Com cidades planejadas para centenas de milhares de pessoas e aeroportos que nunca decolaram, os megaprojetos mais inúteis do mundo expõem um lado pouco glamouroso de obras bilionárias que prometem desenvolvimento, mas entregam desperdício.
Entre um depósito nuclear que consumiu sozinho mais de US$ 17 bilhões e continua fechado, uma capital praticamente vazia e uma cidade inteligente que deveria abrigar 700 mil moradores, mas mal chega a centenas de residentes, os megaprojetos mais inúteis do mundo ajudam a entender como decisões políticas, cálculos errados de demanda e pressões ambientais podem transformar ambição em símbolo de fracasso. Quando o planejamento falha, a conta bilionária permanece, enquanto estradas, aeroportos e cidades inteiras seguem subutilizados.
Os megaprojetos mais inúteis do mundo nem sempre nasceram com essa etiqueta. Em muitos casos, eram apresentados como soluções estratégicas para defesa, mobilidade, turismo, reposicionamento geopolítico ou até para a gestão de resíduos nucleares. O problema começa quando o cenário muda, o uso real não acompanha o discurso e o custo afunda em décadas de controvérsias, atrasos e revisões de rota. A partir daí, rodovias, aeroportos, capitais e cidades planejadas passam a ser lembrados menos pelo potencial e mais pelo contraste entre o que foi prometido e o que de fato foi entregue.
Por que alguns megaprojetos se tornam praticamente inúteis
Antes de destrinchar casos específicos, vale olhar o padrão que costura os megaprojetos mais inúteis do mundo.
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Cansadas de ganhar menos e serem tratadas como ajudantes nos canteiros, mulheres pedreiras da Bolívia criaram uma associação para enfrentar preconceito, assédio, falta de reconhecimento e diferença salarial de 38% na construção civil
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Na Holanda, moradores compram terrenos em cidade perto de Amsterdã, descobrem que além de planejar suas casas, precisam também construir ruas, drenagem, cuidar dos resíduos e ainda plantar comida em metade do próprio lote
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Multinacional de Santa Catarina, WEG anuncia nova fábrica na China com inauguração prevista para início de 2027, focada em grandes máquinas elétricas rotativas e expansão da produção de motores de baixa e média tensão em Rugao
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Enquanto o mundo busca navios de baixo carbono para renovar a frota global, um estaleiro chinês assinou 13 contratos em uma semana, acumulou 39 encomendas e movimentou cerca de US$ 1 bilhão em um único lote histórico de porta-contêineres
Em geral, eles combinam três elementos recorrentes: estimativas superotimistas de demanda, motivações políticas ou simbólicas difíceis de sustentar no longo prazo e uma distância grande entre quem paga a conta e quem se beneficia diretamente da obra.
Quando um projeto nasce para atender a um objetivo muito específico, como uma estratégia militar dos anos 1960 ou uma visão de cidade futurista desenhada para investidores estrangeiros, qualquer mudança econômica, política ou social coloca em xeque o uso efetivo da obra.
Se, ao mesmo tempo, o custo passa de bilhões de dólares, o risco de cair na lista dos megaprojetos mais inúteis do mundo aumenta exponencialmente.
Yucca Mountain: o depósito nuclear que engoliu US$ 17 bilhões e nunca entrou em operação

Nenhum levantamento sobre os megaprojetos mais inúteis do mundo ignora Yucca Mountain, em Nevada.
Pensado como a solução definitiva para o lixo nuclear dos Estados Unidos, o projeto foi desenhado para armazenar resíduos radioativos em profundidade, em um complexo de túneis a cerca de 300 metros abaixo da montanha.
A escolha do local considerava o histórico de testes nucleares na região e o fato de estar longe de grandes centros urbanos.
Na teoria, fazia sentido. Na prática, Yucca Mountain se transformou em um megaprojeto paralisado por décadas de disputa política, oposição local e questionamentos científicos.
A população de Nevada não aceitava a ideia de abrigar o principal depósito de lixo nuclear do país, especialmente em um estado que sequer possui reatores em operação.
Além disso, surgiram dúvidas sobre riscos de contaminação de fontes de água que abastecem comunidades no Vale de Amargosa.
Mesmo assim, o projeto avançou em fases, consumindo sucessivos aportes públicos.
Décadas de estudos, obras, batalhas legais e mudanças de governo somaram mais de US$ 17 bilhões gastos em Yucca Mountain, sem que o depósito tenha sido efetivamente utilizado.
A partir da década de 2010, o projeto passou a ser considerado inviável por governos federais, e a posição atual é clara: Yucca Mountain não faz parte dos planos para o futuro do lixo nuclear americano.
O resultado é emblemático. Um dos megaprojetos mais inúteis do mundo nasceu para resolver um problema ambiental real, consumiu recursos por cerca de quatro décadas e hoje funciona apenas como exemplo de como a ausência de consenso político e social pode enterrar, literalmente, uma obra bilionária.
Forest City: a cidade futurista que virou vitrine de excesso e descolamento da realidade

