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Com 70 mil pacotes por dia e receita secreta, Doritos surgem de milho cozido, fritura a 182 °C e tambor de tempero que cria o sabor famoso no mundo todo

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 16/11/2025 às 20:03
Assista o vídeoVeja como os Doritos transformam milho em massa, passam por forno e fritura controlada, recebem temperos na fábrica e chegam na embalagem com crocância perfeita.
Veja como os Doritos transformam milho em massa, passam por forno e fritura controlada, recebem temperos na fábrica e chegam na embalagem com crocância perfeita.
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Com 70 mil pacotes produzidos por dia, os Doritos saem de grãos de milho cozidos, passam por forno a 340 ºC, fritura a 182 ºC e por um tambor de tempero com receita secreta que ajuda a criar o sabor famoso no mundo todo.

Os Doritos são um dos salgadinhos mais vendidos do mundo, com vendas anuais que passam de 4 bilhões de dólares e presença constante em prateleiras, festas e lanches rápidos. Por trás de cada triângulo crocante existe um processo industrial preciso, que começa ainda no campo, passa por cozimento controlado, moagem em pedras giratórias, forno a altas temperaturas e termina em uma linha automatizada de embalagem.

Ao longo de cada etapa, tempo, temperatura e umidade são medidos com rigor para garantir que todos os pacotes de Doritos entreguem a mesma textura, o mesmo formato e o mesmo sabor marcante. Do milho colhido em grande escala até o pacote cheio de nitrogênio que chega ao consumidor, o salgadinho mistura engenharia de alimentos, automação e uma mistura de tempero que permanece protegida como segredo de fábrica.

Doritos nascem de uma ideia para reaproveitar tortilhas

Antes de se tornarem um fenômeno global, Doritos surgiram de uma solução simples para aproveitar tortilhas que seriam descartadas em um restaurante em San Diego, na Califórnia, na década de 1960. Um executivo de marketing viu potencial naquelas tortilhas crocantes, quebradas ou fora do padrão de venda, e decidiu transformar o desperdício em produto.

A proposta foi cortar as tortilhas em triângulos, fritar e temperar. O nome Doritos deriva de uma palavra espanhola ligada à ideia de “dourado” e “pequenos pedaços de ouro”, referência direta à cor e ao tamanho dos chips.

Em 1988, os Doritos já eram o chip mais vendido do mundo, posição que continuou a ser reforçada com o lançamento de cerca de 10 sabores diferentes ao longo do tempo.

Do campo à fábrica de salgadinhos

Diferentemente das batatas fritas clássicas, Doritos têm como base a farinha de milho, o que começa por uma colheita em larga escala. As espigas são cortadas cuidadosamente das plantas, com um corte limpo para evitar danos aos grãos.

A capacidade de colheita chega a aproximadamente 140 toneladas de milho por dia, volume suficiente para abastecer a planta industrial.

Depois de colhidas, as espigas são levadas para recipientes e, quando esses recipientes enchem, o conteúdo segue em caminhões diretamente para a etapa de processamento.

O fornecedor limpa e seca os grãos em peneiras vibratórias, removendo poeira, pedras e areia. Em seguida, o teor de umidade é ajustado até cerca de 14 por cento, ponto considerado crucial para o desempenho do milho nas etapas seguintes da produção.

Cozimento, imersão e remoção das cascas do milho

Em seguida, os grãos chegam à fábrica de salgadinhos, que recebe por volta de 45 toneladas de milho por dia. O milho seco é transferido de grandes silos de armazenamento para caldeiras onde é cozido em água, somando mais de 65 toneladas de matéria-prima em processamento.

As caldeiras trabalham em temperatura próxima ao ponto de ebulição, com agitadores que garantem distribuição uniforme de calor.

Depois desse primeiro cozimento, o milho segue para 18 tanques abertos, onde fica de molho por cerca de meio dia, com cada caldeirão comportando em torno de 300 quilos de milho e 90 litros de água. O milho é cozido a aproximadamente 93 ºC por alguns minutos e, em seguida, permanece em imersão por cerca de 12 horas.

O processo continua durante a noite em tanques maiores, permitindo que o grão absorva mais umidade, amoleça e solte a casca externa. A máquina então filtra essa envoltura, deixando apenas o milho macio e hidratado, com teor de umidade próximo a 45 por cento, pronto para ser moído.

