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Com 16,5 metros de comprimento e tamanho maior que um ônibus, o Leedsichthys problematicus entrou para a história como o maior peixe ósseo que já existiu

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 10/01/2026 às 15:20
Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.
Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.
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Gigante do Jurássico, Leedsichthys impressiona por medidas associadas a até 16,5 metros, fósseis fragmentários e debates científicos sobre como estimar tamanho e crescimento sem esqueleto completo, mantendo o animal como referência do gigantismo marinho.

Um peixe ósseo do período Jurássico, com comprimento estimado em até 16,5 metros, tornou-se referência quando o assunto é gigantismo no registro fóssil.

Trata-se do Leedsichthys problematicus, um animal marinho descrito a partir de fósseis encontrados principalmente no Reino Unido, em depósitos da Formação Oxford Clay, e citado em estudos científicos como o maior peixe ósseo conhecido entre espécies vivas e extintas quando o critério é o comprimento.

A estimativa de tamanho mais alta, usada em trabalhos recentes, foi calculada a partir de comparações anatômicas e análises de estruturas preservadas que ajudam a aproximar o porte do animal mesmo sem um esqueleto completo.

A dimensão atribuída ao Leedsichthys chama atenção porque ultrapassa com folga o tamanho de um ônibus urbano padrão, geralmente na faixa de 12 metros, e porque se refere a um peixe ósseo, grupo que inclui a maior parte das espécies atuais.

No mar de hoje, os maiores peixes em comprimento e massa pertencem a outro grupo, o dos peixes cartilaginosos, como o tubarão-baleia.

Entre os peixes ósseos vivos, o destaque costuma ir para o peixe-lua quando o assunto é peso.

O caso do Leedsichthys, portanto, se diferencia por reunir o rótulo de “gigante” com um grupo biológico associado, na atualidade, a tamanhos bem menores.

Fósseis fragmentários e o significado de “problematicus”

Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.
Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.

O que a ciência tem em mãos, porém, está longe de ser um “fóssil perfeito”.

Um dos pontos centrais para entender por que o Leedsichthys ganhou o sobrenome problematicus está na preservação.

Pesquisadores descrevem que sua osteologia permaneceu por muito tempo pouco conhecida porque os materiais são fragmentários e porque o animal tinha um esqueleto com ossificação limitada, o que reduz a chance de fossilização de partes importantes.

Em termos práticos, isso significa que peças como elementos de nadadeiras e estruturas do aparelho branquial são mais comuns do que uma sequência completa de vértebras ou um crânio inteiro.

Essa lacuna ajuda a explicar por que estimativas antigas chegaram a circular com números muito maiores e por que trabalhos mais recentes se concentraram em restringir o tamanho a faixas mais sustentáveis pelos dados disponíveis.

Estimativa de 16,5 metros e como os cientistas calcularam

Um dos estudos frequentemente citados quando se fala em 16,5 metros é um capítulo acadêmico publicado por pesquisadores associados à University of Glasgow, que revisou material conhecido do Leedsichthys, descreveu exemplares importantes e apresentou métodos para estimar idade e crescimento.

Nesse trabalho, a equipe analisou marcas de crescimento em elementos preservados, como rastros branquiais e raios das nadadeiras, em uma amostra de cinco indivíduos.

A idade foi estimada a partir de anéis de crescimento observados em seções dessas estruturas, considerados como anos no contexto do estudo, e o resultado apontou idades variando de 19 a 40 anos, com comprimentos estimados entre 8,0 e 16,5 metros para esses indivíduos.

O próprio estudo também registra que, por volta do primeiro ano, indivíduos analisados teriam cerca de 1,6 metro de comprimento, um dado que reforça a discussão sobre ritmo de crescimento em um peixe de grande porte.

Modelos de massa e limites do que dá para afirmar

Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.
Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.

