Estudo aponta anel de aquecimento sem precedentes no Pacífico Tropical em 2026 e indica risco de super El Niño entre 2026 e 2027, com impacto no Brasil.
Segundo o EurekAlert, um estudo publicado em abril de 2026 na revista Ocean-Land-Atmosphere Research pelo professor Tao Lian e pelo pesquisador sênior Dake Chen identificou no Pacífico Tropical uma anomalia sem precedentes nos registros dos últimos 40 anos. O padrão é um anel de aquecimento ao redor do equador que está armazenando mais calor do que libera para a atmosfera.
A equipe rodou simulações para testar o comportamento do El Niño 2026-2027 com e sem esse padrão. Em todas as simulações principais, o evento atingiu intensidade típica de super El Niño. Quando o anel de aquecimento foi removido dos modelos, a intensidade caiu de super evento para evento moderado, com perda de quase 1°C no pico previsto.
Anel de aquecimento no Pacífico Tropical explica por que o El Niño 2026 pode ser extremo
O Pacífico Tropical não aquece de forma uniforme. Os cientistas monitoram áreas como Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4 porque cada uma influencia o comportamento do El Niño de forma diferente, dependendo de onde e quando o aquecimento aparece.
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O que torna o padrão de 2026 incomum não é apenas o calor, mas a forma como ele está distribuído. Em vez de um aquecimento concentrado em uma região, o estudo identificou um anel de água quente circulando ao redor do equador de forma aproximadamente simétrica, com o centro equatorial relativamente mais frio.
Segundo os autores, esse padrão nunca havia sido observado com essa magnitude nos últimos 40 anos.
A equipe concluiu que esse aquecimento anular funciona como um amplificador climático. Cada setor quente do anel influencia o sistema por conta própria, mas, quando todas as regiões se aquecem ao mesmo tempo em configuração circular, os efeitos se somam de maneira não linear. O resultado é uma amplificação do El Niño maior do que a soma das partes isoladas.
Super El Niño 2026-2027 pode ganhar quase 1°C extra por causa do anel de aquecimento
No contexto do El Niño, um aumento de 1°C é enorme. O estudo afirma que o anel de aquecimento adicionou quase 1 grau Celsius ao pico previsto, o que muda completamente a escala do evento e eleva o risco de um super El Niño.

Os autores lembram que o El Niño de 2015-2016 atingiu cerca de 2,6°C na região Niño 3.4, enquanto o evento de 1997-1998 chegou a 2,3°C.
Episódios acima de 2°C são associados a impactos globais severos, incluindo secas, chuvas extremas, monções enfraquecidas e ondas de calor em várias partes do planeta.
Se o El Niño 2026-2027 seguir a trajetória prevista pelo estudo, partindo de um aquecimento anular excepcional e reforçado por perturbações atmosféricas recentes, o evento pode entrar na mesma categoria dos mais fortes já observados. É por isso que o estudo trata esse padrão como uma peça central da dinâmica climática deste ciclo.
Ventos de oeste e onda de Kelvin reforçam risco de super El Niño no Pacífico
Em março de 2026, os pesquisadores observaram uma forte perturbação de vento westerly, ou seja, um episódio de ventos de oeste no Pacífico Tropical. Segundo Dake Chen, esse evento aumentou ainda mais a probabilidade de formação de um super El Niño.
Esses ventos são importantes porque ajudam a gerar ondas de Kelvin, pulsos de calor que se deslocam de oeste para leste abaixo da superfície do oceano.
Quando essas ondas emergem, elas reforçam o aquecimento superficial ao largo do equador no Pacífico Central e Oriental, alimentando a evolução do El Niño.
O pesquisador também cita que, em maio de 2026, a Severe Weather Europe apontou a presença de uma massiva onda de Kelvin subsuperficial emergindo no Pacífico Oriental. A combinação entre anel de aquecimento superficial e onda de Kelvin é descrita no estudo como o empurrão capaz de transformar um evento moderado em um super evento.
Experimentos com modelos mostram que o anel de aquecimento é decisivo para o El Niño
A força do estudo não está apenas na previsão, mas nos testes feitos para separar causas e efeitos. A equipe removeu progressivamente influências externas do modelo, como outros oceanos e parte do ruído atmosférico, para isolar o papel do Pacífico Tropical e do anel de aquecimento.
Quando o anel anular foi retirado das simulações, o El Niño previsto caiu de super evento para evento moderado. Quase 1°C de intensidade desapareceu. Isso indica que o padrão não é apenas um detalhe estatístico, mas um componente central da força projetada para o fenômeno entre 2026 e 2027.
Os testes também mostraram que cada parte quente do anel contribui de forma diferente. O nordeste e o sudeste do Pacífico Tropical ajudam a empurrar calor para o equador por mecanismos de feedback entre temperatura, vento e evaporação.
O oeste do Pacífico afeta mais a distribuição de calor abaixo da superfície. Juntas, essas áreas geram um efeito combinado muito maior do que a soma individual.
Impactos do super El Niño 2026-2027 no Brasil podem incluir seca no Nordeste e mais fogo na Amazônia
O estudo destaca que o Brasil está entre os países mais afetados pelo El Niño, e um super evento teria consequências diferentes conforme a região. No Nordeste, o fenômeno está historicamente associado à redução das chuvas e à intensificação das secas, com reflexos no abastecimento de água, na agricultura e na geração hidrelétrica.
O texto lembra que a seca de 2015-2016, coincidente com o último super El Niño, foi uma das mais severas das últimas décadas na região.

Se o evento de 2026-2027 atingir intensidade semelhante ou superior, o segundo semestre de 2026 pode abrir uma fase especialmente adversa para áreas que ainda não se recuperaram totalmente dos impactos recentes.
Na Amazônia, o El Niño reduz as chuvas no leste e no sul da floresta e eleva o risco de incêndios. O texto relaciona esse perigo ao histórico recente e afirma que um super El Niño ampliaria o estresse hídrico e o risco de fogo em uma floresta que já se aproxima de pontos críticos de degradação.
O que os cientistas ainda não sabem sobre o El Niño 2026 e por que ainda existe incerteza
Apesar de os resultados serem consistentes, os próprios autores afirmam que ainda existe uma fonte importante de incerteza.
A previsão de super El Niño foi descrita como insensível às condições iniciais dos modelos, o que aumenta a confiança nas simulações, mas não elimina o peso de perturbações atmosféricas de curta duração.
Essas flutuações de alta frequência incluem tempestades, mudanças rápidas de vento e eventos localizados que podem alterar a trajetória final do El Niño de maneiras difíceis de capturar em modelos climáticos de grande escala. A própria perturbação de vento de março de 2026 é citada como exemplo desse tipo de fator.
Por isso, a equipe afirma que vai refinar a previsão ao longo de 2026 à medida que novos dados forem chegando. Em outras palavras, o estudo apresenta uma base física forte para um super El Niño 2026-2027, mas a resposta definitiva ainda dependerá do que o próprio oceano e a atmosfera vão mostrar nos próximos meses.


O que estamos preste a vê…São a consequência dos nossos pecados…Isto é só o princípio das dores…A terra irá esquentar 7 vezes mais…Podemos fazer oq for não vai adiantar…A palavra não falha… São só as profecias se cumprindo…