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Cientistas encontram planeta com densidade de algodão-doce escondido por uma névoa gigante que está deixando todo mundo sem resposta

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 17/03/2026 às 15:54 Atualizado em 17/03/2026 às 15:55
Planeta, Exoplaneta
Imagem: Ilustração artística feita por IA
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Kepler-51d chama atenção por densidade extremamente baixa, atmosfera misteriosa e posição incomum, desafiando modelos tradicionais sobre formação de planetas gigantes gasosos

Astrônomos identificaram o planeta Kepler-51d, localizado a cerca de 2.615 anos-luz da Terra, com densidade extremamente baixa e envolto por uma espessa camada de névoa, levantando dúvidas sobre sua formação e composição no sistema Kepler-51.

Sistema incomum desafia modelos tradicionais

O sistema Kepler-51, situado na constelação de Cisne, possui quatro mundos conhecidos. Três deles apresentam características raras: dimensões semelhantes às de Saturno, mas com massa apenas algumas vezes maior que a da Terra.

Essa combinação resulta em densidade extremamente baixa. Segundo Jessica Libby-Roberts, os três corpos internos possuem núcleos muito pequenos e atmosferas extensas, o que explica a semelhança com algodão-doce em termos de densidade.

A pesquisadora destacou que esses objetos são incomuns e difíceis de explicar. A formação de gigantes gasosos com essas propriedades foge ao entendimento convencional, especialmente porque o sistema possui três exemplos semelhantes.

Formação fora do padrão esperado do planeta

Em geral, gigantes gasosos apresentam núcleo rochoso denso, cuja gravidade permite a retenção de grandes quantidades de gás. Esses planetas costumam se formar em regiões mais distantes de suas estrelas.

No caso do exoplaneta Kepler-51d, os dados indicam comportamento diferente. Ele orbita sua estrela a uma distância comparável à de Vênus em relação ao Sol, mais próxima do que o esperado.

Além disso, não há sinais claros da presença de um núcleo denso. Outro fator relevante é a atividade da estrela Kepler-51, cujos ventos poderiam remover gases do planeta ao longo do tempo.

Libby-Roberts explicou que ainda não se sabe a extensão dessa perda. Uma hipótese considerada é que o planeta tenha se formado em regiões mais distantes e migrado posteriormente para uma órbita mais próxima.

Névoa espessa impede análise detalhada

Para investigar a composição do exoplaneta, cientistas analisaram dados obtidos pelo telescópio espacial James Webb. A técnica envolve observar a luz da estrela ao atravessar a atmosfera do planeta.

Esse método permite identificar gases por meio da absorção de comprimentos específicos de luz. No entanto, no caso de Kepler-51d, os resultados não mostraram sinais químicos claros.

A explicação mais provável é a presença de uma camada extremamente espessa de névoa, capaz de bloquear grande parte da luz observada. Isso dificulta a identificação da composição atmosférica.

Suvrath Mahadevan afirmou que essa camada pode estar absorvendo os comprimentos de onda analisados, impedindo a visualização das características abaixo dela.

Camada pode ser uma das maiores já observadas

Segundo estimativas, a névoa ao redor do exoplaneta pode atingir dimensões próximas ao raio da Terra. Isso a tornaria uma das maiores já registradas em um corpo fora do Sistema Solar.

Os pesquisadores compararam essa névoa à existente em Titã, lua de Saturno, porém em escala muito maior. Outras hipóteses, como a presença de anéis, foram consideradas, mas parecem menos prováveis.

Observações indicaram maior bloqueio de luz em comprimentos de onda maiores, um comportamento incomum. Para os cientistas, a explicação mais simples continua sendo a presença de névoa espessa.

Mesmo com os dados atuais, ainda há muitas dúvidas sobre o sistema. Os pesquisadores afirmam que novas observações serão necessárias para compreender plenamente esses mundos.

Libby-Roberts ressaltou que descobertas como essa mostram que existem planetas muito diferentes dos conhecidos, ampliando os desafios para os modelos de formação planetária e abrindo novas linhas de investigação cientifica.

O sistema segue sendo alvo de estudos, com perguntas ainda sem resposta sobre sua origem e evolução, o que reforça sua importância para a astronomia contemprânea.

Com informações de G1.

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Romário Pereira de Carvalho

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