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Com a maré entrando nas casas e uma comunidade inteira espremida em uma ilha minúscula, Pugad tenta sobreviver ao afundamento do solo na Baía de Manila, nas Filipinas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 17/01/2026 às 15:32
Assista o vídeoIlha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.
Ilha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.
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Água avançando pelas portas durante a maré alta transforma a ilha de Pugad em um caso extremo de adaptação humana, onde moradias, economia local e serviços básicos convivem com alagamentos frequentes e o rebaixamento gradual do solo na Baía de Manila.

Com a água avançando pelas portas durante a maré alta e transformando ruas em extensões do mar, a ilha de Pugad, na Baía de Manila, tornou-se um exemplo extremo de como fatores geográficos e estruturais moldam o cotidiano de uma comunidade inteira.

Administrativamente ligada ao município de Hagonoy, na província de Bulacan, a ilha concentra moradias e pequenos comércios em um espaço reduzido, onde a convivência diária ocorre sob a ameaça constante de alagamentos e do rebaixamento gradual do solo.

Ocupação compacta e circulação limitada

Vista de cima, Pugad aparece como um bloco compacto de telhados encostados, passagens estreitas e áreas comuns comprimidas entre as casas.

Não há ruas convencionais, apenas caminhos que, em determinados momentos do dia, ficam parcialmente submersos.

Quando a maré sobe, a circulação passa a depender de tábuas elevadas, passarelas improvisadas e pequenas embarcações, alterando completamente a dinâmica do lugar.

Alagamentos como parte da vida cotidiana

O avanço da água não é um evento ocasional, mas parte da rotina.

Reportagens internacionais registraram moradores retirando água do interior das casas com baldes e recipientes simples, repetindo o processo sempre que o nível do mar se eleva.

Em um ambiente já limitado por espaço físico e recursos financeiros, a necessidade de lidar constantemente com alagamentos redefine o uso de cada cômodo e impõe adaptações permanentes às residências.

Ilha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.
Ilha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.

Impacto direto sobre serviços essenciais

A interferência da maré afeta também serviços essenciais.

A escola local, por exemplo, precisa ajustar seus horários conforme a previsão do nível da água, para reduzir a exposição de crianças a alagamentos recorrentes.

A organização do dia a dia passa a depender não apenas de compromissos e trabalho, mas do comportamento do mar, que dita quando é possível circular com segurança pela ilha.

Estratégias improvisadas para conter a água

A resposta mais comum dos moradores ao avanço da água é elevar o que for possível.

Casas construídas sobre estacas, pisos levantados com materiais reaproveitados e móveis posicionados em níveis mais altos tornaram-se soluções frequentes.

Pequenos comerciantes improvisam balcões elevados para proteger mercadorias quando a água invade os espaços.

Em áreas externas, sacos de areia e barreiras temporárias tentam conter a maré, ainda que apenas de forma parcial.

Afundamento do solo agrava a vulnerabilidade

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Além da elevação do nível do mar, Pugad enfrenta um problema menos visível, mas igualmente decisivo: o afundamento do solo.

Estudos citados por veículos internacionais apontam que partes da província de Bulacan apresentam taxas elevadas de subsidência, fenômeno associado à extração intensa de água subterrânea e à compactação dos sedimentos.

Em algumas áreas, o rebaixamento do terreno chega a quase 11 centímetros por ano, um ritmo considerado alto para uma região costeira densamente ocupada.

Dados acadêmicos confirmam a subsidência

Pesquisadores da Universidade das Filipinas em Diliman, com base em análises de monitoramento entre 2014 e 2020, identificaram Bulacan como a área com a maior taxa de subsidência entre diversas regiões estudadas no país.

Segundo a universidade, fatores como urbanização acelerada, consumo excessivo de água subterrânea, características geológicas locais e processos naturais de compactação contribuem para o afundamento do solo, ampliando a vulnerabilidade a inundações.

Cada centímetro faz diferença em uma ilha baixa

Em uma ilha baixa como Pugad, cada centímetro perdido pelo terreno faz diferença.

O rebaixamento do solo facilita a entrada da água do mar em áreas que antes permaneciam secas e reduz a eficácia de elevações feitas pelos próprios moradores.

O que antes era uma solução temporária passa a exigir ajustes constantes, criando um ciclo de obras improvisadas e novos alagamentos.

Pressão regional e uso intensivo de recursos

O contexto regional amplia o desafio.

Bulacan abriga zonas residenciais e industriais que demandam grandes volumes de água, segundo avaliações acadêmicas.

Ilha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.
Ilha de Pugad enfrenta marés frequentes e afundamento do solo na Baía de Manila, afetando moradia, economia local e serviços básicos.

Mesmo com restrições oficiais à extração de água subterrânea, em vigor há anos em partes da província, os efeitos acumulados continuam sendo sentidos, sobretudo em áreas próximas ao litoral, onde a maré já exerce pressão contínua sobre o território.

Economia local limita alternativas de saída

A dimensão econômica ajuda a explicar por que muitos moradores permanecem na ilha.

Pugad integra uma região onde a pesca e atividades ligadas ao ambiente costeiro sustentam grande parte da população.

Deixar o local significaria romper com redes de trabalho e renda construídas ao longo do tempo, além de enfrentar custos elevados para se estabelecer em outras áreas.

Para muitas famílias, a escolha não se resume a permanecer ou sair, mas a tentar se adaptar a um cenário cada vez mais instável.

Reconhecimento oficial do avanço do mar

Autoridades ambientais filipinas já reconheceram publicamente que a elevação do nível do mar afeta diversas regiões do país, e avaliações oficiais indicam que esse processo pode se intensificar.

Em Pugad, essas projeções se traduzem em água dentro das casas, rotinas redefinidas e um esforço constante para manter atividades básicas funcionando em um espaço cada vez mais vulnerável.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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