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Cientistas encontram cerca de 1 milhão de ovos gigantes vivos a chocar em um vulcão submarino ativo, descobrem um forno natural no fundo do mar e revelam um dos berçários mais improváveis já vistos no oceano

Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/04/2026 às 10:53
Atualizado em 04/04/2026 às 16:04
Cientistas encontram até 1 milhão de ovos gigantes em vulcão submarino ativo e revelam raro berçário no fundo do mar.
Cientistas encontram até 1 milhão de ovos gigantes em vulcão submarino ativo e revelam raro berçário no fundo do mar.
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Descoberta em águas profundas no Pacífico revela um raro berçário natural de raias em área vulcânica ativa, com milhares de cápsulas de ovos espalhadas pelo fundo do mar e potencial impacto para a pesquisa e a conservação marinha.

Um monte submarino ativo no Pacífico, ao largo da Ilha de Vancouver, no Canadá, revelou uma extensa área coberta por cápsulas de ovos da raia-branca-do-Pacífico.

O registro foi feito por pesquisadores que exploravam a região e indica que a espécie utiliza o calor liberado pelo sistema vulcânico como incubadora natural, em um ambiente localizado a mais de 1,5 mil metros de profundidade.

A descoberta chamou a atenção da comunidade científica por reunir dois elementos raramente documentados em conjunto no oceano profundo: atividade geotérmica e reprodução de peixes cartilaginosos em grande escala.

No topo desse monte submarino, a equipe observou ovos distribuídos por uma área aquecida por fluidos quentes ricos em minerais.

Segundo os cientistas, a estimativa varia de centenas de milhares a até cerca de 1 milhão de ovos.

Berçário submarino no Pacífico

A estrutura onde os ovos foram localizados se eleva cerca de 1,1 quilômetro acima do fundo do mar.

Mesmo em águas profundas e frias, o cume libera calor por meio de fissuras, o que cria um microambiente diferente do entorno imediato.

Foi nessa faixa aquecida que os pesquisadores registraram grande parte das cápsulas ovígeras.

As cápsulas da raia-branca-do-Pacífico se destacam pelo tamanho.

Elas podem medir perto de 50 centímetros, acima do observado em várias outras espécies de raias e tubarões ovíparos.

Como o desenvolvimento embrionário no mar profundo tende a ser lento, a presença de calor geotérmico é apontada pelos pesquisadores como uma possível explicação para o uso desse ponto como área de incubação.

Além da concentração de ovos, a equipe também registrou uma fêmea da espécie depositando um ovo no local.

O registro reforça a avaliação de que a área funciona como ponto de postura, e não apenas como espaço onde cápsulas teriam sido deslocadas por correntes marinhas.

Calor geotérmico e incubação de ovos

Em espécies de profundidade, o período de incubação costuma ser longo.

No caso da raia-branca-do-Pacífico, pesquisadores trabalham com a possibilidade de que o desenvolvimento dos embriões leve mais de quatro anos em águas frias.

Nesse cenário, variações térmicas estáveis podem influenciar o sucesso reprodutivo.

Para os cientistas, a água mais quente do cume pode acelerar o desenvolvimento dos embriões sem afastar os ovos do ambiente profundo ao qual a espécie está adaptada.

A associação entre calor natural e incubação já havia sido relatada em um outro registro envolvendo a mesma espécie, próximo a fontes hidrotermais na região das Galápagos, mas em escala menor.

Desta vez, a observação feita na costa do Canadá aponta para uma área mais extensa.

Em vez de dezenas ou pouco mais de uma centena de cápsulas, como em registros anteriores, os pesquisadores encontraram uma área ampla coberta por ovos.

Para a equipe, isso amplia a relevância do local para o estudo de habitats reprodutivos no oceano profundo.

O que se sabe sobre a raia-branca-do-Pacífico

A Bathyraja spinosissima, conhecida como raia-branca-do-Pacífico, está entre as raias que vivem em maiores profundidades.

Registros científicos indicam ocorrência entre aproximadamente 800 e 2.900 metros.

Essa faixa ajuda a explicar por que observações diretas do animal são incomuns e por que ainda há lacunas sobre seu ciclo de vida.

Os indivíduos adultos podem alcançar cerca de 2 metros de comprimento.

Neste caso, o foco dos pesquisadores recai sobre a estratégia reprodutiva da espécie.

Ovos grandes, desenvolvimento lento e uso de áreas aquecidas por atividade vulcânica formam uma combinação incomum entre peixes cartilaginosos de profundidade.

Os dados disponíveis até agora indicam que a espécie seleciona pontos específicos onde a temperatura pode favorecer a incubação.

Ainda assim, os pesquisadores não afirmam que todo vulcão submarino seja usado como berçário.

O que o estudo documenta é a presença de condições adequadas nesse sistema ativo, com temperatura, substrato e estabilidade ambiental compatíveis com a postura.

Descoberta amplia estudo da biologia marinha

O registro acrescenta novas informações ao estudo do mar profundo.

Embora essas regiões sejam associadas a ambientes escuros, frios e de baixa produtividade, a descoberta mostra que gradientes locais de calor podem ter papel relevante em etapas do ciclo de vida de algumas espécies.

Segundo os pesquisadores, o uso de calor geotérmico como apoio ao desenvolvimento embrionário de um peixe de profundidade deixa de ser apenas um indício isolado e passa a contar com um caso documentado em grande escala.

Ao mesmo tempo, a equipe evita extrapolações sobre outros ambientes semelhantes.

Até o momento, o que está demonstrado é que esse monte submarino funciona como área de postura e incubação para a raia-branca-do-Pacífico.

A observação também reforça uma avaliação recorrente entre cientistas da área: o fundo do mar ainda é pouco estudado.

Por essa razão, ambientes de difícil acesso podem abrigar estratégias reprodutivas e interações ecológicas que ainda não foram descritas de forma ampla pela literatura científica.

Conservação marinha e proteção de habitats profundos

A descoberta também amplia a discussão sobre a proteção de habitats profundos.

Montes submarinos e áreas com atividade geológica concentram biodiversidade e podem ser afetados por pressões como pesca de arrasto e projetos de exploração mineral no fundo do mar.

Em ambientes de recuperação lenta, a perda de uma área reprodutiva pode ter impacto relevante para a manutenção das populações locais.

Esse cenário é especialmente importante em espécies de crescimento lento e reprodução menos frequente, padrão comum entre peixes cartilaginosos de profundidade.

Por isso, a identificação de um berçário com essa dimensão reforça a necessidade de monitoramento e de medidas preventivas de conservação, segundo especialistas.

Ainda permanecem abertas questões sobre a frequência de uso do local, a taxa real de eclosão dos ovos e a eventual presença de outras espécies na mesma área aquecida.

Também será necessário acompanhar se a atividade vulcânica do monte se mantém estável e de que forma mudanças no sistema podem afetar o desenvolvimento embrionário.

No estágio atual das pesquisas, os dados permitem afirmar que um ambiente extremo, conhecido pelo interesse geológico, também exerce função no ciclo reprodutivo da raia-branca-do-Pacífico.

A partir desse registro, pesquisadores devem aprofundar a investigação sobre o papel de sistemas geotérmicos submarinos na reprodução de espécies do oceano profundo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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