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Com canhões de som capazes de atingir 150 decibéis, lasers verdes de longo alcance e falcões treinados para afastar aves, aeroportos usam defesa sem armas para evitar colisões e manter aviões seguros nos pousos e decolagens

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 21/11/2025 às 16:10
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Com canhões de som capazes de atingir 150 decibéis, lasers verdes de longo alcance e falcões treinados para afastar aves, aeroportos usam defesa sem armas para evitar colisões e manter aviões seguros nos pousos e decolagens
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Aeroportos adotam canhões de som de 150 dB, lasers verdes e falcões treinados para evitar colisões com aves e aumentar a segurança em pousos e decolagens.

Enquanto os passageiros embarcam tranquilamente, milhares de metros acima da pista de decolagem, uma batalha invisível se desenrola. Entre os sistemas de bagagem, radares e semáforos de pista, aeroportos de grande porte ao redor do mundo implementam defesas não-letais sofisticadas para eliminar um dos maiores riscos da aviação: o impacto entre aeronaves e aves, conhecido internacionalmente como bird strike. A razão: em 2018, a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) estimou que mais de 200 mortes humanas e perdas superiores a US$ 1 bilhão ocorreram em consequência de bird strikes. Para evitar que um pássaro entre na turbina, aeroportos precisaram se reinventar.

Três tecnologias: som potente, laser invisível e aves treinadas para um único objetivo

Canhões de som (LRAD e outros sistemas acústicos)

Esses dispositivos emitem pulsos de até 150 decibéis — semelhantes a um foguete decolando — e são utilizados para emitir sinais sonoros agudos que perturbam os vestibulares das aves, fazendo-as voar para longe da pista em questão de segundos. Diferentemente de tiros de festim ou explosivos, o som é direcionado, instantâneo e não danifica o solo ou a máquina.

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O sistema é acionado automaticamente por sensores de movimento no perímetro da pista ou por operadores de solo quando há concentração de aves.

Lasers verdes e infravermelhos de longo alcance

Lasers de 520 nm (verde) ou versões invisíveis no infravermelho são apontados para o céu em níveis de potência seguros para humanos, mas desconfortáveis para aves. Quando as aves percebem o feixe ou o reflexo, em fração de segundos mudam de rota.

Esses equipamentos costumam cobrir áreas de até 2 km² e acompanham a curva de aproximação da pista, criando um “envelope de dissuasão” invisível.

Falcões e gaivotas treinadas

Simultaneamente, muitos aeroportos recorrem a falcoeiros profissionais com aves de rapina treinadas — como falcões peregrinos para patrulhar o perímetro da pista. O simples sobrevoo dessas aves já causa dispersão de bandos menores, que reconhecem o predador.

Essa técnica é combinada com tecnologia, formando um sistema integrado: sensor detecta aves comuns > laser e som afastam > falcão patrulha > pista liberada.

O porquê de tanta tecnologia para uma ameaça silenciosa

  • Velocidade dos voos: Uma ave de 1 kg a 270 km/h atinge forças comparáveis a 1 t de carga para o motor de um jato.
  • Altitude crítica: Muitas aves migram justamente nos corredores das rotas aéreas.
  • Manutenção elevada: Um bird strike pode provocar falha de motor, incêndio ou despressurização.
  • Ambiente urbano: Aeroportos próximos a zonas de lagoas, aterros e parques têm constante risco de atração de fauna.

Por isso cada centímetro da área ao redor da pista é monitorado e tratado como parte integrante da segurança da aviação.

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Casos de sucesso e estatísticas recentes

  • O Aeroporto Internacional de Banfield, Reino Unido, relatou queda de 70% em bird strikes após instalar LRAD e laser.
  • O Aeroporto de Denver, EUA, implementou programa de falcoaria e reduziu de 127 casos em 2015 para 42 em 2023.
  • Relatórios da ICAO e FAA indicam que sistemas acústicos e laser agora fazem parte das recomendações internacionais de mitigação.

Desafios e ética na defesa da fauna

Embora eficazes, essas tecnologias não são livres de controvérsias. Algumas organizações ambientais alertam para:

  • risco de estresse contínuo à fauna local;
  • necessidade de licenciamento para uso de lasers;
  • treinamento especializado para operadores de LRAD;
  • balancear segurança aérea com preservação do meio ambiente.

Por isso muitos aeroportos articulam com órgãos de fauna para que a dispersão de aves aconteça sem danos colaterais.

Por que esse tipo de defesa é cada vez mais necessário

À medida que o tráfego aéreo cresce estimado em 5% ao ano globalmente — também cresce o risco de colisões com animais. Jatos maiores, voos mais frequentes, uso de pistas adicionais próximas a zonas urbanas: tudo isso amplia o desafio da fauna nas imediações. Não há solução simples: armas não são permitidas, fauna não pode ser eliminada, e o ambiente aeroportuário exige resposta rápida e eficaz.

As tecnologias de som, laser e rapina oferecem uma “defesa sem armas”, perfeitamente alinhada às normas de aviação civil, proteção ambiental e imagem pública, além de reduzir custos com manutenção de aeronaves.

Enquanto os passageiros assumem os assentos e o jato acelera, o sistema de detecção já trabalhou — os sensores acionaram os lasers, os canhões de som zumbiram, os falcões patrulharam. Tudo isso para garantir que nenhuma ave atravesse a rota da máquina.

É uma guerra silenciosa, um teatro invisível que proteção pesada e sistemas de ponta assumem para que o grande show da decolagem e pouso aconteça com tranquilidade.

Na próxima vez que você embarcar, lembre-se: o voo seguro depende de tecnologia, que às vezes começa com um zumbido, um feixe verde ou o bater de asas de um falcão na borda da pista.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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