Empresas como Vibra, Raízen e Ipiranga exigem transparência, regras claras e segurança jurídica antes de aderirem às medidas anunciadas no início de abril
Grandes distribuidoras de combustíveis decidiram não aderir, neste primeiro momento, ao programa de subvenção do diesel anunciado pelo governo federal. Empresas como Vibra, Raízen e Ipiranga informaram que irão apenas acompanhar a proposta de parcelamento do querosene de aviação (QAV), divulgada na quarta-feira, 1º de abril, pela Petrobras.
Conforme apuração do Estadão/Broadcast, existe a possibilidade de adesão ao programa do diesel ao longo de abril de 2026. Ainda assim, o setor reforça que a decisão dependerá diretamente do detalhamento das regras operacionais e financeiras.

Falta de clareza trava adesão ao programa do diesel
Segundo fontes do setor, ainda não está definido como e quando o pagamento da subvenção será realizado, o que gera insegurança entre as empresas. Também não está claro como as distribuidoras poderão comprovar que o desconto foi repassado ao consumidor final, aumentando as incertezas regulatórias.
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As distribuidoras questionam se o valor da subvenção será compatível com os preços de importação, enquanto o setor cobra mais transparência e segurança jurídica antes de aderir à proposta do governo. Atualmente, existe um desconto estimado em R$ 0,32 por litro, no qual quem vender o diesel com esse abatimento receberia o valor de volta.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabeleceu preços de referência por polos de importação, o que gera dúvidas sobre como a medida será aplicada na prática e como será feita a fiscalização.
Importações aumentam e pressão sobre preços se intensifica
Para atender à demanda de março de 2026, as distribuidoras elevaram as importações de diesel, o que pressionou os custos em um cenário de preços internacionais elevados. Com isso, cresce a preocupação com a exigência de repasse do desconto ao consumidor final.
A ANP foi posicionada como responsável por fiscalizar possíveis práticas abusivas no mercado e atua como um “xerife”, monitorando distribuidoras e postos de combustíveis. No entanto, ainda faltam regras claras para comprovar que o desconto foi efetivamente repassado, o que gera receio de penalizações indevidas.
O setor também avalia que o anúncio do programa ocorreu de forma acelerada, embora exista a expectativa de que, ao longo de abril, as regras sejam melhor definidas e tragam maior previsibilidade.
Redução de oferta e risco financeiro preocupam setor
Fontes indicam que a Petrobras reduziu as cotas de diesel nos polos de importação e não estaria importando os volumes habituais, o que contribui para uma desorganização do mercado. Ao mesmo tempo, empresas privadas aumentam suas importações para suprir a demanda interna.
Esse movimento gera risco de prejuízo, já que nem sempre é possível repassar os custos ao mercado interno, especialmente em um ambiente de alta volatilidade nos preços.
Parcelamento do QAV também gera dúvidas
O aumento do querosene de aviação (QAV) também trouxe incertezas ao setor, já que o reajuste considerado elevado chegou a ser negado inicialmente pela Petrobras. Em seguida, a estatal confirmou a alta e anunciou um programa de parcelamento da elevação média de 54,63%.
Ainda existem dúvidas sobre o funcionamento do modelo, principalmente se a proposta será estruturada como crédito ou financiamento com cobrança de juros. Segundo a Petrobras, as medidas já estavam em estudo técnico, com o objetivo de preservar a demanda e garantir o funcionamento do mercado.
A companhia informou que o termo de adesão com mais detalhes será divulgado na segunda-feira, 6 de abril de 2026, o que deve trazer maior clareza ao setor.
Setor aéreo será decisivo para adesão
A adesão ao parcelamento do QAV dependerá diretamente do setor aéreo, já que as companhias precisarão avaliar se conseguirão repassar o aumento aos passageiros. Esse fator será determinante para a adesão ao chamado “crediário” da Petrobras.
O setor segue cauteloso diante das incertezas operacionais e regulatórias, enquanto aguarda definições mais claras para avançar com as medidas.
Esse cenário levanta uma questão relevante: a falta de clareza pode atrasar decisões estratégicas em um mercado já pressionado por custos elevados?

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