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Cientistas usam teoria de Einstein para ensinar robôs microscópicos a nadar por labirintos e tecnologia pode entrar no corpo humano para tratar doenças

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/03/2026 às 20:54
Atualizado em 08/03/2026 às 21:36
Utilizando as regras da relatividade geral, cientistas ensinaram robôs a navegar em "espaços-tempos artificiais", onde regiões mais escuras representavam áreas de gravidade intensa. (Crédito da imagem: Reinhardt et al. / CC-BY 4.0)
Utilizando as regras da relatividade geral, cientistas ensinaram robôs a navegar em “espaços-tempos artificiais”, onde regiões mais escuras representavam áreas de gravidade intensa. (Crédito da imagem: Reinhardt et al. / CC-BY 4.0)
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Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia desenvolveram um método que utiliza padrões de luz baseados na teoria da relatividade para guiar robôs microscópicos de 100 micrômetros por labirintos, criando um espaço-tempo artificial que permite navegação precisa sem sensores ou eletrônicos volumosos, com aplicações potenciais na medicina e na manufatura nas próximas décadas

Pesquisadores demonstraram que robôs microscópicos podem navegar por labirintos utilizando padrões de luz baseados na teoria da relatividade de Einstein, permitindo que robôs de 100 micrômetros encontrem caminhos precisos sem sensores ou eletrônicos volumosos, em experimento publicado em novembro de 2025.

Como cientistas ensinaram robôs microscópicos a navegar sem sensores eletrônicos

Cientistas desenvolveram um método para controlar robôs microscópicos nadadores usando padrões de luz combinados com princípios da teoria da relatividade geral. A tecnologia representa um primeiro passo para aplicar robôs microscópicos em áreas como medicina e manufatura.

Um dos maiores desafios no desenvolvimento de robôs em escala microscópica é permitir navegação precisa sem adicionar sensores ou componentes eletrônicos volumosos. Esses dispositivos aumentariam o tamanho das máquinas e inviabilizariam sua utilização em ambientes extremamente pequenos.

Para enfrentar esse problema, físicos da Universidade da Pensilvânia criaram um sistema descrito como um espaço-tempo artificial. Esse modelo permite guiar robôs de forma semelhante ao comportamento da luz ou de naves espaciais ao atravessar regiões curvas do universo.

Experimento colocou robôs de 100 micrômetros para atravessar um labirinto

No experimento, os cientistas utilizaram robôs nadadores eletrocinéticos com cerca de 100 micrômetros de tamanho, aproximadamente a espessura de um fio de cabelo humano. Esses robôs foram submersos em uma solução ionizada e receberam a tarefa de atravessar um labirinto simples.

Cada um dos robôs possuía minúsculas células solares com eletrodos posicionados em ambas as extremidades. Quando essas células eram expostas à luz, elas alimentavam os eletrodos, gerando um campo elétrico que impulsionava os robôs através da solução.

O principal desafio era garantir que os robôs alcançassem um ponto específico dentro do labirinto sem colidir com as paredes. A solução encontrada pelos pesquisadores envolveu aplicar conceitos da relatividade geral para orientar o movimento das máquinas microscópicas.

Teoria da relatividade ajudou a guiar robôs por caminhos curvos

Segundo a teoria da relatividade geral de Einstein, a gravidade curva o espaço-tempo ao redor de objetos com massa. Nesse ambiente curvo, a luz e outros objetos seguem geodésicas, que são os caminhos mais curtos possíveis dentro dessa geometria.

Esse fenômeno pode ser observado em eventos como a lente gravitacional, quando a luz parece curvar-se ao passar pelo campo gravitacional de um objeto massivo. Embora a luz viaje em linha reta no espaço, o efeito da curvatura faz seu caminho parecer desviado.

De acordo com Marc Miskin, professor assistente de engenharia elétrica e de sistemas da Universidade da Pensilvânia, os robôs EK apresentaram comportamento equivalente ao da luz na relatividade geral. Segundo ele, os robôs podem funcionar como um análogo experimental da gravidade.

Espaço-tempo artificial orienta robôs através de padrões de luz

Para reproduzir esse comportamento, os pesquisadores modelaram o labirinto como um espaço virtual curvo usando equações da relatividade. Nesse modelo matemático, os caminhos que levam ao alvo tornam-se linhas retas no espaço-tempo simulado.

Depois de criar o modelo, a equipe o converteu em um mapa bidimensional de luz. Nesse mapa, áreas mais escuras atraíam os robôs enquanto regiões mais iluminadas os repeliam, permitindo direcionar seu movimento sem comandos diretos.

O destino final dentro do labirinto foi configurado como o ponto mais escuro do mapa, simulando um tipo de buraco negro. Já os obstáculos receberam iluminação mais intensa para impedir que os robôs se aproximassem das paredes.

Independentemente do ponto inicial no labirinto, os robôs seguiam automaticamente os caminhos definidos pelo campo de luz. O movimento ocorria como se estivessem deslizando por um espaço distorcido, desviando naturalmente das barreiras.

Aplicações futuras para robôs microscópicos podem surgir na próxima década

Os resultados do estudo foram publicados em novembro de 2025 na revista científica npj Robotics. Para Miskin, o trabalho representa uma conexão entre conceitos da física e aplicações tecnológicas em robótica.

Segundo o pesquisador, a relatividade e a luz já são fenômenos amplamente compreendidos pela ciência. Ao aplicar esses princípios ao controle de robôs microscópicos, os cientistas passam a utilizar ferramentas teóricas consolidadas para resolver desafios de engenharia.

Ao mesmo tempo, os experimentos oferecem uma forma concreta de explorar conceitos abstratos da relatividade geral. A observação do comportamento dos robôs permite estudar efeitos relacionados a espaços-tempos planos em sistemas bidimensionais.

Miskin afirma que, embora o experimento com labirintos represente apenas um primeiro passo, aplicações práticas podem surgir nos próximos dez anos. Entre os possíveis usos estão procedimentos médicos, como verificar dentes após tratamento de canal ou eliminar tumores após medições locais.

O pesquisador também mencionou aplicações fora da área biomédica, como a montagem de microchips com auxílio de robôs microscópicos. Segundo ele, o micromundo ainda possui inúmeras possibilidades, e os resultados atuais podem representar apenas o início de novas tecnologias baseadas em robôs.

Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pela Live Science e no estudo científico publicado em novembro de 2025 na revista npj Robotics, conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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