1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Cientistas acendem o alerta para uma nova doença que afeta 10% dos idosos com mais de 65 anos
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Cientistas acendem o alerta para uma nova doença que afeta 10% dos idosos com mais de 65 anos

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/12/2025 às 19:05
cientistas alertam nova-doenca-que-esta-afetando-idosos-com-mais-de-60-anos
Mudanças nas diretrizes de diagnóstico colocam a TDP-43 (LATE) no radar: ela afeta mais de 10% dos idosos com mais de 65 anos e pode imitar Alzheimer, com perdas de memória e sinais de demência.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Mudanças nas diretrizes de diagnóstico colocam a TDP-43 (LATE) no radar: ela afeta mais de 10% dos idosos com mais de 65 anos e pode imitar Alzheimer, com perdas de memória e sinais de demência.

Uma confusão que pode mudar tudo! Se você conhece alguém que começou a esquecer coisas com frequência, ficou mais desorientado e logo veio a suspeita de Alzheimer, saiba que existe outra explicação ganhando força na medicina. Pesquisadores e autoridades de saúde estão chamando atenção para um quadro reconhecido com mais clareza nos últimos anos, justamente porque ele se parece muito com Alzheimer “por fora”, mas tem outra assinatura no cérebro. O nome é Encefalopatia TDP-43, também conhecida como LATE.

O que está por trás do novo alerta

Com o envelhecimento, é comum surgirem problemas de saúde ligados a mudanças no corpo e ao declínio do sistema imunológico. Só que, agora, a atenção se voltou para um diagnóstico que vem sendo melhor delimitado por novas diretrizes clínicas.

A LATE (sigla de “limbic predominant age-related TDP-43 encephalopathy”) passou a ser reconhecida como uma síndrome importante entre idosos, porque aparece com frequência relevante após os 65 anos.

Estimativas citadas por centros acadêmicos indicam que a LATE, com ou sem coexistência de alterações típicas de Alzheimer, afeta mais de 10% das pessoas com mais de 65 anos.

E, entre os muito longevos, o número cresce bastante, chegando a cerca de 25% a 40% em pessoas com 85 anos ou mais.

Em publicações e comunicados de pesquisa, também se destaca que ela pode afetar mais de um terço dos indivíduos acima de 85 anos.

O que os estudos observaram desde 2018

O ponto central é que a LATE está associada a um quadro de declínio cognitivo com cara de Alzheimer: a pessoa pode apresentar perdas de memória e sinais de demência.

A base dessas conclusões vem de pesquisas que analisaram dados de autópsias cerebrais e estudos anteriores — um caminho importante porque, historicamente, muitas dessas condições só ficam 100% confirmadas com avaliação neuropatológica.

Ou seja: não é que “apareceu do nada”. O que mudou foi o nível de reconhecimento e a organização dos critérios para enxergar melhor o problema.

Por que tanta gente acha que é Alzheimer?

Aqui entra um detalhe que chama atenção: muita gente chega ao consultório acreditando que o Alzheimer é a causa principal da deterioração da memória. Só que uma parte desses casos pode estar “disfarçada”.

Em uma publicação institucional ligada ao centro de referência da Universidade de Kentucky, o neurologista Greg Jicha foi direto ao ponto ao comentar a experiência clínica: “Em cerca de um em cada cinco pacientes que chegam à nossa clínica, o que antes se pensava que poderia ser Alzheimer, na verdade parece ser LATE”. Na prática, ele resume o desafio: “Pode parecer Alzheimer clinicamente — eles têm um problema de memória”.

Isso ajuda a entender por que o diagnóstico pode ser tão confuso no dia a dia, principalmente quando a avaliação se baseia apenas em sintomas.

A causa ainda é um mistério, mas o risco pode aumentar com APOE4

Apesar do avanço das pesquisas, a causa exata da LATE segue como uma incógnita. Mesmo assim, já existe um fator de risco que aparece com frequência nas discussões científicas: a variante genética Apolipoproteína E4 (APOE4).

