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Com 25 mil toneladas, 144 metros de comprimento e contrapeso de 1.750 toneladas, China gira uma ponte inteira em 80 minutos com precisão milimétrica monitorada por satélite

Escrito por Ana Alice
Publicado em 22/05/2026 às 23:25
Atualizado em 22/05/2026 às 23:27
Ponte de 25 mil toneladas gira 80 graus na China com precisão milimétrica e monitoramento via BeiDou sobre ferrovia de alta velocidade. (Imagem: Ilustrativa)
Ponte de 25 mil toneladas gira 80 graus na China com precisão milimétrica e monitoramento via BeiDou sobre ferrovia de alta velocidade. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma ponte de milhares de toneladas foi deslocada em uma operação rara de engenharia, com rotação controlada, monitoramento por satélite e precisão suficiente para alinhar a estrutura sobre uma área ferroviária em funcionamento.

Uma ponte de cerca de 25 mil toneladas concluiu uma rotação milimétrica na madrugada de 8 de maio de 2026, em Foshan, na província de Guangdong, no sul da China.

A estrutura faz parte do projeto viário da Lingnan Road, no distrito de Nanhai, e levou cerca de 80 minutos para girar 80 graus no sentido anti-horário até se alinhar ao trecho de acesso previsto.

A operação teve como principal característica o deslocamento controlado de uma estrutura de grande porte sobre uma área ferroviária em funcionamento.

Segundo informações publicadas pelo jornal estatal chinês Science and Technology Daily e por veículos locais, a ponte tem 144 metros de comprimento e cerca de 42 metros de largura.

Fontes regionais apontam peso aproximado de 25,5 mil toneladas, enquanto a CGTN apresentou o número arredondado para 25 mil toneladas.

O giro ocorreu sobre um ponto considerado sensível da malha ferroviária chinesa.

A estrutura cruza linhas de alta velocidade, incluindo as ferrovias Nanguang e Guiguang, em uma região onde a circulação de trens precisava ser preservada.

Para reduzir interferências diretas nos trilhos, a equipe de engenharia montou a ponte ao lado da ferrovia e realizou o deslocamento apenas na etapa final.

Esse tipo de solução é adotado em obras nas quais a construção direta sobre rodovias, ferrovias ou cursos d’água pode aumentar a complexidade operacional.

Nesse modelo, o tabuleiro é erguido em posição lateral ou paralela ao destino definitivo.

Depois, a estrutura inteira gira lentamente sobre um sistema de apoio até atingir o alinhamento planejado.

Rotação de ponte com precisão milimétrica

No projeto da Lingnan Road, o movimento ocorreu de forma contínua e em baixa velocidade.

A ponte avançou gradualmente até completar os 80 graus previstos no projeto e se conectar ao trecho de aproximação.

A precisão do encaixe dependia do controle simultâneo de peso, velocidade, atrito e posição.

A manobra exigiu acompanhamento técnico durante todo o processo.

Em uma estrutura com dezenas de milhares de toneladas, variações pequenas de equilíbrio ou resistência podem afetar o resultado final.

Por isso, a operação foi monitorada em tempo real, com dados enviados para a equipe responsável pela condução do giro.

O projeto foi descrito pelas fontes chinesas como uma rotação assimétrica e desequilibrada.

Isso ocorreu porque as extremidades da estrutura não tinham a mesma distribuição de peso e comprimento.

Para compensar essa diferença, os engenheiros utilizaram um contrapeso de 1.750 toneladas, elemento central para estabilizar o movimento.

Segundo o Science and Technology Daily, a combinação entre peso total, geometria assimétrica e contrapeso estabeleceu um recorde para pontes do mesmo tipo no sul da China.

A informação se refere à categoria de rotação desequilibrada adotada no projeto, e não a todas as pontes giratórias já construídas no país.

Contrapeso de 1.750 toneladas ajudou no controle da estrutura

Antes da rotação, a equipe responsável realizou simulações digitais e medições estruturais.

Esses procedimentos serviram para calcular parâmetros como momento de desequilíbrio, excentricidade, atrito e resistência ao movimento.

Com os dados definidos, os engenheiros ajustaram o contrapeso e estabeleceram a velocidade de execução.

