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Com mais de R$ 2 bilhões investidos e 26 km de corredor, BRT Transbrasil sai do papel para desafogar a Avenida Brasil e redesenhar a mobilidade no Rio de Janeiro

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 19/11/2025 às 22:21
Corredor BRT Transbrasil de 26 km vai reorganizar a Avenida Brasil com faixa exclusiva, terminais integrados e R$ 2 bilhões em investimentos.
Corredor BRT Transbrasil de 26 km vai reorganizar a Avenida Brasil com faixa exclusiva, terminais integrados e R$ 2 bilhões em investimentos.
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Corredor exclusivo modifica a paisagem da Avenida Brasil e reorganiza deslocamentos na principal via expressa do Rio de Janeiro.

Quem cruza a Avenida Brasil hoje encontra uma paisagem diferente daquela dos engarrafamentos intermináveis e dos canteiros de obra que se sucederam ao longo dos anos.

O fluxo de caminhões rumo ao Porto, carros de todas as zonas da cidade e ônibus lotados continua intenso, mas ganhou a companhia de plataformas elevadas, passarelas novas e ônibus articulados circulando em faixa própria no meio da via expressa.

Nesse cenário, o corredor BRT Transbrasil passou a funcionar como a espinha dorsal de um redesenho da mobilidade na principal artéria viária do Rio.

Ao longo de 26 quilômetros, entre Deodoro, na Zona Oeste, e o Terminal Intermodal Gentileza, na Região Portuária, o sistema concentra o transporte coletivo de alta capacidade em pista exclusiva, buscando aliviar o trânsito geral e encurtar o tempo de deslocamento de quem depende de ônibus todos os dias.

Corredor exclusivo e mudanças viárias na Avenida Brasil

O eixo físico da Transbrasil acompanha quase todo o traçado da Avenida Brasil, mas em um arranjo diferente do modelo anterior.

A faixa junto ao canteiro central passou a ser de uso exclusivo dos ônibus articulados do BRT, operando sobre pavimento rígido, enquanto uma faixa seletiva imediatamente ao lado foi reservada para ônibus convencionais, táxis e veículos de serviço.

Segregadores físicos foram instalados próximos às estações.

As demais pistas seguem destinadas aos veículos particulares e ao transporte de carga.

Além da nova divisão de faixas, a Avenida Brasil recebeu fiscalização eletrônica, limites de velocidade específicos e monitoramento por câmeras, com operação integrada pelo Centro de Operações do Rio.

A combinação de corredores exclusivos, sinalização reforçada e controle em tempo real foi desenhada para diminuir conflitos entre carros, caminhões e ônibus e garantir regularidade ao serviço.

Funcionamento do BRT Transbrasil e etapas de implantação

A operação do corredor foi implantada em etapas.

A primeira fase abriu ao público o trecho entre Penha e o Terminal Intermodal Gentileza, em janela de funcionamento restrita.

Em seguida, o serviço parador passou a ligar Deodoro ao Gentileza, com parada em todas as estações e tempo médio de viagem entre 35 e 40 minutos entre os extremos.

O projeto prevê dois terminais – Deodoro e Gentileza – e 18 estações distribuídas pela Avenida Brasil.

No início da operação plena do serviço parador, 17 delas já recebiam embarque e desembarque regular.

A linha paradora principal, 60 (Terminal Deodoro x Terminal Gentileza), opera em regime contínuo, com funcionamento integral ao longo do dia.

Além dela, há serviço expresso entre Deodoro e Gentileza, linhas de conexão com bairros da Zona Norte e um serviço direto entre o Gentileza e o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

Conexões com outros modais e integração ampliada

A Transbrasil integra diferentes zonas da cidade.

Em Deodoro, o terminal se conecta ao corredor Transolímpica e a linhas alimentadoras.

Na Penha e no Fundão, há ligação com a Transcarioca.

No Terminal Intermodal Gentileza, a integração se amplia por meio das linhas 1 e 4 do VLT e de uma rede crescente de ônibus municipais.

