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Com 6 mil metros, 2 metros de profundidade e laje de 2 metros, o muro subterrâneo na Praia Central entra como nova tentativa de segurar o avanço do mar em Balneário Camboriú, depois do alargamento da areia e de uma macrodrenagem cara que não entregou o efeito esperado até 2026

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 13/02/2026 às 17:38 Atualizado em 13/02/2026 às 17:39
Em Balneário Camboriú, o muro na Praia Central busca reduzir erosão e o avanço do mar com obra subterrânea de 6 mil metros; veja custos, prazos e impactos na orla.
Em Balneário Camboriú, o muro na Praia Central busca reduzir erosão e o avanço do mar com obra subterrânea de 6 mil metros; veja custos, prazos e impactos na orla.
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Muro em Balneário Camboriú vira teste silencioso: Prefeitura cita avanço do mar na Praia Central, fala em erosão e drenagem, mas o detalhe subterrâneo de 6 mil metros, custo e prazo expõe quem paga, quem ganha agora e por quê

A Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú iniciou a construção de um muro subterrâneo na Praia Central com um objetivo direto: reduzir o impacto do avanço do mar sobre a faixa de areia e sobre a infraestrutura da orla. O projeto prevê 6 mil metros de extensão e orçamento estimado em R$ 31 milhões, já com materiais e mão de obra.

Na prática, a obra se apoia em engenharia costeira e em drenagem urbana ao mesmo tempo. A cidade mais cara do Brasil, que lidera o ranking de preço médio do metro quadrado segundo levantamento do FipeZAP, tenta responder a um aumento de alagamentos pós alargamento da areia, sem admitir que a solução pode mudar o comportamento do litoral e redistribuir riscos.

O que está sendo construído sob a Praia Central

Em Balneário Camboriú, o muro na Praia Central busca reduzir erosão e o avanço do mar com obra subterrânea de 6 mil metros; veja custos, prazos e impactos na orla.

O muro descrito pela prefeitura é um elemento de contenção subterrâneo, implantado entre a faixa de areia e a orla, com 2 metros de profundidade e uma laje inferior de 2 metros de largura.

Em vez de aparecer como barreira visível, o muro opera abaixo do nível onde a água circula e onde a areia se reorganiza, buscando estabilizar o trecho e reduzir a erosão associada a ressacas e a marés mais altas.

Do ponto de vista operacional, a promessa é dupla.

O muro tenta limitar a migração de sedimentos e a perda de areia por processos erosivos, ao mesmo tempo em que cria uma defesa adicional para a estrutura urbana, incluindo calçadas, vias e acessos.

Quando o muro é subterrâneo, ele não resolve a energia das ondas, mas pode alterar por onde a água infiltra e por onde a areia se desloca.

Por que o avanço do mar virou urgência em Balneário Camboriú

Em Balneário Camboriú, o muro na Praia Central busca reduzir erosão e o avanço do mar com obra subterrânea de 6 mil metros; veja custos, prazos e impactos na orla.

Balneário Camboriú vive um paradoxo típico de áreas litorâneas muito valorizadas: quanto mais a orla concentra imóveis, comércio e circulação, menor é a tolerância a interrupções por alagamento e por instabilidade da praia.

A prefeitura associa a decisão ao avanço do mar e à erosão, mas o gatilho imediato relatado é o aumento da frequência de alagamentos na região da orla.

Esse quadro ganhou peso após o alargamento da faixa de areia, que levou a Praia Central para cerca de 70 metros de extensão.

O alargamento melhora a área útil para banho e lazer, porém exige que drenagem, escoamento e dinâmica de sedimentos sejam recalibrados.

Em cidades como Balneário Camboriú, uma intervenção na areia muda o caminho da água de chuva e muda o ponto onde a energia das ondas encontra a praia.

O detalhe invisível entre drenagem e erosão

A prefeitura já havia executado uma obra de macrodrenagem orçada em R$ 53 milhões, mas a avaliação local é que o resultado não foi o esperado.