Outro nome recorrente entre os megaprojetos mais inúteis do mundo é Forest City, na Malásia.
A ideia parecia feita sob medida para discursos de inovação: uma cidade inteligente, verde e futurista, construída em quatro ilhas artificiais, cercada por um ecossistema florestal planejado e conectada à vizinha Singapura em cerca de 20 minutos.
Telhados verdes, jardins verticais, ruas em múltiplas camadas e energia totalmente renovável reforçavam a narrativa de um projeto de ponta.
Com custo estimado em US$ 100 bilhões e conclusão prevista para 2035, Forest City nasceu para abrigar cerca de 700 mil moradores.
A proximidade com Singapura atraiu investidores chineses de alta renda, que enxergavam na cidade uma alternativa de luxo aos mercados imobiliários saturados de seu próprio país.
Em 2019, cerca de 80% dos proprietários eram chineses, as placas de rua estavam em mandarim e as poucas escolas locais também focavam esse público.
Esse desenho, porém, quase não incluía a população malaia, que não tinha renda para acompanhar os preços dos imóveis.
A reação política veio com força, classificando o projeto como uma nova forma de colonialismo econômico.
Após uma mudança de governo, o país restringiu a compra de imóveis por estrangeiros na cidade, esvaziando o modelo de negócios original.
A pandemia agravou o quadro, afastando novos investidores e levando muitos compradores a desistirem.
No início de 2020, menos de 500 pessoas viviam de fato em uma cidade planejada para centenas de milhares.
Vendas de novas unidades praticamente estagnaram, e demissões em massa na desenvolvedora acentuaram o clima de incerteza.
Mesmo com parte das ilhas e edifícios já construídos, Forest City permanece como um dos megaprojetos mais inúteis do mundo, com infraestrutura pronta, mas pouco uso real e um futuro que depende de uma reconfiguração profunda de seu propósito.
Naypyidaw: a capital monumental que virou cidade fantasma

Se há um exemplo didático de como uma capital planejada pode assumir ares de cenário vazio, é Naypyidaw, em Myanmar.
Concebida no início dos anos 2000 pela liderança militar do país, a nova capital foi construída em segredo para substituir Yangon, cidade costeira já saturada e coberta por limitações de infraestrutura.
A mudança buscava uma localização mais central, supostamente mais estratégica para o governo.
O investimento estimado já alcançou cerca de US$ 4 bilhões.
Naypyidaw oferece rodovia de 20 faixas praticamente sem tráfego, mais de 100 hotéis de luxo, campos de golfe, museus e réplicas monumentais de estruturas históricas.
Em termos de desenho urbano, tudo sugere uma capital pensada para receber multidões, autoridades estrangeiras e grandes eventos.
Na prática, a população residente é inferior a 1 milhão de pessoas, muitos deles em áreas periféricas que já existiam antes da mudança.
O núcleo planejado convive com avenidas vazias, centros comerciais ociosos e um aeroporto capaz de atender milhões de passageiros, mas que recebe apenas uma fração ínfima disso em dias de maior movimento.
Naypyidaw entrou com facilidade na lista dos megaprojetos mais inúteis do mundo pela distância entre a escala da infraestrutura e a adoção real pela população.
As razões para o esvaziamento combinam fatores econômicos, falta de serviços de saúde e educação de qualidade, além da ausência de oportunidades de trabalho compatíveis com a vida em uma capital.
Alguns analistas apontam que, com o crescimento populacional de longo prazo, a cidade ainda pode ganhar relevância. Por ora, porém, Naypyidaw é vista sobretudo como uma capital estranhamente vazia.
Aeroporto de Ciudad Real: um hub bilionário que virou estacionamento de aviões

