O Jiuzhang 4.0 foi desenvolvido pela Universidade de Ciência e Tecnologia da China e descrito em estudo publicado na revista Nature em 13 de maio de 2026. O sistema resolveu o problema de amostragem de bósons gaussianos a uma velocidade 10 elevado à 54ª potência maior que a do mais rápido supercomputador.
Cientistas chineses desenvolveram um computador quântico programável capaz de resolver problemas a uma velocidade praticamente incalculável quando comparada à do supercomputador mais poderoso do planeta. O equipamento foi batizado de Jiuzhang 4.0 e teve seu desempenho descrito em estudo publicado em 13 de maio de 2026 na revista científica Nature, uma das mais prestigiadas do mundo no campo das ciências exatas. A pesquisa foi liderada pela Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC) e marca um novo recorde mundial na área de tecnologia de informação quântica óptica.
O motivo central que levou à construção do Jiuzhang 4.0 é demonstrar a chamada vantagem quântica, conceito que descreve a capacidade de um computador quântico realizar cálculos impossíveis para máquinas tradicionais em prazo viável. Para comprovar isso, os pesquisadores aplicaram o sistema ao problema matemático de amostragem de bósons gaussianos. O resultado foi uma velocidade 10 elevado à 54ª potência maior que a do supercomputador clássico mais rápido do mundo, número tão grande que rompe a capacidade humana de comparação intuitiva com qualquer máquina tradicional existente hoje no mercado.
O que é o Jiuzhang 4.0 e como ele foi desenvolvido
O Jiuzhang 4.0 é um protótipo de computador quântico programável criado pela Universidade de Ciência e Tecnologia da China. O equipamento utiliza fótons, partículas que carregam a luz, como base para realizar seus cálculos, o que o classifica dentro do ramo da computação quântica óptica.
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Diferente dos computadores tradicionais, que processam informações com bits que assumem valor zero ou um, os sistemas quânticos trabalham com qubits. Esses qubits exploram propriedades da mecânica quântica como sobreposição e emaranhamento, o que permite que múltiplos cálculos sejam realizados ao mesmo tempo, em escala impossível para qualquer arquitetura clássica.
A USTC já vinha desenvolvendo a família Jiuzhang há anos. O modelo atual representa a quarta geração da série, depois das versões anteriores que também marcaram avanços relevantes na área de tecnologia quântica chinesa. O nome Jiuzhang vem de uma antiga obra matemática chinesa, em referência à tradição milenar do país no estudo da matemática.
O salto em relação à versão anterior
O Jiuzhang 4.0 representa um avanço considerável quando comparado com a versão imediatamente anterior. A diferença mais marcante está na quantidade de fótons que o sistema consegue manipular e detectar durante os cálculos.
Os pesquisadores afirmam ter conseguido manipular e detectar estados quânticos de até 3.050 fótons, um salto significativo em relação aos 255 fótons que tinham sido alcançados com o Jiuzhang 3.0. O número de fótons é um dos principais indicadores de potência em computadores quânticos ópticos, já que mais partículas envolvidas significam capacidade computacional maior.
Esse salto entre as duas versões mostra a velocidade com que a tecnologia quântica está evoluindo. Em pouco tempo, a equipe chinesa multiplicou por quase 12 vezes a capacidade de manipulação de fótons, abrindo caminho para problemas matemáticos cada vez mais complexos serem resolvidos pelo sistema.
O problema da amostragem de bósons gaussianos
Para demonstrar a capacidade do Jiuzhang 4.0, os pesquisadores escolheram um problema matemático específico chamado de amostragem de bósons gaussianos. Trata-se de uma tarefa considerada extremamente difícil para computadores tradicionais, justamente porque exige cálculos em escala que torna a abordagem clássica impraticável.
A escolha do problema não é casual. A amostragem de bósons gaussianos é vista pela comunidade científica como referência para medir a vantagem quântica real de um sistema, ou seja, o quanto ele consegue ir além das possibilidades da computação clássica.
A velocidade alcançada pelo Jiuzhang 4.0 nesse problema é o que justifica a expressão usada pelos pesquisadores. Resolver a mesma tarefa a uma velocidade 10 elevado à 54ª potência maior que o supercomputador mais poderoso do mundo significa, na prática, que aquilo que o sistema chinês fez em minutos exigiria do equipamento tradicional um tempo astronômico, possivelmente superior à própria idade do universo.
O que significa 10 elevado à 54ª potência em termos práticos
Comparar velocidades em escala tão extrema costuma confundir até quem trabalha com matemática avançada. O número 10 elevado à 54ª potência é, em representação decimal, um 1 seguido por 54 zeros. Para fins de comparação, o número total de estrelas estimado em todo o universo observável é da ordem de 10 elevado à 24ª potência.
