Pesquisadores chineses desenvolveram plantas capazes de emitir luz em várias cores após poucos minutos de exposição solar, com potencial para substituir postes de rua em sistemas de iluminação sustentável
Cientistas da Universidade Agrícola do Sul da China anunciaram a criação de suculentas que brilham no escuro após receberem luz solar, em um processo que dura apenas alguns minutos e custa cerca de R$ 8 por planta. O estudo foi publicado na revista científica Matter, da Cell Press, na última quarta-feira (27/8).
As plantas foram tratadas com um líquido que contém micropartículas de fósforo, responsáveis por absorver energia e liberá-la lentamente no escuro. Com isso, as folhas passam a emitir cores variadas como verde, azul, vermelho e até tons dourados, mantendo um brilho intenso por até duas horas antes de precisarem de nova exposição solar.
Segundo os pesquisadores, o efeito pode ser reativado diariamente e permanece estável por mais de 15 dias, criando uma solução inovadora e de baixo custo que pode futuramente ser aplicada em projetos de iluminação urbana sustentável.
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Como funciona a bioluminescência artificial
As micropartículas utilizadas têm cerca de 7 micrômetros, equivalentes ao diâmetro de um glóbulo vermelho. Esse tamanho foi essencial para que o composto se espalhasse de forma uniforme nos tecidos das folhas sem causar danos às plantas.
O mecanismo é semelhante ao usado em brinquedos que brilham no escuro, mas adaptado para vegetais. Diferente de pesquisas anteriores, como a petúnia Firefly desenvolvida em 2024 via engenharia genética, o novo método é mais barato e possibilita brilho em várias cores.
Em testes, uma parede formada por 56 suculentas luminescentes foi capaz de iluminar objetos próximos e até permitir leitura em ambientes escuros. Conforme os cientistas, isso demonstra o potencial de escalabilidade da técnica.

Do laboratório às ruas
O pesquisador Shuting Liu, um dos autores do estudo, afirmou que o resultado foi surpreendente, destacando como um material criado em laboratório conseguiu se integrar de forma natural à estrutura vegetal. “Acho simplesmente incrível que um material inteiramente feito pelo homem, em microescala, possa se unir tão perfeitamente à estrutura natural de uma planta. A forma como ele se integra é quase mágica. Cria um tipo especial de funcionalidade. Imagine o mundo de Avatar, onde plantas brilhantes iluminam um ecossistema inteiro”, disse.
A aplicação imediata é principalmente estética, mas os especialistas acreditam que árvores e arbustos luminosos poderão substituir postes de iluminação pública no futuro, reduzindo custos de energia e diminuindo impactos ambientais.
A informação foi divulgada pelo Metropoles, com base em dados da revista Matter e em declarações oficiais da Universidade Agrícola do Sul da China.
Limitações e próximos passos da pesquisa
Apesar do entusiasmo, o processo ainda precisa ser aplicado folha por folha, o que limita sua praticidade em larga escala. Além disso, embora os testes de curto e médio prazo não tenham indicado danos às plantas, ainda faltam estudos para avaliar possíveis efeitos no longo prazo.
Outro ponto em análise é a durabilidade do brilho. Apesar de permanecer intenso por até duas horas após cada “recarga solar”, ele tende a perder força com o passar dos dias, exigindo reaplicações periódicas do composto.
Mesmo com essas restrições, os cientistas destacam que o método pode abrir caminho para novas tecnologias de bioiluminação, integrando ciência, sustentabilidade e paisagismo urbano em um único sistema.
Você gostaria de ver plantas luminosas substituindo postes de luz nas ruas do futuro? O que pensa sobre essa ideia de iluminação sustentável?

