Material ainda cercado de desconfiança no canteiro pode reduzir custos, acelerar a execução e melhorar o desempenho térmico e acústico quando aplicado com critério técnico, contrariando percepções comuns sobre fragilidade, umidade, dificuldade de uso e limitações em reformas.
O bloco de concreto celular, também chamado em parte do mercado de concreto celular espumoso ou concreto celular autoclavado, ainda encontra resistência em obras e reformas por causa de dúvidas recorrentes sobre resistência, umidade, custo e execução.
Na prática, quando o material é comprado de fabricantes com controle de qualidade e aplicado na função correta, ele se consolida como uma alternativa leve para alvenaria de vedação, com ganhos de produtividade e potencial de reduzir o custo global da obra, mesmo que o preço unitário pareça mais alto em comparação com tijolos e blocos tradicionais.
Por que o concreto celular ainda gera desconfiança na construção civil
Uma parte do receio vem do contraste entre aparência e desempenho.
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Por ser um material mais leve e com estrutura porosa, o bloco de concreto celular costuma ser associado, de forma apressada, a fragilidade ou baixa durabilidade.
Outra razão é cultural.
Estudos sobre o tema apontam que a construção civil tende a repetir técnicas já conhecidas e amplamente dominadas, o que dificulta a adoção de soluções novas quando falta padronização de compra, treinamento e detalhamento de obra.
Resistência do bloco de concreto celular e limites de aplicação
O bloco de concreto celular não é “fraco” por definição.
A resistência depende diretamente do processo produtivo e da composição, assim como acontece no concreto convencional.
No caso do concreto celular, a literatura técnica destaca que variáveis como massa específica e consumo de cimento influenciam o resultado final, o que reforça a importância de dosagem e controle de produção.
Nesse ponto, o risco costuma aparecer quando o produto é feito de forma artesanal, sem controle do fator água-cimento e sem cura adequada.
Já em linhas industriais, os blocos são fabricados com foco na aplicação prevista, especialmente em paredes e divisórias, com desempenho compatível com o uso em vedação.
Também é importante separar funções.
Em geral, o bloco de concreto celular entra como vedação não estrutural, ou seja, não substitui pilares, vigas e fundações.
A leitura correta do projeto e das especificações do fabricante evita que o material seja exigido além do que foi pensado para entregar.
Custo da obra com concreto celular vai além do preço da peça
O preço unitário pode confundir, porque a comparação direta entre “uma peça e outra” costuma ignorar o que pesa de verdade no orçamento: consumo de argamassa, desperdício, tempo de execução, logística interna e produtividade.
Em publicações setoriais e em materiais de fabricantes, o argumento central é que o sistema tende a reduzir perdas e acelerar a alvenaria por exigir menos peças por metro quadrado e por facilitar cortes e ajustes.
Nessa lógica, o custo final pode cair de forma relevante, e há quem atribua ao conjunto uma redução que chega a 30% em determinados cenários de obra, especialmente quando a análise inclui estrutura mais leve e menos retrabalho.
Mesmo quando essa economia máxima não se confirma em todos os projetos, o ponto técnico permanece.
Comparar apenas o valor do bloco costuma ser um atalho ruim.
O custo global depende do método de execução, do tipo de revestimento, das instalações embutidas e do nível de racionalização do canteiro.
Execução e produtividade no canteiro de obras
No canteiro, a leveza é um divisor de águas.
O bloco de concreto celular tende a reduzir esforço no transporte e no assentamento, além de simplificar ajustes durante a execução.
Outro fator é a trabalhabilidade.
Fabricantes e documentos técnicos descrevem o material como fácil de cortar e adaptar, o que ajuda na abertura de vãos e no encaixe de instalações, com menor geração de entulho quando a modulação é bem planejada.
Quando a obra adota uma paginação coerente e prevê pontos de amarração e encontros de paredes, a execução tende a ficar mais previsível.
Por outro lado, o ganho diminui se o canteiro tenta improvisar soluções sem respeitar as orientações de aplicação e acabamento.
Infiltração, umidade e comportamento do concreto celular
A discussão sobre água quase sempre nasce da palavra “poroso”.
O concreto celular, por sua natureza, tem uma estrutura com vazios de ar, o que muda o comportamento em alguns ensaios.
Ainda assim, teste de imersão total é um cenário extremo e pouco parecido com o que acontece numa parede pronta, protegida por revestimentos e detalhes de obra.
Na prática, o desempenho contra umidade depende de dois pontos: especificação do bloco e proteção superficial.
Em estudos com bloco de concreto celular autoclavado, a indicação é que ele pode ser usado de forma eficiente tanto em ambientes internos quanto em aplicações externas, desde que receba tratamentos adequados para evitar problemas associados à umidade.
Além disso, vale lembrar o básico que costuma valer para qualquer vedação.
Sem impermeabilização na base, sem pingadeiras, sem arremates corretos e sem revestimento compatível, o risco de patologia sobe independentemente do material escolhido.
Reforma e flexibilidade em edificações com concreto celular
Como o bloco de concreto celular é aplicado, em regra, como vedação, reformas seguem a mesma lógica de outras alvenarias não estruturais.
Isso significa que é possível abrir e fechar vãos, redistribuir paredes internas e adaptar instalações, desde que a estrutura principal da edificação seja respeitada.
O ponto crítico, mais uma vez, é projeto e execução.
Mudanças de layout exigem verificação de cargas, pilares e vigas, e isso não muda porque a vedação é de concreto celular.
Em outras palavras, a reforma não é “proibida” pelo material, mas precisa obedecer aos limites estruturais do imóvel.
Onde o concreto celular costuma entregar mais resultados
O bloco de concreto celular costuma ser lembrado por leveza, isolamento térmico e acústico e facilidade de execução.
Em pesquisa de caracterização de blocos autoclavados, esses atributos aparecem como parte do motivo de valorização do material, inclusive pela facilidade de corte e fixação e pelo potencial de contribuir para edificações mais eficientes do ponto de vista energético.
Ainda assim, a entrega real depende de compatibilização de detalhes: tipo de argamassa, revestimento, fixação de cargas em parede, juntas e tratamento de áreas molhadas.
Sem esses cuidados, o material vira bode expiatório de falhas que, na origem, são de especificação e execução.
No fim, o concreto celular não é “milagre” nem “vilão”.
Ele é uma alternativa com regras próprias, que pode ser competitiva quando aplicada com critério técnico e comparada pelo conjunto da obra, não só pelo preço da peça.


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