Cappa expõe fósseis de 233 milhões de anos encontrados na Quarta Colônia e consolida dinossauros do Brasil como os mais antigos do mundo no Geoparque reconhecido pela Unesco
O Cappa, Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia, em São João do Polêsine, reúne fósseis de 233 milhões de anos e reforça a relevância dos dinossauros do Brasil como os mais antigos já identificados, impulsionando o turismo científico no Rio Grande do Sul.
Dinossauros do Brasil colocam a Quarta Colônia no centro das pesquisas mundiais
Localizado em um município com cerca de 2.700 habitantes, na região central do Rio Grande do Sul, o Cappa pertence à Universidade Federal de Santa Maria.
O espaço apresenta fósseis originais e imagens simuladas de espécies encontradas na própria região e em cidades vizinhas.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
Entre os exemplares expostos estão ossos e reconstruções do Buriolestes schultzi e do Gnathovorax cabreirai, ambos descobertos em São João do Polêsine.
Também integra o acervo o Macrocollum itaquii, localizado no município de Agudo, igualmente integrante da Quarta Colônia.
Pesquisadores da UFSM e de uma universidade da Inglaterra analisaram os materiais. Os achados pertencem ao período triássico e são considerados os mais antigos do mundo já descobertos, consolidando a região como berço mundial dos dinossauros.
Espécies identificadas e características dos fósseis
O Buriolestes schultzi tinha cerca de um metro e meio de comprimento e era carnívoro. Os testes indicaram que viveu há 233 milhões de anos.
O nome científico faz referência à família Buriol, proprietária das terras onde o fóssil foi encontrado.
O Gnathovorax cabreirai também viveu há aproximadamente 233 milhões de anos. Carnívoro, media cerca de dois metros e meio de comprimento.
Foi localizado em terras da família Marchezan e descoberto pelo paleontólogo Sérgio Furtado Cabreira.
Já o Macrocollum itaquii era herbívoro, com cerca de quatro metros de comprimento. Descoberto em Agudo, o fóssil possui todas as partes do corpo preservadas no Cappa, conforme destacou o pesquisador Jhonata Martins, biólogo e doutorando em paleontologia pela UFSM.
Novo fóssil encontrado após enchente de 2024
Em 2024, após a grande enchente de maio que afetou a região, pesquisadores localizaram em São João do Polêsine fósseis de outro dinossauro.
Segundo o paleontólogo Rodrigo Temp Müller, da UFSM, trata-se de um animal do grupo Herrerasauridae.
Esse grupo corresponde a carnívoros que viveram há cerca de 230 milhões de anos. Os fósseis permanecem no Cappa para análise.
O achado reforça a relevância científica dos dinossauros do Brasil na compreensão das origens dessas espécies.
Além de dinossauros, o centro abriga fósseis de cinodontes, dicinodontes e rincossauros. Um dos destaques é o Exaeretodon riograndensis, com 233 milhões de anos.
Trata-se de um animal gigante, com até 14 metros de comprimento, ligado a uma linhagem de jacarés anterior aos dinossauros.
Turismo científico impulsiona a região
O Cappa se consolidou como uma das principais atrações turísticas do Rio Grande do Sul. O centro funciona diariamente das 9h às 11h30min e das 13h30min às 17h, inclusive em fins de semana e feriados, recebendo visitantes do Brasil e do exterior.
Cidades da região também investem em réplicas para atrair turistas. Em São João do Polêsine, a praça ao lado da igreja exibe esculturas do Buriolestes schultzi e do Gnathovorax cabreirai, além de outra espécie regional.
Em Faxinal do Soturno, a Fundação Ângelo Bozzetto implantou o Parque dos Dinossauros, com cinco grandes esculturas de espécies encontradas em municípios do Geoparque da Quarta Colônia.
Reconhecido como geoparque mundial pela Unesco, o território reúne nove municípios do Centro do Rio Grande do Sul.
As referências paleontológicas, especialmente os dinossauros do Brasil, são apontadas como principais atrativos internacionais da área, que também inclui cultura imigrante, gastronomia típica, turismo religioso e estação de águas termais.
Com informações de NSC Total.

