Descoberta de gases ao redor do asteroide 2002 XV 93 intriga a ciência. Com apenas 500 km, o objeto desafia a gravidade e sugere atividade geológica oculta.
Como um corpo celeste tão pequeno consegue manter uma camada de gás sem que ela se perca no vácuo? Este é o questionamento que mobiliza a astronomia após a confirmação de que o asteroide (612533) 2002 XV 93 possui uma atmosfera tênue.
Localizado nas regiões gélidas além de Netuno, este objeto de apenas 500 quilômetros de diâmetro desafia as previsões teóricas: devido à sua baixa gravidade, qualquer gás deveria desaparecer em menos de mil anos.
A descoberta, publicada na revista Nature Astronomy, sugere que o Sistema Solar exterior abriga mundos muito mais ativos do que as “rochas mortas” que os cientistas descreviam anteriormente.
-
A Tesla injetou mais US$ 250 milhões na fábrica alemã, dobrou a meta de células de bateria e abriu a própria linha de produção para startups
-
Chega de TV presa na parede: Samsung The Freestyle+, o novo projetor com mais de 400 lúmens projeta em paredes, pisos e tetos e leva cinema para qualquer canto da casa
-
Um governador japonês travou sozinho por nove anos a obra do trem mais rápido do mundo, e só agora cedeu para liberar um túnel escavado a 1.400 metros de profundidade
-
Quase 1 bilhão de euros, duas gigafábricas e aporte público milionário, chinesa quer fazer cidade espanhola virar o novo polo de baterias da Europa
Hipóteses para o fenômeno no asteroide transnetuniano
A existência dessa atmosfera sugere que o asteroide passou por mudanças drásticas recentemente.
Como o Telescópio James Webb não detectou gelo exposto na superfície que pudesse evaporar e formar essa névoa, os pesquisadores trabalham com teorias alternativas para explicar a origem dos gases.
Uma das possibilidades mais fortes é a ocorrência de atividade geológica interna, como um terremoto, que teria liberado substâncias voláteis presas no subsolo.
Outra vertente investigada é a de um impacto recente; um cometa ou outro corpo menor poderia ter colidido com o 2002 XV 93, deixando para trás uma nuvem temporária de detritos gasosos.
De acordo com o coordenador da pesquisa, Ko Arimatsu, essa descoberta prova que corpos transnetunianos podem sofrer alterações em escalas de tempo extremamente curtas.

O eclipse que revelou o segredo cósmico
A detecção desse ar espacial não ocorreu por fotografia direta, mas por um método indireto de alta precisão.
No dia 10 de janeiro de 2024, o asteroide protagonizou uma ocultação estelar, passando na frente de uma estrela distante e bloqueando sua visão a partir da Terra.
O que chamou a atenção dos especialistas no Japão foi a forma como o brilho da estrela diminuiu:
- Em objetos sem ar: A luz da estrela apaga-se de forma seca e instantânea.
- No caso do 2002 XV 93: Ocorreu um escurecimento progressivo e suave.
- A conclusão: Essa transição lenta só pode ser causada por uma camada de gás que absorve a luz antes do bloqueio total pela rocha.
Dados técnicos e o papel da astronomia japonesa
O estudo foi liderado por uma coalizão de observatórios no Japão, incluindo o Observatório Astronômico de Ishigakijima (NAOJ), unindo esforços de cientistas profissionais e astrônomos amadores.
O asteroide em questão possui cerca de 500 km, uma medida pequena se comparada aos 2.377 km de Plutão, que até então era a principal referência de objeto com atmosfera naquela zona.
Dessa forma, a descoberta abre um precedente importante. Se um corpo com apenas 500 km de diâmetro pode exibir tais características, milhares de outros objetos menores no Cinturão de Kuiper podem esconder fenômenos semelhantes.
Com informações do Olhar Digital
