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Com 221 metros de altura e capacidade para trilhões de litros, a represa Hoover ainda guarda um truque que faz a água desafiar a lógica

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 28/03/2026 às 01:16
Atualizado em 07/04/2026 às 10:02
Entenda por que, em dias de vento forte, a água jogada da represa Hoover pode voltar e atingir turistas no próprio rosto.
Entenda por que, em dias de vento forte, a água jogada da represa Hoover pode voltar e atingir turistas no próprio rosto.
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Na represa Hoover, um fenômeno causado por ventos que podem superar 80 km/h no Black Canyon faz a água lançada da borda subir de volta e atingir turistas, em uma cena real que parece desafiar a gravidade e viralizou nas redes

Em certos dias na represa Hoover, uma cena incomum chama a atenção de visitantes: ao tentar jogar água da borda da estrutura, parte do líquido retorna e atinge quem a lançou, em um efeito que parece contrariar a gravidade.

O fenômeno ocorre em condições específicas de vento no Black Canyon e está ligado às características naturais do local e ao funcionamento do fluxo de ar na região.

A represa Hoover é uma barragem de gravidade construída entre 1931 e 1936, com 221 metros de altura. Esse tipo de estrutura depende do próprio peso e da ampla base de concreto para resistir à pressão da água armazenada atrás dela.

Além de sua dimensão, a obra exerce papel central no fornecimento de energia para três estados norte-americanos. Segundo as informações disponíveis, a estrutura pode gerar até 2.080 megawatts para Califórnia, Nevada e Arizona.

Como o vento altera o comportamento da água na represa

O efeito observado por turistas não tem relação com qualquer falha da barragem, mas com a força do vento na região. Doug Hendrix, porta-voz do Bureau of Reclamation, órgão responsável pela gestão da estrutura, afirmou que a área pode registrar ventos bastante fortes e que o cânion frequentemente funciona como um funil.

Em dias especialmente ventosos, a velocidade no Black Canyon pode ultrapassar 80 quilômetros por hora. Quando esse vento atinge a parede do cânion, o ar perde saída lateral e é empurrado para cima, formando uma corrente ascendente.

Fenômeno é conhecido como elevação de crista

Esse movimento do ar recebe o nome de elevação de crista, ou sustentação de encosta. O fenômeno é conhecido por ser aproveitado por praticantes de asa delta e outros planadores sem motor para ganhar altitude.

A Soaring Society of America explica que essa sustentação depende do vento soprando contra montanhas, colinas, penhascos ou cristas. Nessa situação, o fluxo de ar é desviado para cima e, conforme a intensidade, pode subir centenas de metros acima do topo da elevação.

Na represa Hoover, esse processo se forma rapidamente e recebe ajuda adicional do ar mais frio presente acima da água armazenada. O grande volume retido na barragem contribui para a formação dessas condições específicas em determinados dias.

Capacidade da barragem e limite do efeito

Quando cheia, a represa pode armazenar até 9,2 trilhões de galões de água. Mesmo com esse porte, o efeito que faz a água voltar para o rosto de visitantes só acontece quando o vento está forte o suficiente para sustentar o desvio do líquido para cima.

Fora dessas condições, jogar água da borda não produz o mesmo resultado. Em dias mais calmos, o gesto representa apenas o despejo de uma pequena quantidade de água em uma estrutura projetada para lidar com volumes trilionários, sem o impacto visual que tornou a cena popular nas redes sociais.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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