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Com apenas 1% do território brasileiro, Santa Catarina construiu um dos parques industriais mais competitivos do país com 64 mil empresas, quase 1 milhão de empregos e crescimento de 5,3% enquanto a indústria nacional está praticamente estagnada

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 27/03/2026 às 21:20
Assista o vídeoSanta Catarina tem 64 mil empresas e quase 1 milhão de empregos na indústria. A industrialização catarinense cresceu 5,3% enquanto o país estagnou.
Santa Catarina tem 64 mil empresas e quase 1 milhão de empregos na indústria. A industrialização catarinense cresceu 5,3% enquanto o país estagnou.
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Santa Catarina ocupa pouco mais de 1% do território nacional, mas sua industrialização gerou 64 mil empresas e quase 937 mil empregos no setor. A indústria catarinense cresceu 5,3% em 12 meses, muito acima da média do país, e responde por cerca de 4,7% de todas as exportações brasileiras de manufaturados.

Santa Catarina construiu, ao longo de mais de um século, um dos parques industriais mais diversificados e competitivos do Brasil e fez isso seguindo um caminho completamente diferente do modelo nacional. Enquanto a industrialização brasileira se concentrou historicamente no eixo Rio-São Paulo, com grandes projetos estatais e forte dependência de capital público e estrangeiro, o estado catarinense ergueu sua base produtiva a partir de pequenas oficinas familiares, imigração europeia e domínio técnico descentralizado.

Os números mais recentes confirmam o resultado dessa trajetória. A produção industrial de Santa Catarina cresceu 5,3% em 12 meses, em um momento em que grande parte da indústria nacional está praticamente estagnada. O estado abriga mais de 64 mil empresas industriais, gera quase 937 mil empregos no setor e exportou cerca de 6,6 bilhões de dólares em produtos industrializados em 2025. Mais da metade de tudo que Santa Catarina exporta já é produto industrializado, não matéria-prima bruta.

A herança dos imigrantes que plantou a semente industrial

Blumenau / SC
imagem: Marcelo Martins

A história da indústria de Santa Catarina começa entre 1860 e 1880, com a chegada de grandes contingentes de imigrantes alemães, italianos e austríacos, principalmente no Vale do Itajaí e no norte do estado.

Esses imigrantes receberam pequenas propriedades e trouxeram consigo ofícios técnicos ligados à tecelagem, marcenaria, metalurgia e mecânica básica, criando desde cedo uma estrutura produtiva que não dependia de grandes capitais ou do governo central.

Essa herança técnica gerou um modelo de industrialização orgânico e descentralizado, baseado em oficinas familiares, produção artesanal e reinvestimento contínuo.

Diferentemente do que aconteceu no restante do país, Santa Catarina não esperou por um plano estatal para se industrializar a indústria nasceu da base, impulsionada por comunidades que sabiam fabricar coisas e precisavam produzir para sobreviver.

O têxtil do Vale do Itajaí que se tornou referência nacional

O primeiro setor industrial a se estruturar de forma consistente em Santa Catarina foi o têxtil, a partir da década de 1880. Empresas como Hering, Karsten e Döhler surgiram nesse período em cidades como Blumenau e Brusque, inicialmente produzindo tecidos básicos e artigos domésticos para o mercado regional.

Ao longo das primeiras décadas do século XX, essas empresas passaram a investir em fiação, tecelagem e acabamentos integrados, reduzindo a dependência de fornecedores externos e ganhando escala.

Entre os anos 1930 e 1950, o Vale do Itajaí já era o principal polo têxtil do sul do Brasil. Milhares de pequenas confecções orbitavam em torno das grandes tecelagens, formando uma cadeia completa com fornecedores de máquinas, manutenção e mão de obra especializada.

Esse ecossistema produtivo é um dos motivos pelos quais Santa Catarina mantém relevância no setor até hoje, mesmo diante da concorrência asiática que desestruturou polos têxteis em outras regiões do país.

Joinville e Jaraguá do Sul: o berço da metalmecânica catarinense

Enquanto o Vale do Itajaí se consolidava no têxtil, o norte de Santa Catarina começou a desenvolver um perfil industrial voltado à metalurgia e à mecânica a partir dos anos 1940 e 1950.

A WEG, fundada em 1961 em Jaraguá do Sul como fabricante de motores elétricos de baixa potência, é hoje uma das maiores empresas de equipamentos elétricos do mundo e símbolo do potencial da indústria catarinense.

A Tupy, em Joinville, se consolidou no mesmo período como grande fundição de ferro para autopeças e componentes industriais. A Schulz, fundada em 1963, cresceu na produção de compressores de ar.

