Corredor exclusivo modifica a paisagem da Avenida Brasil e reorganiza deslocamentos na principal via expressa do Rio de Janeiro.
Quem cruza a Avenida Brasil hoje encontra uma paisagem diferente daquela dos engarrafamentos intermináveis e dos canteiros de obra que se sucederam ao longo dos anos.
O fluxo de caminhões rumo ao Porto, carros de todas as zonas da cidade e ônibus lotados continua intenso, mas ganhou a companhia de plataformas elevadas, passarelas novas e ônibus articulados circulando em faixa própria no meio da via expressa.
Nesse cenário, o corredor BRT Transbrasil passou a funcionar como a espinha dorsal de um redesenho da mobilidade na principal artéria viária do Rio.
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Ao longo de 26 quilômetros, entre Deodoro, na Zona Oeste, e o Terminal Intermodal Gentileza, na Região Portuária, o sistema concentra o transporte coletivo de alta capacidade em pista exclusiva, buscando aliviar o trânsito geral e encurtar o tempo de deslocamento de quem depende de ônibus todos os dias.
Corredor exclusivo e mudanças viárias na Avenida Brasil
O eixo físico da Transbrasil acompanha quase todo o traçado da Avenida Brasil, mas em um arranjo diferente do modelo anterior.
A faixa junto ao canteiro central passou a ser de uso exclusivo dos ônibus articulados do BRT, operando sobre pavimento rígido, enquanto uma faixa seletiva imediatamente ao lado foi reservada para ônibus convencionais, táxis e veículos de serviço.
Segregadores físicos foram instalados próximos às estações.
As demais pistas seguem destinadas aos veículos particulares e ao transporte de carga.
Além da nova divisão de faixas, a Avenida Brasil recebeu fiscalização eletrônica, limites de velocidade específicos e monitoramento por câmeras, com operação integrada pelo Centro de Operações do Rio.
A combinação de corredores exclusivos, sinalização reforçada e controle em tempo real foi desenhada para diminuir conflitos entre carros, caminhões e ônibus e garantir regularidade ao serviço.
Funcionamento do BRT Transbrasil e etapas de implantação
A operação do corredor foi implantada em etapas.
A primeira fase abriu ao público o trecho entre Penha e o Terminal Intermodal Gentileza, em janela de funcionamento restrita.
Em seguida, o serviço parador passou a ligar Deodoro ao Gentileza, com parada em todas as estações e tempo médio de viagem entre 35 e 40 minutos entre os extremos.
O projeto prevê dois terminais – Deodoro e Gentileza – e 18 estações distribuídas pela Avenida Brasil.
No início da operação plena do serviço parador, 17 delas já recebiam embarque e desembarque regular.
A linha paradora principal, 60 (Terminal Deodoro x Terminal Gentileza), opera em regime contínuo, com funcionamento integral ao longo do dia.
Além dela, há serviço expresso entre Deodoro e Gentileza, linhas de conexão com bairros da Zona Norte e um serviço direto entre o Gentileza e o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).
Conexões com outros modais e integração ampliada
A Transbrasil integra diferentes zonas da cidade.
Em Deodoro, o terminal se conecta ao corredor Transolímpica e a linhas alimentadoras.
Na Penha e no Fundão, há ligação com a Transcarioca.
No Terminal Intermodal Gentileza, a integração se amplia por meio das linhas 1 e 4 do VLT e de uma rede crescente de ônibus municipais.
O terminal funciona como ponto de redistribuição dos fluxos que chegam pela Avenida Brasil, reduzindo a quantidade de ônibus que circulavam sem coordenação no Centro e na Região Portuária.
Terminal Intermodal Gentileza como centro operacional da rede
O Terminal Intermodal Gentileza ocupa uma área de cerca de 77 mil metros quadrados, adquirida pela Prefeitura junto à Caixa Econômica Federal.
O investimento na obra ficou próximo de R$ 300 milhões, dentro de uma parceria público-privada ligada ao VLT do Centro e à reestruturação do sistema de BRT.
A estrutura conta com dois pavimentos, plataformas para BRT, espaços para o VLT, áreas para ônibus municipais e passarelas que conectam o terminal à Avenida Brasil e ao entorno da antiga rodoviária.
O local possui áreas comerciais, banheiros, pontos de informação e espaços destinados à segurança e manutenção.
A estimativa é que o terminal receba cerca de 150 mil pessoas por dia, tornando-se um dos principais centros de circulação de passageiros da cidade.
Com isso, reorganiza o fluxo não apenas da Avenida Brasil, mas também do acesso à Região Portuária, ao Centro e às conexões sobre trilhos e ônibus.
Investimentos bilionários e fontes de financiamento
A Transbrasil se consolidou como uma das maiores obras de mobilidade urbana do município.
O corredor custou aproximadamente R$ 2 bilhões.
Desse total, R$ 1,1 bilhão veio da Caixa Econômica Federal por meio do programa Pró-Transportes.
Outros R$ 97 milhões foram aportados pelo BNDES.
A contrapartida da Prefeitura somou cerca de R$ 838 milhões.
O projeto também se articulou com outras iniciativas federais voltadas à renovação da frota de BRT, à requalificação de corredores e à construção de terminais e garagens.
Retomadas, revisões e atrasos ao longo da implantação
As obras começaram em 2015, com entrega prevista para 2017, mas foram interrompidas em 2016.
A execução foi retomada em 2017 e voltou a enfrentar paralisações em anos posteriores, motivadas por ajustes de projeto e desafios financeiros.
Em 2021, a nova gestão municipal anunciou a retomada definitiva, com promessa de conclusão no ano seguinte.
O prazo foi ajustado, e a abertura ao público passou a ocorrer por etapas, começando pelo trecho Penha–Gentileza.
Durante quase uma década, a Avenida Brasil conviveu com canteiros, desvios e interdições parciais.
A proposta inicial, que cogitava levar o corredor até áreas próximas ao Aeroporto Santos Dumont, foi revista, e o traçado atual passou a priorizar a chegada ao Gasômetro, com o Gentileza como ponto final.
Mudanças no trânsito e impactos para quem circula pela Avenida Brasil
O efeito imediato da Transbrasil é a reorganização do fluxo diário em uma via utilizada por motoristas da Zona Oeste, Zona Norte, Baixada Fluminense e caminhões que acessam o Porto do Rio.
Além da faixa exclusiva, um sistema integrado de câmeras cobre o trecho entre Deodoro e o Caju, com atuação da CET-Rio, Guarda Municipal e equipes de emergência.
Foram definidas restrições de circulação de caminhões em horários e trechos específicos.
A expectativa é que, com o corredor em plena operação, o tempo de viagem possa cair até pela metade para quem migra do ônibus convencional para o BRT.
As projeções indicam que o sistema pode chegar a 250 mil passageiros por dia em 2030.
Com os corredores Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil, o BRT do Rio se aproxima de 150 quilômetros de extensão.
Obras complementares e requalificação urbana ao redor do corredor
A construção da Transbrasil trouxe uma série de intervenções urbanas.
Foram erguidas passarelas definitivas, implantada iluminação em LED, ampliadas obras de drenagem e criado um projeto de arte urbana em viadutos, pilares e estações.
Essas iniciativas integram um esforço maior de requalificação do entorno da Avenida Brasil, especialmente na área próxima ao antigo complexo rodoviário, atualizado com a presença do Terminal Gentileza e suas conexões.