O terminal funciona como ponto de redistribuição dos fluxos que chegam pela Avenida Brasil, reduzindo a quantidade de ônibus que circulavam sem coordenação no Centro e na Região Portuária.

Terminal Intermodal Gentileza como centro operacional da rede

O Terminal Intermodal Gentileza ocupa uma área de cerca de 77 mil metros quadrados, adquirida pela Prefeitura junto à Caixa Econômica Federal.

O investimento na obra ficou próximo de R$ 300 milhões, dentro de uma parceria público-privada ligada ao VLT do Centro e à reestruturação do sistema de BRT.

A estrutura conta com dois pavimentos, plataformas para BRT, espaços para o VLT, áreas para ônibus municipais e passarelas que conectam o terminal à Avenida Brasil e ao entorno da antiga rodoviária.

O local possui áreas comerciais, banheiros, pontos de informação e espaços destinados à segurança e manutenção.

A estimativa é que o terminal receba cerca de 150 mil pessoas por dia, tornando-se um dos principais centros de circulação de passageiros da cidade.

Com isso, reorganiza o fluxo não apenas da Avenida Brasil, mas também do acesso à Região Portuária, ao Centro e às conexões sobre trilhos e ônibus.

Investimentos bilionários e fontes de financiamento

A Transbrasil se consolidou como uma das maiores obras de mobilidade urbana do município.

O corredor custou aproximadamente R$ 2 bilhões.

Desse total, R$ 1,1 bilhão veio da Caixa Econômica Federal por meio do programa Pró-Transportes.

Outros R$ 97 milhões foram aportados pelo BNDES.

A contrapartida da Prefeitura somou cerca de R$ 838 milhões.

O projeto também se articulou com outras iniciativas federais voltadas à renovação da frota de BRT, à requalificação de corredores e à construção de terminais e garagens.

Retomadas, revisões e atrasos ao longo da implantação

As obras começaram em 2015, com entrega prevista para 2017, mas foram interrompidas em 2016.

A execução foi retomada em 2017 e voltou a enfrentar paralisações em anos posteriores, motivadas por ajustes de projeto e desafios financeiros.

Em 2021, a nova gestão municipal anunciou a retomada definitiva, com promessa de conclusão no ano seguinte.

O prazo foi ajustado, e a abertura ao público passou a ocorrer por etapas, começando pelo trecho Penha–Gentileza.

Durante quase uma década, a Avenida Brasil conviveu com canteiros, desvios e interdições parciais.

A proposta inicial, que cogitava levar o corredor até áreas próximas ao Aeroporto Santos Dumont, foi revista, e o traçado atual passou a priorizar a chegada ao Gasômetro, com o Gentileza como ponto final.

Mudanças no trânsito e impactos para quem circula pela Avenida Brasil

O efeito imediato da Transbrasil é a reorganização do fluxo diário em uma via utilizada por motoristas da Zona Oeste, Zona Norte, Baixada Fluminense e caminhões que acessam o Porto do Rio.

Além da faixa exclusiva, um sistema integrado de câmeras cobre o trecho entre Deodoro e o Caju, com atuação da CET-Rio, Guarda Municipal e equipes de emergência.

Foram definidas restrições de circulação de caminhões em horários e trechos específicos.

A expectativa é que, com o corredor em plena operação, o tempo de viagem possa cair até pela metade para quem migra do ônibus convencional para o BRT.

As projeções indicam que o sistema pode chegar a 250 mil passageiros por dia em 2030.

Com os corredores Transoeste, Transcarioca, Transolímpica e Transbrasil, o BRT do Rio se aproxima de 150 quilômetros de extensão.

Obras complementares e requalificação urbana ao redor do corredor

A construção da Transbrasil trouxe uma série de intervenções urbanas.

Foram erguidas passarelas definitivas, implantada iluminação em LED, ampliadas obras de drenagem e criado um projeto de arte urbana em viadutos, pilares e estações.

Essas iniciativas integram um esforço maior de requalificação do entorno da Avenida Brasil, especialmente na área próxima ao antigo complexo rodoviário, atualizado com a presença do Terminal Gentileza e suas conexões.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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