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Com avanço de 1 km por dia, maior obra ferroviária do Brasil terá 743 km, 22 pontes, 21 viadutos, 2 túneis e conexão direta a megaterminal

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 04/12/2025 às 14:35 Atualizado em 04/12/2025 às 15:10
A Ferrovia de Mato Grosso avança com 743 km, 22 pontes e conexão ao megaterminal de Rondonópolis, transformando o transporte agrícola do país.
A Ferrovia de Mato Grosso avança com 743 km, 22 pontes e conexão ao megaterminal de Rondonópolis, transformando o transporte agrícola do país.
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Maior obra ferroviária em execução no país muda a lógica logística do Centro-Oeste, avança por dezenas de municípios e se integra a um megaterminal estratégico, ampliando a capacidade de transporte da produção agrícola.

A maior obra ferroviária em execução no país avança com ritmo declarado de até um quilômetro de trilhos instalados por dia em Mato Grosso.

A Ferrovia de Mato Grosso (FMT), também chamada de Ferrovia Estadual Vicente Vuolo, totaliza 743 quilômetros projetados, conecta-se ao megaterminal ferroviário de Rondonópolis e inclui 22 pontes, 21 viadutos e 2 quilômetros de túneis, compondo um novo corredor de transporte voltado ao agronegócio.

As obras iniciadas em 2022 já atingiram cerca de 73% de execução física, segundo informações oficiais, com terraplenagem praticamente concluída e boa parte das estruturas especiais em fase avançada.

A construção é conduzida pela Rumo Logística, em regime de autorização estadual, com capital privado e previsão de operação do primeiro trecho em 2026.

O que é a Ferrovia de Mato Grosso e sua ligação ao megaterminal

Criada como a primeira ferrovia estadual sob o modelo de autorização, a FMT foi desenhada para estender a Malha Norte até o principal polo produtor de grãos de Mato Grosso.

O traçado ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com ramais para Cuiabá, atravessando 16 municípios e conectando a produção diretamente à malha ferroviária que chega ao Estado de São Paulo e ao Porto de Santos.

O ponto inicial é o complexo ferroviário de Rondonópolis, reconhecido como um dos principais terminais de escoamento da Malha Norte.

A nova linha amplia essa conexão ao permitir que a carga seja embarcada mais próxima das áreas produtivas, reduzindo percursos rodoviários utilizados hoje.

Essa redução de deslocamentos é mencionada por técnicos do setor como um dos principais fatores de ganho logístico.

O projeto também prevê um terminal multimodal às margens da BR-070, entre Dom Aquino, Campo Verde e Primavera do Leste, estruturado com capacidade inicial estimada em cerca de 10 milhões de toneladas anuais, voltado ao transporte de soja, milho e insumos industriais.

Ferrovia de Mato Grosso: viaduto sobre a BR-163 concluído em Rondonópolis integra novo corredor logístico. (Imagem: divulgação Rumo)
Ferrovia de Mato Grosso: viaduto sobre a BR-163 concluído em Rondonópolis integra novo corredor logístico. (Imagem: divulgação Rumo)

Extensão, traçado e modelo de financiamento da ferrovia

Com 743 quilômetros previstos, o corredor ferroviário partirá de Rondonópolis, seguirá para Cuiabá e avançará até Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.

Projeções divulgadas pelo governo estadual indicam intenção de concluir toda a extensão até o fim da década, embora a execução dependa das condições técnicas e financeiras de cada etapa.

A ferrovia é financiada integralmente pela iniciativa privada.

A fase inicial envolve aproximadamente R$ 5 bilhões, e estimativas públicas indicam que o investimento total poderá alcançar entre R$ 12 bilhões e R$ 15 bilhões ao longo de toda a implantação.

Esse valor está associado ao avanço até o norte do estado.

O modelo de autorização, adotado após o novo marco ferroviário, é citado por autoridades como uma alternativa para acelerar projetos, ao transferir parte das decisões de investimento para operadores interessados.

Fases da obra e cronograma de execução

A construção está dividida em três fases.

A primeira liga Rondonópolis ao terminal ferroviário da região de Dom Aquino, Campo Verde e Primavera do Leste, em trecho superior a 160 quilômetros, com previsão de início de operação em 2026.

As etapas seguintes avançam para Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde.

A conexão com a malha ferroviária já existente permite encaminhar a carga de Mato Grosso diretamente para o Porto de Santos, reduzindo a necessidade de longos trajetos rodoviários até outros pontos de entroncamento.

O cronograma final dos 743 quilômetros depende do andamento das frentes de obra e de avaliações periódicas de viabilidade econômica feitas pelo governo estadual e pela empresa responsável.

Andamento da construção e estruturas já concluídas

Trecho inicial da FMT com trilhos recém-instalados demonstra avanço da maior obra ferroviária do país. (Imagem: divulgação Rumo)
Trecho inicial da FMT com trilhos recém-instalados demonstra avanço da maior obra ferroviária do país. (Imagem: divulgação Rumo)

Relatórios oficiais e informações divulgadas pela concessionária apontam que aproximadamente 73% da obra está concluída, considerando terraplenagem, drenagem, obras de arte e assentamento de trilhos.

Em trechos específicos, o assentamento avança em média um quilômetro por dia, ritmo possível principalmente durante o período de clima seco.

