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Cientista descobre estruturas antigas e bizarras em rochas a 180 metros de profundidade e com 180 milhões de anos que não deveriam estar lá e muda a busca pela primeira vida na Terra

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 08/02/2026 às 19:17 Atualizado em 08/02/2026 às 19:18
vida na Terra Cientista descobre estruturas antigas e bizarras em rochas a 180 metros de profundidade e com 180 milhões de anos que não deveriam estar lá e muda a busca pela primeira vida na Terra
Scientist accidentally stumbles across bizarre ancient ‘wrinkle structures’ in Morocco that shouldn’t be there
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Uma identificação de marcas fósseis de colônias microbianas, em Marrocos, provocou uma mudança na busca por sinais da vida mais antiga e chamou atenção de pesquisadores em todo o mundo.

A cena parece simples mas mudou a busca pela primeira vida na Terra : uma pesquisadora caminhando por rochas no Vale do Dades, no Marrocos, e notando “rugas” que lembravam pequenas ondulações no chão. Só que o detalhe visual não batia com o lugar onde aquilo apareceu.

O que chamou atenção foi o contraste: essas marcas costumam ser associadas a tapetes microbianos que crescem em águas rasas, onde a luz ainda alimenta bactérias fotossintéticas. Só que as rochas do achado vinham de um ambiente bem mais fundo.

E aí entra o impacto: se esses registros realmente foram gerados por vida, a “zona de caça” dos sinais mais antigos pode ser maior do que muita gente imaginava, incluindo áreas profundas e instáveis do oceano antigo.

O que apareceu nas montanhas do Alto Atlas e por que isso virou assunto

As estruturas enrugadas foram encontradas na região do Alto Atlas Central, no Marrocos. O detalhe importante é o tipo de rocha: turbiditos, depósitos formados por deslizamentos submarinos, aqueles fluxos de detritos que despencam de áreas continentais rumo ao oceano profundo.

Os pesquisadores se surpreenderam porque esse “desenho” costuma ser associado a tapetes microbianos em locais mais tranquilos e iluminados. Aqui, a assinatura apareceu onde, em tese, não deveria aparecer.

Um dado muda tudo: 180 metros de profundidade e 180 milhões de anos

Os turbiditos que guardam essas marcas estavam, quando foram depositados, a pelo menos 590 pés, cerca de 180 metros, abaixo da superfície. E isso aconteceu há aproximadamente 180 milhões de anos.

Esse número é o que vira a chave da história. Em um ambiente tão profundo, praticamente não entraria luz suficiente para sustentar fotossíntese. Então, se houve vida ali, ela teria que funcionar de outro jeito.

Por que não era fotossíntese e o que a química das rochas entregou

A leitura inicial lembrava tapetes microbianos fotossintéticos, aqueles “tapetes” em camadas que se formam em sedimentos de lagos e mares. Só que a profundidade joga contra essa hipótese.

A pista veio da química: as análises indicaram altos níveis de carbono nas camadas onde as rugas aparecem. Esse é um sinal associado a atividade biológica, reforçando que as estruturas foram moldadas por vida, e não só por física e sedimento.

Os pesquisadores apontaram que essa comunidade provavelmente era quimiossintética, ou seja, obtinha energia por reações químicas e não pela luz, possivelmente usando enxofre ou outros compostos disponíveis no ambiente.

O papel dos deslizamentos submarinos no “ciclo” que alimentava os micróbios

Aqui vem o mecanismo que deixa tudo mais interessante. Os deslizamentos que saíam do continente rumo ao fundo do mar puxavam matéria orgânica para baixo. Essa matéria se decompunha e gerava compostos como metano ou sulfeto de hidrogênio, um prato cheio para vida quimiossintética.

Entre um deslizamento e outro, os tapetes microbianos conseguiam crescer. Em alguns momentos, um novo fluxo de detritos poderia apagar tudo. Em outros, as marcas ficavam preservadas no registro rochoso, como um carimbo do que viveu ali.

O que muda na busca pela vida mais antiga e o que pode acontecer agora

O recado do achado é direto: estruturas enrugadas não precisam ficar restritas a formações rasas. A recomendação é ampliar a busca também para rochas que se formaram em águas profundas, inclusive em ambientes instáveis ligados a turbiditos.

Na prática, isso abre uma janela para entender melhor organismos quimiossintéticos antigos e como eles poderiam ter se estabelecido em cenários onde a luz não manda em nada.

No fim, a história toda volta para uma frase simples: essas estruturas enrugadas viram evidência importante para discutir os primeiros passos da evolução da vida.

Esse achado no Marrocos chama atenção porque junta três coisas difíceis de ver no mesmo lugar: profundidade, instabilidade e um registro fóssil delicado que, mesmo assim, ficou marcado. E quando um detalhe que “não deveria estar ali” aparece, ele força a ciência a recalibrar o mapa onde procura respostas.

Essa pista faz mais sentido como uma exceção rara preservada por sorte, ou como sinal de que ainda tem muito registro escondido em rochas de águas profundas? Conte-nos o que você acha parecer mais provável.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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