1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas encontram novo caminho para retardar o envelhecimento aumentando a longevidade, reduzindo câncer, inflamações e doenças associadas à velhice
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Cientistas encontram novo caminho para retardar o envelhecimento aumentando a longevidade, reduzindo câncer, inflamações e doenças associadas à velhice

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/05/2026 às 14:20
Atualizado em 14/05/2026 às 14:22
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
6 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Estudo com ratos-toupeira-pelados revelou que um gene ligado à longevidade conseguiu aumentar a sobrevivência de camundongos e reduzir doenças associadas ao envelhecimento, reforçando pesquisas que buscam ampliar o tempo de vida saudável e diminuir processos inflamatórios relacionados à velhice.

Cientistas da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, conseguiram transferir para camundongos um gene associado à longevidade dos ratos-toupeira-pelados, roedores africanos capazes de viver até 41 anos e conhecidos pela baixa incidência de câncer.

O estudo, publicado na revista Nature registrou melhora na saúde dos animais modificados e aumento aproximado de 4,4% na mediana de sobrevivência.

A pesquisa se concentrou no gene Has2 dos ratos-toupeira-pelados, ligado à produção de ácido hialurônico de alto peso molecular, chamado de HMW-HA.

Essa substância já havia sido apontada em estudos anteriores como um dos fatores relacionados à resistência incomum desses animais contra tumores e doenças associadas ao envelhecimento.

Ao inserir a versão do gene dos ratos-toupeira-pelados em camundongos, os pesquisadores observaram aumento da produção de HMW-HA em diferentes tecidos.

Os animais geneticamente modificados desenvolveram menos tumores espontâneos, apresentaram maior proteção contra câncer de pele induzido em laboratório e tiveram menor inflamação em órgãos afetados pelo envelhecimento.

Gene de rato-toupeira-pelado aumenta longevidade em camundongos

A equipe liderada por Vera Gorbunova e Andrei Seluanov buscava testar se um mecanismo natural de uma espécie muito longeva poderia funcionar em outro mamífero.

Rato-toupeira-pelado chama atenção da ciência por resistência ao câncer e pesquisas sobre longevidade humana. (Imagem: Nature/Divulgação)
Rato-toupeira-pelado chama atenção da ciência por resistência ao câncer e pesquisas sobre longevidade humana. (Imagem: Nature/Divulgação)

O resultado foi tratado pelos cientistas como uma prova de princípio, não como uma terapia pronta para humanos.

Os ratos-toupeira-pelados têm tamanho parecido com o de camundongos, mas vivem quase dez vezes mais que roedores de porte semelhante.

Além disso, envelhecem com menor frequência de doenças cardiovasculares, artrite, neurodegeneração e câncer, características que tornaram a espécie alvo recorrente de pesquisas sobre longevidade.

Nos camundongos modificados, o HMW-HA também foi associado à melhora da barreira intestinal ao longo da vida.

Segundo os pesquisadores, esse efeito pode ajudar a explicar a redução de inflamações crônicas, um processo comum em animais mais velhos e ligado a diversas doenças.

Ácido hialurônico aparece como peça central da pesquisa

O ácido hialurônico é uma molécula presente em mamíferos, inclusive em humanos.

A diferença observada nos ratos-toupeira-pelados está na quantidade e no tamanho molecular da substância, já que esses roedores acumulam cerca de dez vezes mais HMW-HA do que camundongos e humanos.

Pesquisas anteriores da mesma linha de investigação mostraram que, quando o HMW-HA era removido de células de ratos-toupeira-pelados, essas células ficavam mais propensas à formação de tumores.

A nova etapa buscou verificar se o caminho inverso, ou seja, aumentar essa molécula em outro animal, poderia trazer benefícios semelhantes.

Os resultados indicaram que a proteção não depende apenas da presença do gene transferido, mas dos efeitos biológicos do HMW-HA no organismo.

Entre eles estão a regulação do sistema imune, a redução de danos ligados ao estresse oxidativo e a preservação da saúde intestinal durante o envelhecimento.

Cientistas investigam aplicação futura em humanos

Apesar dos resultados positivos em camundongos, os cientistas não afirmam que a técnica possa ser aplicada diretamente em pessoas.

Pesquisa da Universidade de Rochester investiga gene ligado ao envelhecimento e aumento da expectativa de vida saudável. (Imagem: University of Rochester/Divulgação)
Pesquisa da Universidade de Rochester investiga gene ligado ao envelhecimento e aumento da expectativa de vida saudável. (Imagem: University of Rochester/Divulgação)

A transferência genética feita em laboratório envolve um modelo animal controlado e não equivale a um tratamento disponível contra o envelhecimento humano.

A equipe agora investiga duas possíveis estratégias: estimular a produção de HMW-HA no organismo ou reduzir sua degradação natural.

Seluanov afirmou, em material divulgado pela Universidade de Rochester, que moléculas capazes de retardar a degradação do hialuronano já foram identificadas e estão em testes pré-clínicos.

Esse tipo de etapa ainda antecede estudos clínicos em humanos.

Por isso, a descoberta deve ser entendida como avanço experimental na compreensão da longevidade, especialmente no campo da chamada healthspan, expressão usada para descrever o período de vida com boa saúde.

Animais longevos ajudam ciência a estudar envelhecimento

O interesse científico por animais de vida longa cresceu porque algumas espécies parecem resistir melhor a processos biológicos que, em humanos, estão ligados ao envelhecimento e a doenças crônicas.

Baleias, elefantes e ratos-toupeira-pelados são exemplos frequentes em estudos sobre reparo celular, câncer e manutenção de tecidos.

No caso dos ratos-toupeira-pelados, a combinação de longevidade extrema para o porte, baixa incidência de câncer e resistência a doenças degenerativas oferece uma oportunidade rara de comparação com outros mamíferos.

Ainda assim, cada mecanismo precisa ser testado isoladamente antes de qualquer aplicação biomédica.

A pesquisa da Universidade de Rochester reforça que adaptações naturais de espécies longevas podem orientar novos caminhos contra doenças associadas à idade.

Por enquanto, o achado mostra que um mecanismo evoluído em um roedor africano pode melhorar a saúde de camundongos, mas não demonstra que o mesmo efeito ocorrerá em humanos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x