O objetivo da etapa preparatória era reduzir instabilidades durante o giro.

O controle precisava garantir que a ponte se movimentasse dentro da trajetória prevista e parasse no ponto definido pelo projeto.

A operação também dependia da coordenação com a infraestrutura ferroviária existente, já que o trecho passa sobre linhas de alta velocidade.

A construção foi executada pela China Railway No. 2 Engineering Group, empresa vinculada à China Railway Engineering Corporation, segundo publicações chinesas.

O gerenciamento teve participação de estruturas ligadas ao setor ferroviário de Guangzhou, responsável por parte da coordenação em áreas próximas às linhas em operação.

Além do contrapeso, o projeto incluiu uma estratégia estrutural voltada a reduzir intervenções sobre os trilhos.

O Science and Technology Daily informou que o trecho sobre a ferrovia adotou um ângulo de 10 graus no corpo da viga.

A solução foi usada para evitar uma junta de fechamento em área considerada mais restrita para obras.

Monitoramento com BeiDou na ponte giratória

O acompanhamento da operação utilizou tecnologia ligada ao BeiDou, sistema chinês de navegação por satélite.

De acordo com as informações divulgadas na China, sensores instalados na estrutura coletaram dados sobre a postura da ponte, a distribuição de tensões e a velocidade do giro.

Essas informações foram enviadas em tempo real para o centro de comando.

Com isso, a equipe pôde acompanhar a posição da estrutura durante todo o deslocamento e verificar se o movimento seguia os parâmetros definidos.

O monitoramento visualizado também permitiu observar eventuais variações ao longo da rotação.

O uso de sensores reduziu a dependência de inspeções apenas visuais.

Em uma operação desse porte, a leitura contínua de dados ajuda a orientar ajustes durante o processo.

No caso da ponte da Lingnan Road, a precisão divulgada pelas fontes chinesas foi atribuída à combinação entre sistema de rotação, monitoramento digital e planejamento prévio.

A tecnologia BeiDou já é utilizada em diferentes áreas de infraestrutura na China, incluindo transporte, obras civis e logística.

Na rotação da ponte em Foshan, o sistema foi empregado para apoiar o controle posicional da estrutura e registrar o avanço da operação de forma contínua.

Lingnan Road deve integrar áreas de Foshan

A ponte integra o projeto da Lingnan Road sobre ferrovias, com extensão total aproximada de 1,3 quilômetro.

A via foi planejada com seis faixas nos dois sentidos e velocidade de projeto de 40 km/h.

Quando concluída, a ligação deverá conectar áreas próximas à Qicha Avenue e à Xin’an Road.

A obra também está associada à integração do eixo urbano de Qiandeng Lake, no distrito de Nanhai.

Segundo veículos locais, o projeto busca melhorar a circulação entre áreas separadas pela infraestrutura ferroviária.

Em regiões urbanas densas, trilhos de alta velocidade podem limitar conexões viárias e ampliar deslocamentos entre bairros próximos.

A nova ligação foi planejada para reduzir esse efeito de barreira.

Com a conclusão do trecho sobre a ferrovia, a via deve oferecer uma conexão adicional entre áreas ao norte e ao sul dos trilhos.

A etapa de rotação representou uma fase necessária para posicionar a estrutura sem interromper de forma prolongada a operação ferroviária.

Ainda há etapas complementares antes da entrega plena do projeto, conforme as informações disponíveis.

A rotação, no entanto, consolidou o alinhamento principal da ponte com o trecho de acesso.

A partir desse ponto, os trabalhos passam a depender das fases restantes de acabamento, conexão viária e liberação operacional.

A operação em Foshan mostra como técnicas de rotação podem ser usadas em obras urbanas com restrições de espaço e tráfego.

Em vez de executar todo o serviço diretamente sobre os trilhos, a engenharia desloca a maior parte da construção para uma área lateral e reduz o tempo de intervenção no ponto crítico.

O caso também evidencia o uso crescente de sistemas digitais em grandes obras de infraestrutura.

Sensores, simulações e monitoramento por satélite permitem acompanhar deslocamentos estruturais com maior volume de dados.

Em áreas urbanas atravessadas por ferrovias, esse tipo de solução pode reduzir interferências no transporte durante obras de grande porte.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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