km do Sol, repetindo trajetórias históricas de cometas rasantes de Kreutz.

Descoberta recente e trajetória extrema do cometa

O cometa C/2026 A1 (MAPS) foi detectado por uma equipe de quatro astrônomos amadores utilizando um telescópio operado remotamente no deserto do Atacama. Logo após a identificação, ficou evidente que o objeto pertence à família dos cometas rasantes de Kreutz.

Esse tipo de cometa percorre uma órbita extremamente alongada em torno do Sol, aproximando-se de forma perigosa da estrela. No início de abril, o cometa MAPS alcançará uma distância mínima estimada de 120.000 km da superfície solar.

Caso o cometa sobreviva a essa passagem, conhecida como periélio, poderá apresentar um aumento expressivo de brilho. Há possibilidade de que se torne visível até mesmo em plena luz do dia, embora exista o risco de desintegração antes desse ponto crítico.

A família de cometas rasantes de Kreutz

Ao longo de aproximadamente 2.000 anos, diversos cometas extremamente brilhantes surgiram de forma repentina próximos ao Sol. Muitos deles atingiram luminosidade suficiente para serem observados durante o dia, sendo historicamente classificados como “Grandes Cometas”.

Entre esses eventos está o Grande Cometa de 1965, C/1965 S1 (Ikeya-Seki), considerado o mais brilhante do século XX. Descoberto apenas um mês antes do periélio, alcançou brilho comparável ao da Lua cheia e foi facilmente visível a olho nu durante o dia.

Outro exemplo marcante foi o Grande Cometa de 1882, C/1882 R1, que chegou a ser cem vezes mais brilhante que a Lua cheia. Seu brilho intenso dominou o céu por vários meses, tornando-se um dos cometas mais impressionantes já registrados.

Origem comum e fragmentação de um megacometa

Estudos indicam que todos esses cometas pertencem à mesma linhagem, a família de Kreutz, com origem em um único núcleo cometário gigante. Esse megacometa, com mais de 100 km de diâmetro, teria se aproximado perigosamente do Sol possivelmente entre os séculos III e IV a.C.

Após essa aproximação, já distante do Sol, o núcleo se fragmentou em dois grandes corpos e em inúmeros pedaços menores. Séculos depois, esses fragmentos retornaram ao periélio, dando origem a múltiplos cometas observados ao longo da história.

Relatos do ano 363 d.C. sugerem que vários cometas dessa família teriam sido visíveis simultaneamente em plena luz do dia. No século XI, os dois maiores fragmentos remanescentes produziram os Grandes Cometas de 1106 e 1138, que também voltaram a se fragmentar.

Desde então, os produtos dessas sucessivas fragmentações vêm sendo observados como uma série de cometas ao longo dos últimos dois séculos, mantendo ativa a linhagem dos cometas rasantes de Kreutz.

Observações modernas e o papel das sondas solares

Atualmente, a família de Kreutz inclui inúmeros fragmentos pequenos que se desintegram antes de atingir o periélio, além de alguns maiores capazes de gerar espetáculos significativos. O Observatório Solar e Heliosférico, da NASA, conhecido como SOHO, detectou milhares desses fragmentos ao longo dos anos.

A maioria desses objetos possui apenas alguns metros ou dezenas de metros de diâmetro. Fragmentos maiores são observados com bem menos frequência, o que torna cada novo candidato a Grande Cometa um evento aguardado pela comunidade astronômica.

O último cometa Kreutz de maior porte observado foi registrado em 2011. Descoberto pelo astrônomo de Queensland Terry Lovejoy, o cometa sobreviveu por pouco ao periélio e atingiu brilho comparável ao do planeta Vênus no final de dezembro daquele ano.

Previsões e expectativas para o cometa MAPS

Segundo previsões do astrônomo tcheco-americano Zdeněk Sekanina, dois grandes cometas rasantes poderão surgir nas próximas décadas, com um deles possivelmente aparecendo nos próximos dois anos. O cometa MAPS se encaixa nesse cenário de expectativa.

O cometa recém-descoberto já estabeleceu um recorde ao ser identificado a uma distância maior do Sol do que qualquer outro cometa rasante no momento da descoberta. Esse fator sugere que pode se tratar de um fragmento relativamente grande da família de Kreutz.

O recorde anterior pertencia ao cometa Ikeya-Seki, em 1965. No entanto, avanços tecnológicos nas últimas décadas indicam que é improvável que o núcleo do cometa MAPS seja tão grande quanto o daquele evento histórico.

Observações recentes mostram um aumento constante no brilho do cometa, o que reforça a hipótese de que se trata de um fragmento maior e não de um corpo em processo acelerado de desintegração, como inicialmente considerado.

O que pode acontecer após o periélio

Ainda é cedo para determinar com precisão o comportamento final do cometa MAPS. Se o cometa sobreviver à passagem pelo periélio, poderá proporcionar um espetáculo significativo no início ou em meados de abril, especialmente no hemisfério sul.

Mesmo que não alcance visibilidade diurna, o cometa deverá ser amplamente registrado pela sonda SOHO, fornecendo imagens detalhadas de sua aproximação solar. Nos dias seguintes, o cometa entrará no céu noturno.

Graças à sua órbita, típica dos cometas de Kreutz, a observação será mais favorável no hemisfério sul. Uma fragmentação tardia durante a passagem pelo Sol poderia resultar em um brilho repentino e inesperado, criando um cenário particularmente marcante.

Por enquanto, astrônomos acompanham atentamente a evolução do cometa, aguardando para ver se ele se tornará mais um capítulo notável na longa história dos cometas rasantes de Kreutz ou se irá se desfazer silenciosamente antes do momento decisivo.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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