Mais de um século depois, cientistas revivem bateria proposta por Thomas Edison em 1901 e alcançam carregamento ultrarrápido e milhares de ciclos.
Uma equipe internacional de cientistas conseguiu algo improvável: validar, com tecnologia atual, uma bateria idealizada por Thomas Edison em 1901.
O grupo, co-liderado pela University of California, Los Angeles (UCLA), desenvolveu um protótipo moderno baseado no mesmo conceito de níquel-ferro.
Os testes mostraram recarga em segundos e resistência a mais de 12 mil ciclos de carga e descarga.
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O estudo foi publicado em agosto de 2025 na revista científica Small e reacendeu o debate sobre alternativas sustentáveis de armazenamento de energia.
O feito chama atenção não apenas pelo desempenho técnico. Ele resgata uma ideia considerada ultrapassada e demonstra como avanços científicos podem transformar projetos históricos em soluções contemporâneas.
Modernização da bateria proposta por Thomas Edison em 1901
O aspecto mais impressionante da nova bateria é a velocidade de recarga. Segundo os pesquisadores, o dispositivo consegue armazenar energia em questão de segundos.
Esse desempenho está diretamente ligado à estrutura dos materiais. Em vez de placas metálicas tradicionais, os cientistas utilizaram partículas nanométricas de níquel e ferro.
Quando os componentes são extremamente pequenos, quase todos os átomos ficam expostos. Isso amplia a área de reação química, acelerando os processos de carga e descarga.
“Quando as partículas são tão pequenas, quase cada átomo pode participar da reação”, explica Maher El-Kady, pesquisador da UCLA e coautor do estudo.
Durabilidade é outro destaque da bateria
Além da rapidez, os testes revelaram alta resistência. O protótipo suportou mais de 12 mil ciclos completos de carga e descarga.
Na prática, isso equivale a mais de 30 anos de uso com recargas diárias. Portanto, indica uma vida útil muito superior à de muitas tecnologias convencionais.
Mesmo assim, os cientistas ponderam limitações. A densidade de energia ainda é inferior à das baterias de íons de lítio.
Inspiração na natureza moldou a bateria moderna
Para alcançar esse resultado, os cientistas recorreram a estratégias incomuns. A arquitetura da bateria foi inspirada em processos biológicos.
Os pesquisadores analisaram como estruturas naturais, como ossos e conchas, se formam. Nesses sistemas, proteínas funcionam como “andaimes” que organizam minerais.
No laboratório, proteínas derivadas de subprodutos da produção de carne bovina foram utilizadas como moldes. Elas orientaram a formação das nanoestruturas metálicas.
Depois, o material foi combinado com uma folha ultrafina composta por carbono e oxigênio. Essa camada possui apenas um átomo de espessura.
Ao aquecer o conjunto, ocorreram mudanças químicas relevantes. As proteínas viraram carbono, o oxigênio foi removido e os metais ficaram incorporados à matriz.
O resultado foi uma estrutura extremamente leve e porosa. Em volume, cerca de 99% do material é formado por ar.
Aplicações da bateria vão além dos carros elétricos
Apesar do desempenho promissor, o uso imediato em veículos não é prioridade. A capacidade de armazenamento ainda não compete com baterias modernas do setor automotivo.
Entretanto, os cientistas enxergam aplicações estratégicas. Uma das principais apostas é o armazenamento de energia renovável.
A bateria poderia guardar o excesso de eletricidade produzido por usinas solares durante o dia. Posteriormente, a energia seria devolvida à rede à noite.
Além disso, o sistema pode servir como fonte emergencial. Infraestruturas críticas, como centros de dados, estão entre os potenciais beneficiários.
“Como essa tecnologia pode estender a vida útil das baterias por décadas, ela pode ser ideal para armazenar energia renovável ou assumir rapidamente quando ocorre uma queda de energia”, afirma El-Kady.
Antes disso, Thomas Edison já previa outra bateria em 1901
Muito antes dos testes atuais, Thomas Edison acreditava que poderia revolucionar o setor energético. Em 1901, o inventor passou a investir em uma bateria de níquel-ferro.
No início do século 20, a disputa entre diferentes tecnologias de propulsão ainda estava em aberto. Ao contrário do que se imagina hoje, os veículos elétricos ocupavam espaço relevante nas ruas e não eram exceção.
Dados históricos indicam que, em 1900, os carros elétricos chegaram a ser maioria em circulação nos Estados Unidos. Ainda assim, o entusiasmo esbarrava em uma limitação prática decisiva: a bateria.
As baterias de chumbo-ácido, padrão daquele período, apresentavam desempenho modesto.
Eram volumosas, tinham custo elevado e permitiam trajetos curtos, em torno de 48 quilômetros por carga.
Nesse ambiente de desafios técnicos, Thomas Edison propôs uma alternativa. O inventor acreditava que uma bateria de níquel-ferro poderia elevar significativamente a autonomia dos veículos elétricos.
Segundo suas projeções, o novo sistema alcançaria até 160 quilômetros por carga. Além disso, prometia maior durabilidade e tempo de recarga estimado em cerca de sete horas — números considerados ambiciosos para a época.
Por que a bateria de Edison não prosperou?
Apesar das expectativas, a tecnologia não evoluiu como o inventor previa. As limitações práticas persistiram ao longo das décadas seguintes.
Enquanto isso, motores a combustão avançaram rapidamente. Eles se tornaram mais potentes, eficientes e financeiramente acessíveis.
Gradualmente, os carros a gasolina dominaram o mercado. Assim, a proposta de Edison acabou ficando em segundo plano.
Modernização da bateria proposta por Thomas Edison
Mais de um século depois, o trabalho dos cientistas revela uma mudança de perspectiva. Conceitos históricos podem ganhar nova relevância com ferramentas modernas.
Nesse contexto, a bateria proposta por Thomas Edison em 1901 deixa de ser apenas curiosidade tecnológica. Ela passa a integrar pesquisas voltadas ao futuro da energia.
A equipe agora investiga formas de tornar o processo mais barato e escalável. Entre as alternativas está o uso de materiais naturais mais abundantes.
Se os avanços continuarem, uma ideia nascida no início do século passado poderá contribuir para sistemas energéticos mais sustentáveis. Portanto, o passado pode, novamente, influenciar o futuro.
Fonte: Revista Galileu

