Planejado como um empreendimento residencial de alto padrão, com cerca de quatro apartamentos por andar, o Residencial Liége deveria mudar o horizonte do Altiplano, mas problemas financeiros ligados à GBM interromperam a construção. Compradores assumiram a posse judicial da obra e ainda buscam recursos e uma solução definitiva.
Erguido em uma das áreas mais valorizadas de João Pessoa, o Residencial Liége deveria se tornar um dos edifícios mais altos e luxuosos da capital paraibana. O projeto, porém, transformou-se em um enorme esqueleto de concreto, com dezenas de pavimentos vazios e compradores que aguardam há anos uma solução.
Imagens publicadas pelo canal Drone Potiguar no YouTube, em 20 de junho de 2026, mostram a situação atual da construção no bairro Altiplano. Vista do alto, a torre chama atenção não apenas pelas dimensões, mas também pelo contraste com os edifícios concluídos ao redor.
O empreendimento começou a ser construído por volta de 2011 pela GBM Engenharia. O plano divulgado previa uma torre residencial de alto padrão, com aproximadamente 50 a 55 andares, altura próxima de 200 metros e capacidade para até 196 apartamentos.
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Projeto prometia exclusividade no Altiplano
A proposta previa cerca de quatro apartamentos por pavimento, característica que ajudava a posicionar o Residencial Liége como um empreendimento exclusivo. A localização também reforçava essa imagem: o Altiplano concentra edifícios altos, apartamentos de luxo e alguns dos imóveis mais valorizados de João Pessoa.
Segundo informações repercutidas pelo Portal da Capital, a estimativa inicial era de que a obra custasse aproximadamente R$ 28 milhões. Pelo menos 131 apartamentos teriam sido comercializados antes da conclusão do prédio.
O mesmo levantamento apontou que a construtora teria captado cerca de R$ 45 milhões por meio das vendas das unidades e de empréstimos bancários. Os apartamentos, entretanto, não foram entregues, e o empreendimento tornou-se objeto de disputas judiciais.
A estrutura chegou a um estágio avançado. Nas imagens feitas pelo Drone Potiguar, é possível observar pavimentos com divisórias internas, pisos, esquadrias, varandas e materiais de construção que permaneceram no edifício após a paralisação.
Apesar disso, o vídeo não apresenta um laudo técnico atualizado capaz de informar qual percentual da obra foi efetivamente concluído ou se a estrutura pode ser retomada imediatamente.
Empréstimo bancário teria provocado crise financeira
A explicação mais detalhada sobre a interrupção foi apresentada pelo jornal A União em março de 2025. De acordo com o advogado Daniel Braga, representante da Associação dos Adquirentes do Imóvel do Residencial Liége, a GBM enfrentou problemas relacionados a um empréstimo contratado junto ao Banco do Brasil.
Segundo o representante, os juros da operação ultrapassaram a capacidade de pagamento da empresa. A crise financeira teria comprometido o andamento do projeto até que as atividades fossem interrompidas definitivamente em 2017.
A União informou ainda que a GBM acabou destituída da condução do empreendimento por decisão judicial. A associação formada pelos compradores conseguiu a posse da obra e passou a discutir alternativas para o futuro do prédio.
A construtora também tentou transferir aos adquirentes as dívidas vinculadas à construção, incluindo a obrigação relacionada ao Banco do Brasil. Essa cobrança, conforme o jornal, foi negada pela Justiça.
Em março de 2025, os compradores preparavam uma assembleia para discutir possíveis aportes adicionais, ressarcimentos e a busca por um novo financiamento. Entre as opções avaliadas estavam a transferência do empreendimento para um investidor ou a contratação de outra construtora.
Equipamentos instalados no alto geraram preocupação
Outro capítulo do caso envolveu a grua e o elevador cremalheira utilizados durante a construção. Conforme relatado no vídeo do Drone Potiguar, uma decisão judicial determinou, em 2021, que a GBM e o Banco do Brasil providenciassem a retirada dos equipamentos por causa dos riscos à segurança.
Em 2022, a Prefeitura de João Pessoa também teria ingressado no processo para cobrar urgência na retirada. Nas gravações realizadas em junho de 2026, a grua e o elevador já não aparecem instalados na torre.
As imagens, porém, revelam janelas quebradas ou ausentes, peças espalhadas pelos pavimentos, áreas expostas ao tempo e grande quantidade de material abandonado. O drone também registra partes dos estacionamentos e das estruturas inferiores do edifício.
Gigante permanece sem destino definido
Em reportagem publicada em março de 2025, a CBN Paraíba classificou o Residencial Liége como o maior arranha-céu do estado e destacou que o empreendimento havia sido anunciado como um projeto imponente para uma cidade em plena expansão imobiliária.
Já A União chamou atenção para os impactos financeiros e psicológicos provocados por obras residenciais interrompidas. No caso do Liége, famílias investiram recursos em apartamentos que, muitos anos depois, ainda não puderam ocupar.
Até as informações mais recentes disponíveis nas fontes consultadas, não havia confirmação de reinício das obras, contratação de uma nova construtora ou definição de um cronograma para a conclusão.
Também não existe, nas fontes citadas, uma decisão definitiva que determine a demolição do edifício. Qualquer retomada dependerá de avaliação estrutural atualizada, recursos financeiros e solução para as disputas jurídicas e dívidas relacionadas ao empreendimento.
Enquanto essas condições não são atendidas, o Residencial Liége permanece como a maior obra inacabada da Paraíba: um arranha-céu que deveria simbolizar luxo e crescimento, mas acabou se tornando uma lembrança permanente dos riscos enfrentados por quem comprou um imóvel ainda na planta.
Fontes consultadas: o vídeo do Drone Potiguar registra a condição visual do Residencial Liége em junho de 2026 e relata dados sobre dimensões, unidades vendidas, equipamentos e judicialização do empreendimento. A União confirmou que a obra está paralisada desde 2017, atribuiu a crise ao empréstimo bancário e informou sobre a destituição da GBM, a posse obtida pela associação e a busca por investidores. A CBN Paraíba apresentou o prédio como o maior arranha-céu do estado e abordou o drama dos compradores. Os valores de R$ 28 milhões, R$ 45 milhões e a venda de ao menos 131 unidades foram repercutidos pelo Portal da Capital com base em vídeo anterior sobre o empreendimento.