A nova estratégia combina a lógica de drenagem com uma barreira física que tenta controlar o avanço do mar por baixo, como se a praia ganhasse uma segunda linha de defesa.

Esse é o ponto em que o detalhe invisível decide tudo: a interface entre água, areia e estruturas enterradas.

Se o muro for implantado sem integração com a drenagem e sem controlar os pontos de saída de água, ele pode apenas deslocar o problema, concentrando pressão em trechos vizinhos.

Na engenharia costeira, controlar erosão é tão importante quanto evitar a erosão transferida, quando o impacto aparece alguns quarteirões adiante e não no lugar da obra.

Quanto custa, quem paga e quem fica de fora

O custo estimado de R$ 31 milhões é público, e o cronograma projetado é de até 20 meses para entrega total do muro.

Em termos de política urbana, isso significa que a cidade coloca dinheiro de impostos em uma infraestrutura que protege ativos privados altamente valorizados, em uma orla onde o preço médio do metro quadrado foi citado em R$ 14.906 no levantamento mencionado.

A tensão não está apenas no valor, mas na distribuição do benefício e do risco.

O muro protege a Praia Central, onde a densidade de prédios e serviços é maior, enquanto outras praias e bairros podem continuar dependentes de soluções mais simples, como manutenção de drenagem, limpeza de bocas de lobo e intervenções pontuais.

Quando a prioridade vira a orla mais cara, a pergunta técnica se mistura com a pergunta social: quais áreas entram no mapa de proteção e quais ficam para depois.

O que define se o muro vira solução ou mais um ciclo de obra

A eficácia do muro depende de variáveis que não aparecem em fotos de canteiro: regularidade de manutenção, integração com drenagem existente e resposta do sistema praia após eventos extremos.

Mesmo uma barreira bem executada precisa lidar com água subterrânea, com infiltração e com a forma como a areia recompõe a superfície depois de ressacas.

Também pesa a transparência da medição.

Se a prefeitura não publicar indicadores simples, como frequência de alagamentos na Praia Central, pontos críticos de erosão e custos de manutenção, a discussão vira apenas percepção.

Sem monitoramento, o muro pode parecer solução por alguns meses e virar dúvida quando o avanço do mar voltar a pressionar a faixa de areia.

Balneário Camboriú escolheu um muro subterrâneo como resposta técnica e política ao avanço do mar na Praia Central, com a promessa de reduzir erosão e dar previsibilidade à orla.

O desenho e o custo deixam claro que a cidade trata a praia como infraestrutura crítica, não apenas como paisagem, e que aceita pagar por uma defesa de longo prazo.

A pergunta que fica é como esse modelo será replicado, fiscalizado e comparado com alternativas, especialmente depois de um ciclo recente de alargamento de areia e macrodrenagem que não entregou o efeito esperado.

Se o muro funcionar, ele vira referência; se falhar, ele vira alerta sobre como obras costeiras podem transferir riscos em vez de eliminar o problema.

Na sua visão, esse tipo de obra contra o avanço do mar em Balneário Camboriú deveria ser prioridade pública, e qual detalhe você acha que decide o resultado: drenagem, manutenção ou o próprio muro?

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Mara Regina de Souza
Mara Regina de Souza
17/02/2026 16:17

Não se brinca com a natureza !!! Não investiria um centavo nesse lugar

Luiz
Luiz
16/02/2026 20:02

Aposto que quem fez 9 projeto não entende nada de engenharia costeira. Mesmo sem ver o projeto, é conceito básico da faixa dinâmica da praia de move muito ao longo do ano, dependendo das ressacas. Se em algum momento uma ressaca ou uma sequência de ressaca, descobri parcialmente o muro, ele passa a jogar contra, refletindo a ondas e amplificando o efeito de erosão. Chance de dar errado e de 90%. Não vejo tb que o engordamento não tenha n sido satisfatório. Não vejo nenhuma evidencia disso. Isso todo soa mais como narrativa pra emplacar uma obra cara por interesses políticos

Roberto freitas
Roberto freitas
16/02/2026 18:28

Eu acho que essas obras são assalto aos cofres publicos

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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