Cientistas do CONICET e da Universidade Nacional do Sul avançam na criação da primeira salsa de ostras argentina, feita com a ostra-do-pacífico invasora.
Projeto está 90% concluído, ocorre em escala piloto em Bahía Blanca e usa matéria-prima de área certificada pelo SENASA, com foco em segurança sanitária e rastreabilidade.
Pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (CONICET) e da Universidade Nacional do Sul (UNS) avançaram no desenvolvimento da primeira salsa de ostras produzida no país, a partir da ostra-do-pacífico, espécie invasora que se espalhou pelo litoral sul da província de Buenos Aires.
O projeto é conduzido em parceria com a empresa Cultivo Ostras SAS e chegou à etapa final, com cerca de 90% de avanço, segundo os responsáveis.
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A iniciativa busca substituir importações de um condimento consolidado no mercado internacional, ao mesmo tempo em que cria uma rota de aproveitamento para um organismo associado a impactos ambientais e sociais em áreas costeiras.
A produção ocorre em escala piloto em Bahía Blanca e depende de matéria-prima coletada em zona certificada pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA), com foco em segurança sanitária e rastreabilidade.
Ostra-do-pacífico e efeitos no litoral de Buenos Aires
A ostra-do-pacífico, identificada em publicações técnicas como Magallana gigas, é descrita como uma espécie exótica de origem asiática que se estabeleceu na costa bonaerense a partir de 1982, com registros iniciais ligados à região de Bahía San Blas, no distrito de Patagones.
Sem predadores naturais na área e favorecida por condições locais, a espécie se expandiu e passou a alterar ambientes intermareais e a competir com organismos nativos.
Em trechos do litoral, a proliferação também afeta o uso público das praias.
Veículos de imprensa e comunicados institucionais associam o aumento das valvas na areia a riscos de cortes em banhistas e a incômodos em destinos turísticos do sul bonaerense, como Pehuen Có e Monte Hermoso, além de mencionar pressão sobre ecossistemas relevantes, como o estuário de Bahía Blanca.
Nesse cenário, o grupo de pesquisa passou a tratar a abundância do molusco como um recurso possível de ser direcionado para uma cadeia formal, sem perder de vista as exigências sanitárias e regulatórias.
A proposta se apoia em uma lógica de manejo: retirar biomassa do ambiente e, em vez de descartar, transformar em produto com valor agregado.
Como a ciência transforma a espécie invasora em produto
O condimento em desenvolvimento é a salsa de ostras, tradicional em cozinhas asiáticas e geralmente obtida por processos que concentram extratos do molusco com sal e etapas de cozimento e ajuste tecnológico.

Na Argentina, a proposta é criar uma versão nacional com matéria-prima local, em escala industrial piloto, a partir da ostra invasora.
A condução do trabalho reúne diferentes áreas e instituições. As informações divulgadas pelo CONICET apontam a participação de:
A direção científica é atribuída à pesquisadora Sandra Botté, do CONICET, e ao especialista Eder Dos Santos, também vinculado ao CONICET, em trabalho que combina bioprocessos, engenharia e análises biológicas.
O financiamento público aparece em reportagens locais associado ao FITBA 2023, programa de apoio a projetos de base tecnológica na província de Buenos Aires.
SENASA, rastreabilidade e segurança sanitária na produção
Um ponto central do projeto é a origem das ostras utilizadas no processamento.
Segundo os responsáveis, a coleta ocorre exclusivamente em uma área classificada e certificada pelo SENASA como apta para consumo humano, na chamada Zona de Produção de Moluscos Bivalvos do Sudoeste Bonaerense.
A faixa mencionada vai de Los Pocitos a San Blas, no distrito de Patagones.
Essa delimitação permite associar o produto final a controles sanitários e a um sistema de rastreabilidade, etapa considerada decisiva para qualquer avanço rumo à habilitação industrial e à comercialização em escala.
Ao mesmo tempo, a extração em maior volume é tratada como uma possível ferramenta de contenção local da espécie, ao reduzir a biomassa disponível em pontos críticos.
Ainda assim, os próprios materiais divulgados sobre o tema evitam apresentar a industrialização como solução única para o problema ambiental, concentrando-se na proposta de uso responsável e sob controle.