O diferencial dessa região foi a especialização em produtos técnicos de engenharia pesada, com alto grau de padronização e exigência de qualidade, o que facilitou a entrada dessas empresas em cadeias globais de fornecimento décadas mais tarde. Joinville, com suas centenas de indústrias, constitui hoje o maior parque industrial de Santa Catarina.

Agroindústria no oeste e cerâmica no sul completam o mosaico

imagem: JBS

No oeste catarinense, a industrialização seguiu outra lógica. A base é agrícola, com pequenas propriedades e produção familiar que se integrou a cooperativas e frigoríficos a partir dos anos 1950.

A Sadia expandiu fortemente suas operações na região nas décadas de 1950 e 1960, a Perdigão cresceu como grande processadora de carnes e a Aurora reuniu várias cooperativas regionais a partir de 1969. Esse modelo de integração entre indústria e produtor rural permitiu ganho de escala, padronização sanitária e capacidade exportadora, transformando a região em um dos principais polos de proteína animal do país.

No sul de Santa Catarina, especialmente na região de Criciúma, a indústria cerâmica nasceu da base carbonífera e da disponibilidade de argila. Empresas como Eliane e Portobello cresceram investindo em automação, design e tecnologia de produção.

Nos anos 1990 e 2000, o polo cerâmico do sul catarinense já exportava para dezenas de países, competindo diretamente com produtores italianos e espanhóis uma conquista notável para uma indústria que nasceu em uma região de mineração de carvão.

O modelo que explica a resiliência industrial de Santa Catarina

Um ponto comum entre os diferentes polos industriais do estado é o modelo de crescimento orgânico e familiar, com baixo nível de endividamento e reinvestimento contínuo em capacidade produtiva. A maior parte das grandes empresas de Santa Catarina não cresceu por meio de aquisições financiadas por incentivos estatais, mas por expansão de plantas, aumento de portfólio e melhoria constante de processos internos.

Esse modelo resulta em empresas mais resilientes a crises, com forte domínio técnico e menor dependência de ciclos de crédito.

Santa Catarina construiu, sem um grande plano centralizado, o que especialistas como Michael Porter descrevem como clusters produtivos regiões onde diferentes setores compartilham fornecedores, mão de obra qualificada e conhecimento técnico, formando ecossistemas mais competitivos e menos vulneráveis a choques específicos.

Quando um setor desacelera, outro sustenta parte da economia, e é por isso que o estado mantém quase 23% dos empregos formais na indústria, contra cerca de 13% na média nacional.

Tecnologia e logística ampliam as vantagens competitivas

Nas últimas décadas, Santa Catarina também passou a desenvolver um polo relevante de indústria tecnológica, especialmente na região de Florianópolis, gerando milhares de novos empregos qualificados.

O estado reúne um dos maiores ecossistemas de startups do país fora do eixo Rio-São Paulo, com empresas de software, automação, hardware e serviços digitais conectados diretamente às cadeias produtivas já existentes em manufatura, logística, energia e construção.

A logística é outro trunfo. O porto de Itajaí, que se consolidou como porto de contêineres a partir dos anos 1970 e 1980, fica próximo dos principais polos industriais do estado.

Essa proximidade entre fábricas e porto reduz custos e facilita a exportação de produtos industrializados, algo pouco comum no padrão brasileiro, que é historicamente mais voltado para commodities.

A malha rodoviária estadual conecta os polos produtivos diretamente ao litoral, reforçando a competitividade logística que ajuda a explicar por que Santa Catarina exportou 6,6 bilhões de dólares em manufaturados em um único ano.

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Com informações do canal Curioso Mercado.

E você, sabia que Santa Catarina tinha uma indústria tão diversificada? Qual polo industrial do estado mais chamou sua atenção? Deixe sua opinião nos comentários.

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Anderson
Anderson
30/03/2026 17:45

Eu moro no melhor estado do Brasil, aliás, se não pertencesse ao Brasil, seríamos uma dos países mais ricos do mundo.

Aloisio Francisco Jacoby
Aloisio Francisco Jacoby
29/03/2026 18:54

Meus bisavós imigraram da Alemanha.
Pobres porém disciplinados e trabalhadores competentes. Meu tio-avô foi um dos fundadores da WEG.

Pedro erlo
Pedro erlo
29/03/2026 17:12

SANTA CATARINA ABENCOADA APARTIR DA ESCOLHA DO NOME ASSIM COMO SAO PAULO ESPÍRITO SANTO DEUS RETRIBUE AOS QUE SE PÕE SOBRE SEU JUGO . QUEM COMO DEUS?

Manoel Cruz
Manoel Cruz
Em resposta a  Pedro erlo
29/03/2026 21:29

Que INSANIDADE!

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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