Moagem, massa de milho e formato triangular dos Doritos

Com o milho hidratado, começa a fase em que Doritos ganham a base de massa que será transformada em chips. Os grãos são novamente limpos e passam por pedras giratórias que os moem até virar uma pasta homogênea. Durante a moagem, água é adicionada para alcançar a consistência correta da massa de milho.

Essa massa deixa o moinho em forma de lâmina fina e segue para rolos de metal que a transformam em uma fita contínua. Em seguida, um terceiro rolo entra em ação, com cortadores triangulares embutidos na superfície. É ali que aparece o formato clássico dos Doritos.

A máquina é capaz de cortar cerca de 6 mil chips por minuto, ultrapassando 8 milhões de unidades em 24 horas, que seguem por esteiras transportadoras até a próxima etapa, o forno de alta temperatura.

Forno a 340 ºC cria bolhas e textura irregular

Antes da fritura, os Doritos passam por um forno que pode chegar a 340 ºC, dividido em três níveis. O tempo de permanência é curto, em torno de 16 segundos, apenas o suficiente para secar a massa na medida certa, firmar os triângulos e evitar que se quebrem quando manipulados depois.

Nesse momento, o calor captura pequenas bolsas de umidade dentro da massa, que se transformam em vapor e formam bolhas internas. São essas bolhas que deixam a superfície dos Doritos irregular, com aquela textura característica que o consumidor reconhece ao olhar e ao morder.

Após o forno, os chips passam por um trecho de resfriamento em esteiras e essa pausa também permite que inspetores retirem unidades queimadas ou fora de padrão antes da entrada na fritadeira.

Fritura a 182 ºC garante cor e crocância dos Doritos

Da área de resfriamento intermediária, os Doritos seguem em esteira até a fritadeira, onde o óleo está a cerca de 182 ºC. Os chips ficam em fritura por aproximadamente 55 segundos, tempo calculado para atingir cor dourada e crocância, sem encharcar a massa de óleo.

As bolhas visíveis em um Doritos pronto são bolsões de ar aprisionados na massa, definidos durante essa fritura rápida. Ao saírem do óleo, os salgadinhos sobem por uma esteira que drena o excedente, devolvendo o óleo para a fritadeira.

Terminado esse processo, a estrutura do chip está praticamente finalizada. Falta ainda a etapa que define o sabor e transforma o triângulo de milho em Doritos com gosto facilmente reconhecível.

Tambor de tempero e receita secreta dos Doritos

Após a fritura, os chips entram em um tambor especial, responsável por aplicar o condimento. É nesse tambor que Doritos recebem a mistura de tempero tratada como segredo industrial, combinando ingredientes como queijo cheddar, queijo parmesão, especiarias, realçadores de sabor como o glutamato monossódico e conservantes que prolongam a vida útil do produto.

Para que o tempero grude bem, bicos pulverizam óleo de canola sobre a superfície dos salgadinhos. Enquanto giram dentro do tambor, os Doritos se chocam suavemente entre si, o que ajuda a misturar e distribuir o condimento, mas sem quebrar os chips.

Esse movimento constante garante cobertura uniforme e cria o sabor intenso e padronizado que faz o consumidor associar imediatamente o gosto ao nome Doritos.

Resfriamento, embalagem com nitrogênio e chegada ao consumidor

Depois de temperados, os Doritos percorrem uma esteira de cerca de 30 metros para resfriamento completo antes da embalagem. Essa etapa é importante para evitar que o calor residual afete o material do pacote ou altere a textura crocante do produto.

Na área de embalagem, tremonhas direcionam os salgadinhos para diferentes máquinas. Cada linha conta com 14 básculas em forma de cubo, que pesam com precisão a quantidade de Doritos que vai em cada pacote.

Quando o peso correto é atingido, uma comporta se abre e os salgadinhos caem sobre uma tira de alumínio e plástico que está sendo moldada em formato de embalagem.

Enquanto o pacote é formado, um sistema de termosselagem fecha a parte superior de um pacote e a inferior do próximo ao mesmo tempo, otimizando o ritmo da linha.

Durante esse processo, é introduzido nitrogênio e o oxigênio é retirado do interior, o que ajuda a conservar o produto por mais tempo e cria a bolsa de ar que funciona como amortecedor contra quebras.

O resultado é um pacote selado, com Doritos crocantes e íntegros, pronto para seguir das caixas de expedição para as prateleiras.

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Depois de ver todo esse caminho, qual parte da produção dos Doritos mais te surpreendeu e por quê?

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WVM
WVM
17/11/2025 09:49

Muito top, mas o produto deveria ter um preço mais acessível…

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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