A estimativa de 16,5 metros, além de aparecer como limite superior no estudo de crescimento e idade, também foi usada como base em pesquisas que tentam modelar o corpo e discutir restrições biológicas de tamanho em peixes ósseos.

Um artigo publicado na revista Palaeontology, por exemplo, utilizou o comprimento máximo de 16,5 metros atribuído em trabalhos anteriores e calculou uma massa corporal máxima estimada de 44,9 toneladas para o Leedsichthys, dentro de um modelo que relaciona comprimento e massa e, a partir daí, discute custo energético de natação e viabilidade fisiológica em diferentes cenários.

É importante notar que, nesse tipo de abordagem, a massa é apresentada como estimativa derivada de modelo, não como medida direta obtida de um fóssil completo, justamente porque esse material não existe.

Alimentação por filtragem e comparação com gigantes atuais

O Leedsichthys também é descrito como um grande filtrador marinho, isto é, um animal que obtinha alimento ao reter partículas pequenas na água.

Estudos associam essa interpretação a características anatômicas relatadas em material preservado, como a ausência de dentes e a presença de estruturas branquiais altamente desenvolvidas, os chamados rastros branquiais, que em peixes modernos podem atuar na retenção de alimento em suspensão.

O capítulo acadêmico sobre crescimento e idade menciona comparações com filtradores atuais, como tubarões-frade e tubarões-baleia, ao tratar de tamanhos e estratégias de obtenção de alimento.

Essas comparações são usadas como parâmetro ecológico, sem sugerir que os grupos sejam próximos do ponto de vista evolutivo.

Onde viveu e por que a descoberta ainda chama atenção

Outro aspecto que contribui para o interesse em torno do Leedsichthys é a trajetória histórica das descobertas.

O gênero foi descrito no século XIX, num período em que coleções de fósseis do Jurássico britânico alimentavam debates sobre o que, de fato, estava preservado nas rochas.

O material do Leedsichthys foi associado a depósitos marinhos do Oxford Clay, conhecidos por preservarem uma grande diversidade de vertebrados e invertebrados do Jurássico Médio.

O mesmo capítulo acadêmico que trata de tamanho e crescimento registra ocorrências do gênero em diferentes regiões e idades do Jurássico, incluindo locais na Inglaterra, na França, no norte da Alemanha e também registros no Chile, o que indica uma distribuição ampla em mares do período.

Cautela científica e o que ainda falta descobrir

Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.
Leedsichthys problematicus viveu no Jurássico e alcançou até 16,5 metros, sendo considerado o maior peixe ósseo da história segundo estudos científicos.

Mesmo com o peso de um “recorde”, o status do Leedsichthys é apresentado com cautela em literatura técnica.

O estudo de crescimento e idade ressalta a necessidade de evitar a criação de “gigantes de proporções míticas” a partir de identificações frágeis ou de extrapolações excessivas com base em peças escassas.

Em outras palavras, o tamanho que se atribui ao Leedsichthys não é um número “fechado”, mas um intervalo estimado com base nos melhores exemplares e métodos disponíveis, e que pode ser refinado caso novos materiais mais completos sejam encontrados e descritos.

O ponto, ainda assim, é que as faixas propostas por trabalhos recentes colocam o animal em um patamar raro para peixes ósseos, superando em comprimento muitos dos maiores vertebrados marinhos atuais e tornando-o um caso central para entender como o gigantismo pode surgir em determinadas condições ambientais e ecológicas.

A ausência de um esqueleto completo continua sendo o principal limitador para responder perguntas que o público costuma fazer, como qual seria a aparência exata do corpo, o quanto o animal poderia manobrar e qual era seu peso real fora de modelos teóricos.

Ainda assim, o conjunto de fósseis e análises já permite sustentar o que o título resume: um peixe ósseo com cerca de 16,5 metros, maior do que um ônibus em comprimento, ocupou os mares do Jurássico e se tornou uma referência quando se fala no limite superior de tamanho para esse grupo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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