Mesmo com trechos já liberados aos banhistas, o maior alargamento de praia do Brasil segue com 57% concluído em Itapoá, após depositar 3,9 milhões de m³ de sedimentos. Em paralelo, sem parar a dragagem, a prefeitura inicia licitação de estudos ambientais e projetos para ampliar outros 9 km da orla.
O maior alargamento de praia do Brasil virou, ao mesmo tempo, obra visível e decisão técnica: em Itapoá, a faixa de areia cresce em alguns pontos, mas a intervenção ainda convive com trechos interditados e com a rotina pesada da draga que deposita sedimentos na orla.
Enquanto essa etapa segue avançando, a prefeitura já organiza uma nova licitação para contratar estudos ambientais e projetos de engenharia que podem ampliar em cerca de 9 quilômetros a faixa de areia, mirando justamente áreas onde o mar vem avançando e a areia vem desaparecendo.
O novo trecho planejado e o mapa da erosão na cidade

A proposta de ampliação em estudo vai da rua Peabiru até a rua Castro Alves, passando por trechos dos bairros Itapoá, Itapema do Norte e Cambijú.
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É um recorte que chama atenção porque reúne pontos em que a perda de areia não é um detalhe estético, mas um sinal de desequilíbrio costeiro que afeta uso da praia, infraestrutura urbana e a própria dinâmica de marés e ressacas.

Quando uma cidade discute aumentar a faixa de areia por quilômetros, ela precisa responder a duas perguntas ao mesmo tempo, sem simplificar: onde a praia está “faltando” sedimento e como garantir que o material colocado permaneça estável o suficiente para cumprir sua função. Por isso, o desenho do trecho e o entendimento do comportamento local do mar importam tanto quanto a quantidade de areia movimentada.

O que a licitação pretende contratar e por que o licenciamento pesa
Segundo a administração municipal, a Secretaria de Meio Ambiente estrutura o processo de licitação para contratar os estudos ambientais e os projetos de engenharia necessários.
O pacote técnico inclui estudos de impacto ambiental voltados ao licenciamento e uma avaliação de engenharia costeira que considera estruturas como molhes e headlands para fixação de sedimentos, além de soluções baseadas na natureza, como recuperação de dunas e plantio de vegetação de restinga.
Na prática, o licenciamento não é uma etapa “burocrática” separada da engenharia, porque define condicionantes, controles e limites de execução. É nessa fase que se detalha como reduzir riscos ambientais, como lidar com interferências na linha de costa e como acompanhar efeitos indesejados, especialmente quando se fala em estruturas que alteram o transporte natural de sedimentos ao longo da praia.
A expectativa informada é que a documentação siga para o setor de pré licitação até o fim de março e, após a contratação, a empresa vencedora tenha até 18 meses para concluir o licenciamento e entregar os projetos executivos. Esse prazo indica que a discussão não é só “colocar areia”: envolve desenhar a solução, justificar tecnicamente e cumprir todas as etapas necessárias para que a intervenção seja legalmente autorizada e tecnicamente defensável.
Como anda o maior alargamento de praia do Brasil que já está em execução
A nova etapa é planejada enquanto a intervenção principal segue em andamento e é apontada como o maior alargamento de praia do Brasil. O avanço reportado é de cerca de 57% de conclusão, com aproximadamente 3,9 milhões de m³ de sedimentos já depositados na faixa de areia, um volume que ajuda a dimensionar a escala logística e operacional envolvida.
Até agora, cerca de 5 quilômetros dos 8 previstos foram finalizados, resultado de centenas de ciclos de operação da draga responsável pela obra.
Mesmo com trechos liberados e já frequentados por banhistas, parte da área permanece interditada para garantir segurança durante os trabalhos, o que reforça um aspecto pouco percebido: uma obra costeira grande convive com a cidade em tempo real, exigindo controle de acesso, sinalização e gestão de riscos enquanto a orla ainda está em transformação.
Também por isso o debate sobre uma ampliação adicional de 9 quilômetros ganha peso político e técnico. Quando uma etapa ainda está em execução, a próxima precisa ser pensada com base no que já foi observado na prática, tanto nos trechos prontos quanto nos trechos em obras.
A Baía Babitonga entra na obra e a dragagem vira fonte de areia
A areia usada no alargamento vem da dragagem do canal de acesso da Baía Babitonga, que passa por obras de aprofundamento.
O projeto total com mais de 68% de progresso e investimento de cerca de R$ 333 milhões, em parceria entre o Porto de São Francisco do Sul e o município, conectando a intervenção na praia com uma agenda logística regional.
Ao todo, a dragagem prevê retirar cerca de 12,5 milhões de m³ de sedimentos para aumentar a profundidade do canal de 14 para 16 metros, com a intenção de permitir a entrada de navios maiores e ampliar a capacidade logística do complexo portuário.
Parte desse material é direcionada para a orla de Itapoá e outra parcela vai para uma área de descarte em alto mar autorizada por órgãos ambientais.
Essa conexão entre porto e praia costuma ser decisiva porque transforma um resíduo operacional em insumo de obra, mas exige critério.
Direcionar sedimentos para a faixa de areia não é automático: é uma escolha que depende de compatibilidade ambiental e de controle, já que o material precisa atender às exigências do licenciamento e aos objetivos de estabilidade da orla.
O que pode definir se os 9 km adicionais vão avançar de verdade
A intenção de ampliar a faixa de areia em mais 9 quilômetros aponta para um objetivo claro: responder ao avanço do mar e à perda de areia em bairros específicos.
Só que a viabilidade final depende de como os estudos vão enquadrar riscos e soluções, inclusive quando se mencionam alternativas como molhes e headlands, que podem ajudar na fixação de sedimentos, mas também exigem avaliação cuidadosa por alterarem a dinâmica costeira.
As soluções baseadas na natureza citadas, como recuperação de dunas e plantio de restinga, entram como parte da resposta justamente por atuarem na “camada viva” da praia, oferecendo proteção e ajudando a estabilizar o sistema costeiro.
Quando engenharia costeira e natureza são tratadas como concorrentes, a praia perde; quando são combinadas com critério, a chance de uma faixa de areia mais resiliente cresce.
No curto prazo, o que coloca o projeto no trilho é a licitação dos estudos e a entrega de projetos executivos, com o licenciamento concluído no horizonte de até 18 meses após a contratação.
No médio prazo, o que decide é se a solução proposta conseguirá equilibrar proteção da orla, segurança de obra, uso público da praia e a própria engrenagem regional que envolve a dragagem da Baía Babitonga.
E para você, qual deveria ser a prioridade em Itapoá agora: acelerar a ampliação de mais 9 km para proteger os trechos com perda de areia, ou focar em consolidar o maior alargamento de praia do Brasil já em execução antes de abrir uma nova frente?
O que você acha que pesa mais no dia a dia: segurança da orla, turismo, ou a ligação com a dragagem do canal e a logística do porto?

A matéria não informa, claramente, a qual Estado e município está se referindo. Por um instante, achei que se tratava da praia de Itapoã, em Salvador/BA, grafada incorretamente… Só depois de pesquisar Baía de Babitonga é que soube qual o local…
Matéria com trechos repetitivos. Ao que percebi não indica em qual estado fica a obra
Baia
Sim está n hora de recuperar a orla principalmente a do cambiju ,o turismo num todo vai crescer muito se esse alargamento for concretizado afinal será o maior do Brasil….