Cientistas alertam que microplásticos na atmosfera absorvem calor e podem intensificar mudanças climáticas, segundo novo estudo internacional.
Os microplásticos já foram encontrados em rios, oceanos, alimentos, água potável e até no corpo humano. Agora, um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change no dia 4 de maio, aponta que essas partículas também podem aquecer a atmosfera terrestre.
Segundo os cientistas chinesas, os fragmentos plásticos suspensos no ar absorvem mais calor do que refletem. O impacto climático estimado seria comparável ao funcionamento de cerca de 200 usinas movidas a carvão durante um ano inteiro.
A pesquisa amplia o alerta global sobre a poluição plástica e mostra que os microplásticos podem representar não apenas um problema ambiental, mas também climático.
-
Artesão vietnamita constrói do zero um barco em forma de disco voador, instala propulsão a jato, painéis solares e portas automáticas, leva a estrutura futurista para a água e prova que sua “nave” artesanal flutua e navega em teste que transforma fantasia em realidade flutuante
-
EUA olham para montanhas de lixo nuclear acumulado e estudam transformar combustível usado em nova fonte de energia, em plano que pode reduzir resíduos, reaproveitar urânio e abastecer sistemas militares de longa duração
-
Helicóptero da Polícia Federal despeja 12 mil kg de sementes no Brasil em operação aérea de reflorestamento que transforma sacos de sementes em chuva verde e mira plantar 100 milhões de árvores até 2030, começando por áreas no Paraná
-
No deserto de Xinjiang, China ergue fábrica química gigante sobre 390 bilhões de toneladas de carvão, coloca 300 caminhões sem motorista para trabalhar sem parar e usa braços robóticos que trocam baterias em 6 minutos para reduzir dependência do petróleo
Novo estudo revela como microplásticos absorvem calor na atmosfera
O trabalho foi liderado por pesquisadores da Universidade Fudan, na China, com participação de especialistas internacionais. Os cientistas analisaram como diferentes tipos de microplásticos interagem com a luz solar dentro da atmosfera.
As simulações mostraram que partículas pretas, vermelhas, amarelas e azuis absorvem muito mais calor do que plásticos transparentes ou brancos. Segundo o levantamento, materiais pigmentados chegaram a apresentar absorção térmica quase 75 vezes maior.
Drew Shindell, professor da Universidade Duke e coautor do estudo, destacou que já existem evidências suficientes para afirmar que essas partículas contribuem para o aquecimento global.
Cientistas investigam impacto climático equivalente a 200 usinas a carvão
O novo estudo aponta que os microplásticos presentes na atmosfera podem gerar um efeito climático equivalente ao funcionamento anual de aproximadamente 200 usinas movidas a carvão.
Os pesquisadores explicam que o impacto representa cerca de um sexto do efeito provocado pelo carbono negro, substância produzida principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
Embora o índice seja menor do que o causado por veículos e indústrias, os cientistas afirmam que o resultado não pode ser tratado como irrelevante.
Outro ponto preocupante é o caráter cumulativo do problema. Como essas partículas permanecem no ambiente durante décadas, a tendência é que os impactos aumentem ao longo do tempo.

Atmosfera terrestre enfrenta ameaça invisível e difícil de controlar
Os microplásticos são fragmentos menores que cinco milímetros originados da decomposição de resíduos plásticos maiores. Já os nanoplásticos possuem dimensões ainda menores, muitas vezes inferiores à espessura de um fio de cabelo humano.
Depois de liberadas, essas partículas conseguem viajar longas distâncias pela atmosfera. Estudos anteriores já encontraram resíduos plásticos em regiões polares, montanhas e áreas remotas do planeta.
Os cientistas afirmam que controlar essa dispersão é um dos maiores desafios atuais. Isso ocorre porque os fragmentos podem permanecer suspensos no ar por longos períodos antes de retornarem ao solo.
Entre as principais fontes de emissão de microplásticos, estão:
- Desgaste de pneus
- Decomposição de embalagens
- Lavagem de roupas sintéticas
- Queima irregular de lixo
- Resíduos industriais
Novo estudo amplia preocupação com impactos ambientais e humanos
Além dos efeitos climáticos, os microplásticos já preocupam pesquisadores por causa dos riscos ambientais e da possível relação com problemas de saúde.
Nos últimos anos, os cientistas encontraram partículas plásticas em pulmões, sangue, placenta e leite materno. Fragmentos também foram identificados em peixes, frutas, água potável e alimentos industrializados.
O novo estudo reforça que essas partículas podem afetar não apenas organismos vivos, mas também o equilíbrio térmico da atmosfera.
Hongbo Fu, professor da Universidade Fudan e um dos autores da pesquisa, afirmou que este trabalho representa apenas um primeiro passo para entender completamente os efeitos climáticos dos resíduos plásticos.
Produção global de plástico preocupa cientistas
Outro fator que chama atenção é o crescimento contínuo da produção de plástico no mundo. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente indicam que mais de 430 milhões de toneladas são produzidas anualmente.
Grande parte desse material acaba descartada de forma inadequada, aumentando a presença de microplásticos no solo, rios, oceanos e na atmosfera.
Especialistas defendem medidas mais rígidas para reduzir a poluição plástica. Entre as soluções mais citadas pelos cientistas, estão:
- Ampliação da reciclagem
- Incentivo a materiais biodegradáveis
- Redução de plásticos descartáveis
- Criação de políticas ambientais globais
- Investimentos em economia circular
Mesmo com algumas restrições já adotadas em diversos países, os pesquisadores alertam que as ações atuais ainda são insuficientes diante da velocidade de crescimento da produção global.
Descoberta pode mudar debate global sobre poluição plástica
O novo estudo publicado na Nature Climate Change reforça que os microplásticos podem ter impactos muito maiores do que se imaginava anteriormente.
Além dos danos ambientais e dos possíveis riscos à saúde humana, os cientistas agora investigam como essas partículas interferem diretamente no aquecimento da atmosfera.
A comparação com 200 usinas a carvão ajuda a dimensionar a gravidade do problema. Embora o impacto ainda seja menor do que o provocado pelos combustíveis fósseis, os pesquisadores alertam que os efeitos podem crescer continuamente nas próximas décadas.
Por isso, especialistas defendem que o combate à poluição plástica também passe a fazer parte das estratégias globais de enfrentamento das mudanças climáticas.
Com informações de Nature Climate Change


Seja o primeiro a reagir!