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Com 54 anos, o pai que vive isolado no sítio com a esposa e filhas gerencia plantações de orgânicos, criação de animais, horta familiar e transforma caos urbano, vida simples e sítio remoto em um paraíso próprio

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/11/2025 às 22:29
Assista o vídeoFamília troca Curitiba por sítio no sul de Minas e organiza rotina com agricultura orgânica, criação de animais e vida rural autossuficiente. (Imagem: ilustração)
Família troca Curitiba por sítio no sul de Minas e organiza rotina com agricultura orgânica, criação de animais e vida rural autossuficiente. (Imagem: ilustração)
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Família abandona vida urbana e organiza rotina em sítio no sul de Minas, onde cultivos orgânicos, criação de animais e isolamento moldam o dia a dia.

Em uma área rural de Delfim Moreira, no sul de Minas Gerais, o paranaense Marinaldo Pegoraro, 54 anos, conduz o Sítio Serra Dourada ao lado da esposa, Cilmara, e das duas filhas adolescentes, entre elas Roberta, hoje com 12 anos.

A família deixou um apartamento em Curitiba há cerca de uma década e reorganizou a rotina a partir de plantações orgânicas, criação de animais e de uma horta que abastece a própria casa, em um modelo de vida mais afastado dos centros urbanos.

A mudança foi concluída em poucos dias. Em aproximadamente 13 dias, Marinaldo vendeu sua participação em uma empresa do ramo imobiliário, encerrou compromissos na capital e preparou a migração da família.

O apartamento em Curitiba, onde moraram por 11 anos, era descrito por ele como um espaço que limitava a circulação das filhas.

Em depoimento registrado na época, relatou que se sentia impactado por fatores como violência urbana e desigualdade social, apontados por especialistas como questões que influenciam decisões de famílias que buscam locais com menor densidade populacional.

A intenção, segundo afirmou, era substituir a rotina do setor imobiliário por atividades ligadas ao manejo direto da terra.

Produção orgânica no sul de Minas mostra rotina de cultivos como oliveiras e morangos em propriedade familiar. (Imagem: ilustração/ IA)
Produção orgânica no sul de Minas mostra rotina de cultivos como oliveiras e morangos em propriedade familiar. (Imagem: ilustração/ IA)

Cultivo orgânico e rotina do sítio

No sítio, a rotina começa cedo. Marinaldo e Cilmara dividem os cuidados com as oliveiras, os morangos e as hortaliças, cultivados sem uso de agrotóxicos.

A irrigação dos talhões de oliveiras e o preparo dos canteiros de morango exigem atenção constante, adaptados ao relevo característico da Mantiqueira.

A horta central da propriedade mantém variedades de verduras como alface, tomate e couve.

Galinhas e animais de pequeno porte complementam o sistema produtivo, fornecendo ovos e insumos para adubação.

As filhas acompanham parte do processo. Roberta aprendeu a colher morangos e a cuidar dos animais, prática comum entre famílias que vivem de agricultura familiar, segundo pesquisadores da área.

O excedente de alimentos é aproveitado para conservas ou trocas com vizinhos da região.

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Clima, desafios e adaptação agrícola

A adoção de práticas orgânicas exigiu ajustes. O clima da Mantiqueira alterna períodos de chuvas e estiagem, afetando a produtividade das culturas.

As oliveiras, instaladas em áreas inclinadas, demandam métodos de manejo para evitar erosão.

Marinaldo relata que os investimentos iniciais em mudas, ferramentas e estrutura demoraram a apresentar retorno, cenário também observado em estudos sobre agricultura orgânica de pequena escala.

Apesar dos desafios, o sítio alcançou autossuficiência parcial em alimentos.

Hortaliças, morangos e ovos fazem parte da alimentação diária, enquanto as azeitonas colhidas são processadas manualmente.

A primeira safra, em 2014, simbolizou para a família o início de um novo ciclo, segundo relatou o produtor na época.

Isolamento geográfico e rotina de serviços

A distância dos centros urbanos é um componente desse modo de vida. Delfim Moreira fica a cerca de 470 quilômetros de Belo Horizonte por rodovia.

Em áreas rurais como essa, segundo análises de geógrafos e urbanistas, o acesso a serviços de saúde e educação costuma depender de deslocamentos mais longos.

A família realiza viagens periódicas para consultas e compromissos. As filhas estudam em escolas da região, que seguem currículos adequados à realidade local.

Para complementar a renda, Marinaldo ainda realiza consultorias pontuais no setor imobiliário.

A rotina no sítio reduz gastos com deslocamento urbano e compras frequentes em supermercados, conforme relatado por ele.

Outras famílias que seguiram o mesmo caminho

Transformações semelhantes foram registradas em diferentes estados. Em Piatã, na Chapada Diamantina (BA), a fotógrafa e jornalista Manuella Melo Franco narrou em seu blog a mudança para uma fazenda com o companheiro e os filhos, após vender bens materiais.

Em Piracaia (SP), a publicitária Giuliana Capello passou a viver na Ecovila Clareando, comunidade conhecida por práticas de permacultura e sustentabilidade, citada em estudos acadêmicos sobre ecovilas brasileiras.

Agricultura orgânica no contexto nacional

Alimentação do sítio é abastecida por hortaliças, ovos e produtos colhidos diretamente da horta. (Imagem: ilustração/ IA)
Alimentação do sítio é abastecida por hortaliças, ovos e produtos colhidos diretamente da horta. (Imagem: ilustração/ IA)

No campo da agricultura orgânica, o Sítio Serra Dourada integra um segmento que ainda representa pequena parcela da área agriculturável do país, conforme pesquisas divulgadas pela Embrapa.

A instituição aponta avanço gradual da agroecologia e da produção orgânica, com destaque para propriedades familiares e iniciativas em regiões serranas, onde a diversificação de cultivos e o manejo de nascentes são práticas recorrentes.

No sul de Minas, iniciativas municipais ligadas ao turismo rural e à produção de orgânicos incluem propriedades que, como o Sítio Serra Dourada, adotam manejo agrícola adaptado ao relevo.

Relatórios técnicos mencionam o uso de talhões em nível para conter erosão e a integração de animais de pequeno porte como estratégia para fertilização natural.

Permanência no campo e projeto de longo prazo

Em depoimentos recentes, Marinaldo afirma que trabalhar na terra e acompanhar o ambiente natural da região se tornou parte central do cotidiano da família.

O Sítio Serra Dourada, segundo ele, consolidou-se como um projeto de longo prazo baseado na combinação entre agricultura orgânica, criação de animais e permanência em uma área rural.

Diante desse cenário, fica a questão: qual seria o impacto de uma mudança semelhante na rotina de quem vive hoje nas grandes cidades?

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Alaíde.
Alaíde.
28/11/2025 19:25

Viv isolados? Sem luz eletrica?
Parem de romantizar! E outra, o MST tanbem cultiva varios ptodutos organicos.
Se viem isolados, imagine os trabalhadores rurais assalariados qur moram no centro oeste?

Rosana Guedes
Rosana Guedes
28/11/2025 07:41

Muito legal. Meu irmão vive com a família numa fazenda em RS e são auto suficientes em alimentação, só compram arroz e feijão, o resto todo e plantado e colhido por eles. Ele fabrica os próprios móveis e acessórios, porta papel toalha, porta vinhos, e faz os próprios barracão e obras que a fazenda precisa. Tem fruta e vegetais de todo tipo. Uma lindeza só. Meu sobrinho está sendo criado de uma forma super saudável, lindo de se ver.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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