Isso significa que a diferença de velocidade entre o Jiuzhang 4.0 e o supercomputador clássico mais rápido é incomparavelmente maior do que a relação entre uma estrela e o universo inteiro. O número expressa não apenas uma vantagem competitiva, mas um patamar de capacidade computacional fora do alcance de qualquer máquina tradicional, hoje ou em prazos previsíveis.
Esse tipo de comparação ajuda a entender o motivo do entusiasmo na comunidade científica internacional. Quando uma tecnologia atinge esse grau de superioridade em uma tarefa específica, abre caminho para aplicações futuras que simplesmente não eram possíveis até então.
O que muda no avanço global da computação quântica
O anúncio do Jiuzhang 4.0 reposiciona a China como uma das principais potências mundiais em computação quântica. O país disputa essa liderança com os Estados Unidos, onde empresas como IBM, Google e startups especializadas também investem pesado em pesquisa quântica.
A diferença é que o sistema chinês explora um caminho específico, o da computação quântica óptica baseada em fótons. Esse modelo difere das abordagens americanas, que costumam usar qubits supercondutores ou armadilhas iônicas, e mostra que existem múltiplos caminhos tecnológicos viáveis para o futuro da computação quântica em escala global.
O fato de o estudo ter sido publicado na Nature, revista que passa por avaliação científica rigorosa, adiciona credibilidade ao anúncio. Não se trata apenas de uma comunicação de imprensa, mas de pesquisa validada pela comunidade científica internacional, o que torna a marca alcançada pelo Jiuzhang 4.0 ainda mais relevante.
As aplicações práticas que podem surgir nos próximos anos
A vantagem demonstrada no problema da amostragem de bósons gaussianos é, em si, um teste de capacidade. Mas a tecnologia que torna esse desempenho possível tem aplicações práticas que vão muito além desse problema matemático específico.
Os campos que mais se beneficiam diretamente do avanço da computação quântica incluem criptografia, simulação de moléculas para desenvolvimento de novos medicamentos, modelagem de fenômenos climáticos complexos e otimização de processos logísticos em larga escala. Em cada uma dessas áreas, problemas que hoje exigem dias ou semanas em supercomputadores tradicionais poderiam ser resolvidos em minutos com sistemas quânticos suficientemente avançados.
O Jiuzhang 4.0 ainda é um protótipo de pesquisa, não um produto comercial. Mesmo assim, o avanço demonstrado pela equipe chinesa indica que a transição entre laboratório e aplicação comercial pode acontecer em prazo menor do que se imaginava há alguns anos. Setores como farmacêutico, energético e de inteligência artificial estão entre os que mais se beneficiariam dessa transição quando ela acontecer.
O recado geopolítico por trás da pesquisa quântica
O desenvolvimento do Jiuzhang 4.0 acontece em um momento de intensa disputa geopolítica entre China e Estados Unidos no setor de tecnologia de ponta. O domínio sobre computação quântica é considerado um dos pilares centrais da próxima geração de inovação industrial, militar e científica.
Países que liderarem essa corrida tendem a obter vantagens estratégicas significativas em áreas como segurança digital, defesa nacional e competitividade econômica. O anúncio chinês do Jiuzhang 4.0 sinaliza que o país asiático não pretende ficar atrás em uma das corridas tecnológicas mais importantes do século 21, com investimentos públicos e privados pesados em pesquisa quântica nos últimos anos.
Para os Estados Unidos, a notícia adiciona pressão sobre o ecossistema americano de inovação para acelerar seus próprios avanços. A reação tende a se traduzir em mais investimentos governamentais, mais parcerias entre universidades e empresas e mais foco em pesquisa básica relacionada à computação quântica nos próximos anos.
O anúncio do computador quântico Jiuzhang 4.0 reforça o protagonismo chinês na pesquisa científica de ponta e marca um avanço relevante na corrida global pela computação quântica. A diferença de velocidade alcançada no problema da amostragem de bósons gaussianos coloca a tecnologia chinesa em um patamar inédito, com impactos potenciais em diversas áreas da ciência e da indústria nos próximos anos.
E você, o que pensa sobre essa descoberta? Acredita que a China vai liderar a próxima revolução tecnológica? Acha que o avanço da computação quântica vai mudar o seu dia a dia em poucos anos? Deixe seu comentário, compartilhe sua opinião e marque alguém que se interessa por ciência e tecnologia.

Enquanto os EUA estão usando os recursos que tem para a guerra a China está investindo em educação. E o Brasil perdendo seu tempo com políticos que só querem lucrar com a miséria !