Navio lançado pela Jan De Nul amplia a escala da instalação de cabos submarinos e mostra como estruturas gigantes passam a integrar a expansão da energia eólica offshore em áreas profundas do oceano.
A Jan De Nul lançou o William Thomson, segundo navio de uma dupla projetada para instalar cabos submarinos em águas rasas e ultraprofundas, com operação prevista a até 4.000 metros abaixo da superfície.
Com 215 metros de comprimento e capacidade para transportar 28 mil toneladas de cabos, a embarcação integra uma nova geração de infraestrutura marítima voltada à expansão de redes elétricas offshore, especialmente em projetos ligados à energia eólica no mar.
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O navio é gêmeo do Fleeming Jenkin, lançado em outubro de 2025.
Segundo a empresa belga, os dois estão entre os maiores do tipo já construídos.
A função dessas embarcações é transportar cabos de grande extensão, reduzir a quantidade de emendas no fundo do mar e diminuir a necessidade de retornos frequentes aos portos para recarregamento.
Na prática, esses navios operam como plataformas especializadas no armazenamento e lançamento de cabos submarinos.
Em vez de transportar cargas convencionais, levam estruturas de alta tensão que são desenroladas sobre o leito oceânico para conectar parques eólicos, ilhas energéticas e redes elétricas em terra firme.

Cabos submarinos e energia offshore
A instalação de cabos submarinos passou a ter papel relevante na expansão da geração de energia no mar.
Turbinas eólicas offshore podem produzir grandes volumes de eletricidade, mas essa energia depende de sistemas de transmissão capazes de levá-la até as redes nacionais.
Nesse contexto, entram navios como o William Thomson.
A embarcação foi projetada para acomodar trechos extensos de cabos em uma só peça, o que reduz a quantidade de conexões submarinas.
Cada emenda a menos pode representar menor risco técnico, menos tempo de operação e, segundo a Jan De Nul, melhor qualidade na instalação.
A capacidade de trabalhar a até 4.000 metros de profundidade amplia o alcance de operação para áreas além das regiões costeiras.
Nessas zonas, pressão, relevo irregular e distância da costa tornam a instalação de cabos uma atividade que exige planejamento técnico, equipamentos específicos e controle constante da operação.
Além das dimensões físicas, há uma mudança logística.
Em projetos com menor capacidade de carga, embarcações precisam retornar mais vezes para carregar novos trechos de cabos.
Com 28 mil toneladas de capacidade, a dupla da Jan De Nul pode cobrir distâncias maiores antes de interromper o serviço, o que, segundo a companhia, reduz custos e diminui a pegada ambiental associada à operação.
Como navios gigantes levam energia pelo fundo do mar
Cabos submarinos são uma parte essencial da infraestrutura elétrica offshore.
Eles transportam a energia gerada no mar, conectam plataformas de conversão e permitem que diferentes sistemas nacionais reforcem suas redes.
O primeiro grande trabalho previsto para os navios será no programa 2 GW da TenneT, operadora de rede dos Países Baixos e de grande parte da Alemanha.
O projeto prevê uma nova geração de conexões para parques eólicos offshore, cada uma com capacidade de transportar até dois gigawatts.
Esse volume supera as conexões atuais citadas no programa, que normalmente ficam entre 700 e 900 megawatts.
A própria Jan De Nul compara a escala a uma usina nuclear média, que costuma gerar entre 1 e 1,6 gigawatt.
A referência ajuda a dimensionar a capacidade prevista para uma única conexão offshore de dois gigawatts.
Para esse programa, Fleeming Jenkin e William Thomson deverão instalar mais de 2.800 quilômetros de cabos de corrente contínua de 525 kV, distribuídos em quatro conexões diferentes.
Esse tipo de tecnologia é usado em longas distâncias por permitir o transporte de grandes blocos de energia.
O Fleeming Jenkin tem entrega prevista para o último trimestre de 2026.
Já o William Thomson deve entrar em operação no primeiro semestre de 2027, conforme o cronograma divulgado pela empresa.
Tecnologia naval para transmissão de energia no oceano
A construção de navios desse porte evidencia a escala das obras necessárias para a transmissão de energia offshore.
Enquanto as turbinas eólicas fazem parte da geração, os cabos submarinos são responsáveis por levar a eletricidade até sistemas em terra.
O diretor de cabos submarinos da área de energia offshore da Jan De Nul, Wouter Vermeersch, afirmou que o William Thomson e o Fleeming Jenkin reúnem a experiência acumulada pela companhia em instalação de cabos nos últimos 15 anos.
Segundo ele, os dois navios são os mais eficientes e de maior desempenho no mercado.

A declaração se refere à combinação entre capacidade de carga, sistemas de instalação e experiência técnica da empresa nesse segmento.
Para a Jan De Nul, a ampliação da frota acompanha a demanda por infraestrutura elétrica no mar, impulsionada pelo crescimento de projetos eólicos offshore.
Outro projeto citado para a frota envolve a Princess Elisabeth Island, uma ilha energética artificial na Bélgica.
Em 2028, a Jan De Nul pretende usar um dos novos navios para instalar três cabos de corrente alternada que ligarão a ilha à costa.
A estrutura deverá reunir cabos da segunda zona eólica offshore belga, chamada Princess Elisabeth Zone, e fortalecer a interligação entre países do Mar do Norte.
O projeto é conduzido em parceria para a operadora de rede Elia.
Instalação de cabos a 4.000 metros de profundidade
Instalar cabos submarinos exige mais do que lançá-los no fundo do mar.
A operação envolve controle de tensão, posicionamento preciso e planejamento do trajeto para que a estrutura acompanhe o relevo submarino sem sofrer deformações ou danos.
Em áreas profundas, as condições operacionais se tornam mais exigentes.
A pressão aumenta conforme a profundidade avança, e falhas durante a instalação podem comprometer trechos de alto valor técnico e financeiro.
Por isso, navios especializados combinam sistemas de armazenamento, equipamentos de lançamento e tecnologias de navegação para manter o procedimento dentro dos parâmetros definidos no projeto.
A escala do William Thomson também mostra a dimensão física da infraestrutura energética moderna.
Com 215 metros, o navio tem comprimento superior ao de muitos edifícios altos quando comparado horizontalmente.
Ainda assim, sua atividade depende de deslocamento controlado, monitoramento contínuo e precisão na liberação dos cabos.
Sob o ponto de vista tecnológico, o projeto ilustra como o fundo do mar passou a integrar redes de transmissão elétrica.
A energia gerada por ventos em alto-mar pode atravessar longas distâncias por cabos instalados em regiões de baixa luminosidade, alta pressão e difícil acesso.
A expansão desse tipo de infraestrutura acompanha mudanças no planejamento energético de países costeiros.
Redes elétricas passam a incluir estruturas marítimas, ilhas artificiais, plataformas conversoras e cabos de alta tensão instalados sob o oceano.
O William Thomson ainda não está em operação comercial, mas seu lançamento representa uma etapa no cronograma de ampliação da frota da Jan De Nul para projetos de transmissão offshore.
Quando começar a trabalhar, a embarcação deverá atuar em obras que conectam parques eólicos, ilhas energéticas e redes elétricas em terra.