O ponto é que a APOE4 também tem relação com o risco de Alzheimer e pode se conectar a maior propensão a condições vasculares.

Então, quando se fala em risco aumentado, o recado é simples: idosos já são o grupo mais vulnerável por idade, e alguns perfis genéticos podem elevar ainda mais essa probabilidade.

LATE “pura” x Alzheimer: o que muda de verdade?

Os sintomas podem ser parecidos, mas existem diferenças importantes.

Quando a LATE aparece “sozinha”, ela tende a ser menos agressiva do que o Alzheimer nas suas formas mais convencionais.

Por outro lado, quando as duas condições coexistem, o quadro pode acelerar e ficar bem mais pesado, com piora mais rápida e agressiva. Nesse cenário, podem aparecer complicações como psicose e incontinência urinária.

Na prática, dá para resumir assim.

No Alzheimer, é comum ver prejuízo não apenas de memória, mas também de planejamento, organização e execução de tarefas do dia a dia.

Já na LATE, o quadro costuma ficar mais concentrado em perda de memória e dificuldade para encontrar e nomear objetos.

A diferença também aparece no nível biológico. Enquanto o Alzheimer envolve placas de amiloide e a proteína tau, a LATE está ligada a acúmulos anormais da proteína TDP-43, que é justamente a “assinatura” dessa Encefalopatia.

Como o diagnóstico entra em cena hoje

Mesmo com todo o progresso, existe um ponto sensível: ainda é difícil cravar LATE com total certeza em vida, e por isso os especialistas trabalham com combinações de indícios.

De modo geral, a avaliação pode envolver imagens cerebrais (com atenção para alterações no hipocampo e regiões ligadas à memória), testes e biomarcadores voltados para a patologia do Alzheimer e, principalmente, uma análise cuidadosa: os sintomas cognitivos parecem mais com LATE do que com Alzheimer?

Isso não é um detalhe burocrático. É uma diferença que pode influenciar diretamente as decisões clínicas.

Um alerta importante sobre tratamento: nem todo “remédio de Alzheimer” faz sentido aqui

No texto-base, há um ponto essencial que merece ficar muito claro: pacientes com LATE não devem ser tratados como se tivessem Alzheimer quando não há evidência de amiloide.

Isso porque parte dos tratamentos mais modernos do Alzheimer é desenhada para atingir alvos específicos, como a proteína beta-amiloide.

Hoje, por exemplo, há terapias anti-amiloide (anticorpos monoclonais) voltadas para remover ou reduzir placas de amiloide no cérebro.

Então, se o paciente não tem esse alvo (isto é, se os testes não apontam amiloide), a lógica do tratamento muda completamente.

Por isso, quando o diagnóstico aponta mais para LATE do que para Alzheimer, a conduta precisa ser ajustada com critério, para evitar estratégias que miram um mecanismo que não está presente naquele caso.

O que você pode tirar disso tudo

A discussão sobre LATE cresce justamente porque ela ajuda a explicar uma parte dos casos em que a história clínica parece Alzheimer, mas a biologia do cérebro conta outra história.

Para idosos e famílias, isso significa uma coisa bem objetiva: insistir em avaliação cuidadosa, com investigação de biomarcadores quando indicado, pode evitar diagnósticos imprecisos e orientar melhor as próximas etapas.

Se você tem alguém na família com mais de 65 anos enfrentando problemas de saúde ligados à memória, vale levar essa conversa ao médico e perguntar, com calma e sem paranoia: “Existe chance de ser outra condição além de Alzheimer, como LATE?”

Você já tinha ouvido falar dessa Encefalopatia (LATE) ou já viu alguém ser tratado como Alzheimer sem muita certeza? Deixe um comentário com sua experiência e compartilhe esta publicação com quem cuida de idosos — isso pode ajudar mais gente a buscar diagnóstico correto.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x