Na Espanha, o Aeroporto Central de Ciudad Real se destaca entre os megaprojetos mais inúteis do mundo pela forma como um investimento em infraestrutura aérea se descolou da realidade geográfica e operacional.
Concebido como alternativa ao congestionado aeroporto de Madri, o projeto previa uma pista entre as maiores da Europa e capacidade inicial de 2 milhões de passageiros por ano, com planos de expansão para até 10 milhões.
O custo aproximado de construção foi de US$ 1,3 bilhão. Mas a localização, a cerca de 200 quilômetros de Madri, contrariava o próprio nome de “aeroporto central”.
Para a maioria dos passageiros, a combinação de distância e logística adicional tornava mais racional continuar utilizando a capital como ponto de partida e chegada.
Sem atrair grandes companhias aéreas, o aeroporto operou com uma única empresa em seu primeiro ano, acumulando prejuízos e dívidas que ultrapassaram US$ 350 milhões.
Em 2012, a empresa responsável pediu falência, e o aeroporto entrou em leilão. Tornou-se cenário de programas de TV e símbolo de desperdício.
Sob nova gestão, a estrutura ganhou uma função alternativa durante a pandemia: armazenamento de aeronaves em solo, aproveitando o clima seco, a longa pista e a área disponível.
Em 2020, cerca de 65 aviões estavam estacionados no local, com capacidade planejada para centenas.
Essa reinvenção temporária, porém, não altera o fato de que, para o passageiro comum, o aeroporto permanece um megaprojeto com baixíssima utilidade em relação à visão original, reforçando seu posto entre os megaprojetos mais inúteis do mundo.
Interestadual H-3: uma obra de engenharia cara, polêmica e rejeitada por parte da população

A rodovia interestadual H-3, no Havaí, ocupa uma posição peculiar entre os megaprojetos mais inúteis do mundo.
Com cerca de 26 quilômetros de extensão, a estrada corta uma das paisagens mais impressionantes do arquipélago, conectando a Base Naval de Pearl Harbor, no sul, à estação aérea do Corpo de Fuzileiros Navais na costa leste.
Em termos de engenharia, a obra é considerada notável, com extensos túneis e viadutos projetados para minimizar impactos nos vales e ecossistemas.
O problema está no custo e no contexto. Proposta ainda nos anos 1960 com foco em defesa, a rodovia enfrentou forte resistência de ambientalistas e comunidades nativas, que denunciavam a destruição de locais de importância cultural e religiosa.
Após décadas de atrasos, mudanças de rota e tecnologias cada vez mais caras, o projeto terminou em 1997 com um custo total de US$ 1,3 bilhão, cerca de cinco vezes o orçamento original e próximo a US$ 50 milhões por quilômetro, um dos custos mais altos do mundo para esse tipo de obra.
Hoje, críticos argumentam que a rodovia cumpre uma função estratégica muito menor que a imaginada no contexto da Guerra Fria.
Além disso, muitos nativos havaianos se recusam a utilizá-la por considerá-la amaldiçoada, o que limita seu papel como infraestrutura de integração.
Não se trata de um ativo completamente abandonado, mas o desequilíbrio entre custo, impacto cultural e benefício efetivo mantém a H-3 dentro do debate sobre os megaprojetos mais inúteis do mundo.
Quando ambição sem aderência transforma obras em símbolos de desperdício
Ao olhar em conjunto para Yucca Mountain, Forest City, Naypyidaw, o Aeroporto de Ciudad Real e a H-3 no Havaí, é possível enxergar um fio condutor.
Os megaprojetos mais inúteis do mundo não falham apenas por problemas técnicos, mas principalmente porque não se alinham ao uso real, à aceitação social e à dinâmica econômica dos lugares onde são construídos.
O que começa como promessa de segurança energética, nova capital, hub global de turismo ou cidade sustentável acaba, muitas vezes, como alerta sobre o custo de ignorar quem vai morar, viajar, operar ou conviver com essas estruturas no dia a dia.
Ao mesmo tempo, alguns desses projetos ainda podem passar por reinvenções parciais, como o aeroporto que virou estacionamento de aviões, mantendo aberta a discussão sobre alternativas para evitar que bilhões sigam parados em concreto, aço e pistas vazias.
Em um cenário em que países disputam investimentos e visibilidade, a lista de megaprojetos mais inúteis do mundo funciona como um lembrete de que prestígio arquitetônico e orçamentos gigantes não bastam.
O que realmente define o sucesso de um megaprojeto é a combinação de propósito claro, utilidade contínua e legitimidade perante a população que paga a conta.
E para você, qual destes megaprojetos mais inúteis do mundo parece ter mais chance de ser reaproveitado no futuro de forma útil para a população?

Falta o aeroporto de Chongoene. Um projecto inutil
Bolsonaro presidiário na ****
Tu sabe que as investigações no banco master chegaram em Temer, Lewandowski, na mulher do kbça de πrok, Jaques Wagner e mais uma renca, né!!! Pois é, uma gigantesca cortina de fumaça pra desviar o foco e manipular as investigações. Só pra enganar o tá rios como você.
Nada que o tempo não dê conta. Mas tudo é culpa do PT. Povo doente mental.