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Cientistas da Northwestern criam “relâmpago engarrafado” com plasma em água e convertem metano em metanol em uma etapa, sem altas temperaturas e pressões, abrindo caminho para combustível mais limpo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 20/04/2026 às 18:43
Atualizado em 20/04/2026 às 18:47
Cientistas da Northwestern criam “relâmpago engarrafado” com plasma em água e convertem metano em metanol em uma etapa, sem altas temperaturas e pressões, abrindo caminho para (1)
Metanol em reator com plasma converte metano e pode reduzir dióxido de carbono sem altas temperaturas e pressões, diz estudo.
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Cientistas da Northwestern descrevem um processo que produz metanol sem altas temperaturas e pressões, com alta seletividade e potencial para reduzir emissões na cadeia do gás natural

Em 15 de abril de 2026, cientistas da Universidade Northwestern anunciaram um método que converte metano diretamente em metanol em uma única etapa, usando pulsos elétricos que geram mini rajadas de plasma dentro de tubos de vidro submersos em água, sem recorrer às altas temperaturas e pressões típicas da indústria.

O estudo, que será publicado no Journal of the American Chemical Society, descreve como a equipe usa eletricidade, água e um catalisador de óxido de cobre para produzir metanol com menor gasto energético e com a perspectiva de criar rotas mais limpas para um químico muito usado em plásticos, tintas, adesivos e também como combustível de queima mais limpa.

O que é o “relâmpago engarrafado” e por que ele virou notícia

A ideia central é simples de visualizar: pulsos de alta voltagem geram mini “raios” dentro de um reator, criando plasma em condições próximas à pressão atmosférica e sem aquecer todo o sistema. Esse plasma atua como uma ferramenta química para quebrar as ligações do metano e direcionar a formação de metanol.

O professor Dayne Swearer, autor correspondente do estudo, explica que o fenômeno se assemelha ao que ocorre em uma tempestade, mas em escala controlada dentro do reator, usando a energia elétrica para substituir calor extremo e compressão.

Por que o metanol é tão valioso para a indústria e para energia

Metanol em reator com plasma converte metano e pode reduzir dióxido de carbono sem altas temperaturas e pressões, diz estudo.

Veja o vídeo do estudo aqui.

O metanol é um dos produtos químicos mais utilizados no mundo e aparece como ingrediente-chave em cadeias industriais de alto volume.

Além disso, vem ganhando espaço como combustível líquido com queima mais limpa em aplicações como navios e caldeiras industriais, por gerar menores emissões de enxofre e de partículas em comparação com gasolina e diesel.

Na prática, o interesse não é apenas fabricar metanol, mas produzir metanol de forma mais eficiente e com menos emissões associadas, especialmente em um cenário de pressão por descarbonização.

Como o metanol é produzido hoje e por que isso custa caro em energia

Atualmente, a indústria produz metanol em um processo de múltiplas etapas. Primeiro, o metano passa por reforma a vapor em temperaturas superiores a 800 graus Celsius para virar monóxido de carbono e hidrogênio.

Depois, esses gases são recombinados sob pressões muito altas, de 200 a 300 vezes a pressão atmosférica, para formar metanol.

Esse caminho é confiável, mas consome muita energia e gera dióxido de carbono ao longo do processo. O novo método tenta encurtar a rota, eliminando as condições extremas que tornam a produção tradicional tão intensiva.

Plasma frio em água e catalisador de óxido de cobre no centro do processo

Para resolver o desafio de quebrar um gás muito estável e, ao mesmo tempo, impedir que o produto se degrade, a equipe usou plasmas frios, em que as moléculas permanecem próximas da temperatura ambiente, mas os elétrons são energizados seletivamente.

O reator descrito funciona como um “reator de bolhas” de plasma: um tubo de vidro poroso revestido com catalisador de óxido de cobre recebe fluxo de metano enquanto pulsos elétricos geram plasma. Isso cria fragmentos reativos a partir do metano e da água, que então se recombinam formando metanol.

Um detalhe decisivo é que o metanol se dissolve imediatamente na água ao redor, o que ajuda a interromper a reação no momento certo e reduz a chance de a química seguir rumo ao dióxido de carbono.

O papel do argônio e os números de seletividade do metanol

Para aprimorar o desempenho, o estudo descreve a diluição do metano com argônio. Embora seja um gás nobre, quando ionizado no plasma ele passa a participar do processo, aumentando a densidade eletrônica e reduzindo subprodutos indesejados.

Sob condições otimizadas com argônio, o sistema apresentou seletividade de 96,8% para metanol na mistura líquida. Considerando todos os produtos formados, gasosos e líquidos, cerca de 57% foram metanol. O trabalho também cita a formação de etileno e hidrogênio, além de uma pequena fração de propano.

Por que isso pode mudar a lógica de aproveitar metano no mundo real

Os pesquisadores apontam que, se o sistema for ampliado, pode viabilizar instalações menores e distribuídas, usando eletricidade para converter metano em metanol e outros produtos líquidos transportáveis.

Um exemplo citado é o de recursos isolados, como vazamentos em poços de petróleo, em que hoje uma solução comum é queimar o metano para transformá-lo em dióxido de carbono.

A proposta é que um reator de menor escala possa ser levado ao local para transformar o metano em metanol, reduzindo desperdício e criando um produto de maior valor agregado.

Próximos passos para separar e recuperar metanol com eficiência

A equipe afirma que pretende otimizar o sistema e explorar maneiras de recuperar e separar o metanol de forma eficiente como produto purificado, um passo essencial para qualquer aplicação industrial.

O estudo foi financiado por agências e fundações citadas no comunicado, incluindo o Departamento de Energia dos EUA, o Escritório de Pesquisa do Exército dos EUA e a Fundação David e Lucille Packard.

Você acha que produzir metanol em uma etapa com plasma em água tem chance real de sair do laboratório e virar solução industrial nos próximos anos?

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Carla Teles

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