Navio anfíbio sul-coreano reúne capacidade aérea, tropas e defesa em uma única plataforma móvel, ampliando projeção marítima no Indo-Pacífico e reforçando presença militar em operações internacionais, exercícios combinados e missões humanitárias em áreas estratégicas de alta tensão geopolítica.
O ROKS Marado consolidou a força anfíbia da Coreia do Sul ao reunir, em uma única plataforma, capacidade de aviação embarcada, transporte de tropas, lançamento de meios de desembarque e sistemas próprios de autodefesa.
Incorporado pela Marinha sul-coreana em 28 de junho de 2021, o navio ampliou a possibilidade de deslocar pessoal, veículos e aeronaves para áreas costeiras sem depender de porto ou aeroporto nas proximidades.
Classificado como LPH, sigla em inglês para landing platform helicopter, o Marado foi concebido para operações anfíbias, missões de comando e apoio a forças destacadas em cenários de crise.
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Na prática, isso permite que a embarcação atue ao mesmo tempo como navio de assalto, centro de coordenação e base móvel para projeção marítima em um ambiente regional marcado por exercícios combinados e disputa por presença naval.
Capacidade anfíbia e projeção de poder naval
Os dados técnicos ajudam a dimensionar esse papel.
Segundo o Naval News, o navio tem 19 mil toneladas em deslocamento máximo, cerca de 200 metros de comprimento, 31 metros de boca, 6,6 metros de calado e tripulação em torno de 330 marinheiros, além de espaço para 720 fuzileiros navais.

A mesma publicação informa que ele pode transportar seis carros de combate, sete veículos anfíbios de assalto, dois hovercrafts e de sete a doze helicópteros, conforme o perfil da missão.
A revista Proceedings, do U.S. Naval Institute, acrescenta que a classe Dokdo, da qual o Marado faz parte, foi desenhada para cumprir tarefas muito além do transporte de pessoal.
O navio alcança 10 mil milhas náuticas a 18 nós e pode atingir 23 nós de velocidade máxima, combinação que sustenta operações prolongadas e deslocamentos relevantes no Indo-Pacífico sem perder a capacidade de apoiar uma força anfíbia.
Aviação embarcada e operações aéreas ampliadas
No convés de voo está uma das principais diferenças do Marado em relação ao Dokdo, primeiro navio da classe.
A Proceedings registra cinco posições de pouso para helicópteros e capacidade de operar entre dez e quinze aeronaves de asa rotativa, enquanto o Defense News relatou que o projeto recebeu adaptações para acomodar duas aeronaves V-22 Osprey, contra uma no navio anterior.
A preparação do convés também reforçou a flexibilidade operacional da embarcação.
O Korea JoongAng Daily informou, na cerimônia de comissionamento, que a superfície recebeu revestimento de urethane para suportar temperaturas mais altas, o que amplia a aptidão do navio para aeronaves de pouso e decolagem vertical e fortalece seu emprego em missões de assalto, evacuação, transporte aéreo e apoio logístico.
Desembarque de tropas e veículos em múltiplos eixos
Sob o convés principal, o Marado concentra a parte menos visível e mais decisiva de sua função anfíbia.
A Proceedings descreve compartimentos internos capazes de receber carros de combate, artilharia, veículos sobre rodas, veículos sobre esteiras e equipamentos de apoio, todos conectados a uma doca alagável com capacidade para operar dois hovercrafts, permitindo lançar tropas e material diretamente rumo à costa.
Essa combinação cria um perfil operacional que amplia as opções de emprego tático.

Enquanto helicópteros podem inserir tropas por via aérea, os hovercrafts e veículos anfíbios avançam pela superfície com blindados, munição e apoio, reduzindo a dependência de um único eixo de entrada e dando à força embarcada mais margem para operar em litorais contestados.
Sistemas de defesa e sensores embarcados
O navio também recebeu um pacote de sensores e defesa que elevou sua sobrevivência em ambientes saturados por aeronaves, navios e mísseis.
De acordo com o Naval News, o Marado foi equipado com radar multifuncional EL/M-2248 MF-STAR, radar de vigilância SPS-550K, dois sistemas Phalanx Block 1B e quatro células do K-VLS, capazes de lançar ao todo 16 mísseis antiaéreos K-SAAM Sea Bow.
O Defense News observou que essas mudanças colocaram o segundo navio da classe em nível superior ao do Dokdo no controle do espaço ao redor da embarcação e na defesa aproximada.
Em uma região onde o tempo de reação conta mais do que a distância geográfica, reforçar a proteção do casco deixou de ser um detalhe técnico e passou a integrar o núcleo da utilidade militar do navio.
Emprego internacional e operações combinadas
A Marinha sul-coreana, porém, não vincula o Marado apenas a cenários de combate.
No comissionamento, o Korea JoongAng Daily registrou que o navio também foi destinado a resgate em desastres e operações internacionais de paz, enquanto a Proceedings destaca o papel secundário da classe em assistência humanitária, com estrutura suficiente para apoiar ações prolongadas e coordenação de meios em crises complexas.
O emprego recente da embarcação mostra que esse desenho multipropósito saiu do papel.
O Marado participou da RIMPAC 2022, exercício realizado no Havaí e na Califórnia com 26 países, 38 navios de superfície, quatro submarinos, mais de 170 aeronaves e mais de 25 mil militares, e também esteve na Ssang Yong 2024, operação combinada entre Coreia do Sul e Estados Unidos voltada ao aumento da prontidão e da interoperabilidade.
No caso da Ssang Yong 2024, autoridades militares informaram a presença do ROKS Marado, do ROKS Dokdo, do USS Boxer e do USS America, além de um contingente superior a 13 mil militares.
A escala do exercício indica que o navio sul-coreano não tem sido usado apenas como vitrine tecnológica, mas como peça efetiva de integração com forças aliadas e de projeção marítima em operações combinadas.
Papel estratégico e presença no Indo-Pacífico
A mudança de papel atribuída ao Marado apareceu de forma explícita ainda na fase de apresentação pública do programa.
Em 2018, o então ministro da Defesa sul-coreano afirmou ao Defense News que a função futura do navio seria proteger a segurança marítima no nordeste da Ásia e além, formulação que amplia o sentido estratégico da plataforma para além da defesa litorânea imediata.
Até o nome da embarcação acompanha essa leitura.
Segundo o Korea JoongAng Daily, o navio foi batizado em referência à ilha de Marado, no extremo sul do território sul-coreano, seguindo a escolha da Marinha de usar ilhas extremas do país em seus grandes navios de transporte, gesto simbólico que reforça a ligação entre presença marítima, defesa nacional e alcance regional.
Quando um único casco consegue embarcar helicópteros, tropas, blindados, meios de desembarque e mísseis de defesa aérea, ele deixa de ser apenas um transporte anfíbio de grande porte.
No caso sul-coreano, o Marado passou a representar uma plataforma de presença persistente, capaz de combinar mobilidade, comando, sustentação logística e resposta militar em um dos espaços marítimos mais sensíveis da Ásia.