A implantação das 22 pontes, 21 viadutos e 2 quilômetros de túneis é realizada por diferentes frentes simultâneas, com mobilização de cerca de 5 mil trabalhadores.

Entre as estruturas em fase de testes está uma ponte sobre o rio Vermelho, cuja avaliação de carga foi divulgada como satisfatória pelas equipes técnicas.

A fábrica de dormentes instalada em Rondonópolis integra o planejamento industrial do empreendimento e abastece continuamente a obra com peças de concreto, contribuindo para reduzir interrupções por falta de material.

Impactos econômicos no agronegócio mato-grossense

A redução de custos logísticos é um dos principais efeitos esperados por economistas e especialistas em infraestrutura.

Em trajetos longos, estimativas divulgadas por órgãos do setor indicam que o frete ferroviário pode reduzir em até 50% o custo total em comparação ao transporte exclusivamente rodoviário.

O percentual depende das distâncias de origem e destino.

Mato Grosso responde por parcela expressiva das exportações brasileiras de grãos.

Terminal de Rondonópolis da Rumo opera como polo de escoamento da safra mato-grossense via Ferrovia de Mato Grosso. (Imagem: divulgação Rumo)
Terminal de Rondonópolis da Rumo opera como polo de escoamento da safra mato-grossense via Ferrovia de Mato Grosso. (Imagem: divulgação Rumo)

Analistas destacam que qualquer redução estrutural de custos tende a repercutir na competitividade do produtor e na capacidade de investimento nas propriedades.

A ferrovia também facilita o transporte de fertilizantes e outros insumos, que retornam do litoral ao interior do estado com menor custo operacional.

Nos municípios ao longo da linha, dados de prefeituras e relatos de empresários apontam aumento na instalação de armazéns, unidades de processamento e empresas de serviços ligadas ao agronegócio.

Esse movimento está associado à expectativa de entrada da ferrovia em operação.

Benefícios ambientais e redução de caminhões nas rodovias

A transferência de parte do transporte para os trilhos é apontada por especialistas em logística como fator relevante para reduzir emissões de CO₂, já que o transporte ferroviário apresenta menor emissão por tonelada-quilômetro.

A diminuição do fluxo de caminhões pesados nas rodovias também pode contribuir para menor desgaste do pavimento, redução de congestionamentos e queda no número de acidentes envolvendo veículos de carga.

Segundo técnicos que acompanham o licenciamento ambiental, os estudos apresentados incluem medidas de mitigação de impacto sobre fauna, flora e áreas próximas às rodovias.

Prazos, desafios de execução e expansão ferroviária no Brasil

A primeira etapa tem operação prevista para 2026.

As demais dependerão da conclusão das obras e de análises econômicas que orientarão a sequência da implantação.

Obra de ponte ou viaduto da Ferrovia de Mato Grosso avança no interior de MT como parte do corredor de exportação. (Imagem: divulgação Sinfra-MT / Rumo)
Obra de ponte ou viaduto da Ferrovia de Mato Grosso avança no interior de MT como parte do corredor de exportação. (Imagem: divulgação Sinfra-MT / Rumo)

Documentos públicos mencionam a intenção de finalizar os 743 quilômetros até o fim da década, embora essa meta possa variar conforme ritmo de execução e condições financeiras.

No campo ambiental, especialistas ressaltam que a migração parcial do transporte rodoviário para os trilhos reduz emissões e melhora a previsibilidade das operações.

A obra enfrenta desafios típicos de grandes projetos no Centro-Oeste, como períodos de chuva que limitam atividades de campo, trechos que exigem túneis e viadutos complexos e custos financeiros influenciados pela taxa de juros.

Reprogramações têm sido feitas conforme necessidade técnica.

A FMT integra um conjunto mais amplo de projetos ferroviários estudados no país, incluindo ramais voltados ao Arco Norte e ligações adicionais com malhas já existentes.

Essas expansões ampliam a participação do modal ferroviário no escoamento agrícola.

O avanço dessa transformação logística levanta uma questão central: como a operação plena dessa ferrovia deve alterar o cotidiano das cidades ao longo do traçado e a competitividade dos produtores nos mercados interno e externo?

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Mírian Ignácio
Mírian Ignácio
08/12/2025 00:28

Transporte ferroviário de passageiros: quando??? Aqui em Salvador ACABARAM com a delícia de passear de trem, com paisagens de tirar o fôlego da gente, de tão lindas… Forró no Trem foi uma das coisas mais deliciosas de minha vida… Muito triste o que fizeram!!! Acabaram com tudo!!!

Pedro Augusto Carvalho Lima
Pedro Augusto Carvalho Lima
06/12/2025 18:13

O Brasil é um país de dimensões continentais. Razão pela qual uma malha ferroviária integrada seria uma excelente solução para escoamento da produção e transporte de passageiros a um custo menor.
Infelizmente, na década de 80 houve o total abandono das ferrovias brasileiras, não cabendo aqui enumerar os reais motivos que levaram a isso.
Uma questão é crucial a ser discutida nessa iniciativa do Mato Grosso: o escoamento da produção vai melhorar até o Porto de Santos. A questão é se o Porto de Santos está, logisticamente, preparado para receber esse aumento de escoamento.

Leny alves das neves
Leny alves das neves
05/12/2025 14:24

O bom era quer chegasse pra aqui como salvador Aracaju Sergipe ir outros estados tá em

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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