Capital da Amazônia lidera ranking nacional de poluição do ar em 2024, com índice muito acima do recomendado pela OMS e impacto direto das queimadas florestais que se intensificam no período de estiagem e agravam riscos à saúde pública.
A capital de Rondônia lidera um ranking preocupante de qualidade do ar no país.
Segundo relatório divulgado pela IQAir com base nos dados consolidados de 2024, Porto Velho registrou média anual de 29,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de PM2.5, o maior índice entre as cidades brasileiras monitoradas pela empresa no período.
O valor é quase seis vezes superior ao limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde, que recomenda concentração anual máxima de 5 µg/m³ para esse tipo de poluente.
-
Sem fábrica gigante e sem franquia famosa, estudante mineira de 21 anos largou o estágio para vender geladinhos artesanais em Montes Claros e viu a brincadeira de fim de semana virar loja própria de R$ 100 mil por mês
-
Inspirado no voo dos pássaros, robô sem hélices plana em correntes de ar de até 10 metros por segundo, resiste a empurrões laterais, corrige o próprio equilíbrio e promete economizar energia em inspeções industriais, balões meteorológicos e futuras operações aéreas
-
Escondidos dentro de um shopping em funcionamento, oito artistas transformaram uma área invisível em apartamento clandestino de quase 70 m² com móveis, convivência e criação artística durante quatro anos
-
Dentro de um ovo gigante de madeira no Reino Unido, artista viveu sobre um rio com cama, fogão e mesa para acompanhar marés, clima e mudanças ambientais todos os dias
A comparação coloca a capital rondoniense em situação mais crítica do que grandes centros urbanos como São Paulo, historicamente associados a altos níveis de poluição.
PM2.5 e os riscos da poluição do ar para a saúde
O PM2.5, sigla para material particulado fino com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, é apontado por especialistas como um dos contaminantes atmosféricos mais nocivos à saúde.
Por ser extremamente pequeno, consegue penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea, elevando o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.

A exposição prolongada a altos níveis desse poluente está associada ao aumento de casos de asma, bronquite e infecções respiratórias.
Também há registros de agravamento de doenças cardiovasculares, especialmente em pessoas com condições pré-existentes.
Crianças, idosos e indivíduos com doenças crônicas figuram entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da má qualidade do ar.
Durante períodos de fumaça intensa, unidades de saúde costumam registrar crescimento na procura por atendimento relacionado a sintomas respiratórios.
Tosse persistente, irritação nos olhos, falta de ar e crises alérgicas tornam-se queixas recorrentes nessas fases mais críticas.
Queimadas na Amazônia impulsionam piora da qualidade do ar
O avanço das queimadas na Amazônia aparece como principal fator para a deterioração da qualidade do ar em Porto Velho ao longo de 2024.
Durante a estiagem, que costuma se intensificar entre os meses de junho e outubro, a fumaça produzida pelos incêndios florestais se espalha com facilidade e permanece sobre a cidade por dias consecutivos.
Nessas condições, a combinação de clima seco, focos ativos de incêndio e padrões regionais de vento forma uma camada densa de poluentes sobre o perímetro urbano.
O resultado é a redução da visibilidade, o aumento da concentração de fuligem no ar e a piora dos indicadores ambientais.
Além dos incêndios em áreas de floresta e pastagem, fontes urbanas também contribuem para o cenário.
Emissões veiculares e determinadas atividades industriais ampliam a carga de poluentes, especialmente em períodos de maior estabilidade atmosférica, quando há menos dispersão.
Relatórios ambientais indicam que episódios críticos de fumaça têm se tornado mais frequentes nos últimos anos na região Norte.
Ainda que a intensidade varie de um ano para outro, a recorrência das queimadas reforça o impacto estrutural desse fenômeno sobre a saúde pública.
Extensão territorial amplia vulnerabilidade ambiental
Com cerca de 34 mil quilômetros quadrados de extensão territorial, Porto Velho está entre os maiores municípios do Brasil em área.
A população estimada gira em torno de 460 mil habitantes, concentrados principalmente na zona urbana, cercada por vastas áreas rurais e florestais.
Essa configuração geográfica influencia diretamente a dinâmica da poluição atmosférica.
A proximidade com áreas de vegetação sujeitas a incêndios facilita o deslocamento da fumaça até regiões habitadas.
Em períodos críticos, bairros inteiros permanecem sob névoa por vários dias consecutivos.
Embora a densidade demográfica seja relativamente baixa quando comparada a capitais do Sudeste, a exposição a poluentes não depende apenas do número de habitantes.
A localização estratégica no chamado arco do desmatamento coloca a cidade em posição sensível frente às transformações ambientais na Amazônia.
Economia regional e desafios de infraestrutura urbana

Porto Velho concentra o maior Produto Interno Bruto de Rondônia e desempenha papel estratégico na economia regional.
Setores como energia, comércio e serviços impulsionam a atividade econômica local e ampliam a relevância da capital no cenário estadual.
Por outro lado, a cidade enfrenta entraves históricos em infraestrutura básica, especialmente no saneamento.
O acesso desigual à água tratada e à rede de esgoto agrava vulnerabilidades sociais e sanitárias em diferentes bairros.
Em um ambiente onde fatores ambientais e estruturais se sobrepõem, a população acaba exposta a múltiplos riscos.
Especialistas em saúde pública alertam que a combinação entre poluição do ar e deficiências em saneamento pode potencializar impactos negativos, sobretudo em comunidades com menor acesso a serviços essenciais.
O levantamento da IQAir utiliza dados coletados por estações de monitoramento e sensores distribuídos em diferentes cidades, permitindo a consolidação de médias anuais comparáveis.
No caso de Porto Velho, o índice de 29,5 µg/m³ em 2024 evidencia exposição prolongada da população a níveis elevados de poluentes, acima dos parâmetros internacionais recomendados.
A redução desses indicadores depende de medidas que envolvem controle de queimadas, fiscalização ambiental e políticas públicas voltadas à prevenção de incêndios florestais.
Enquanto isso, moradores convivem com episódios recorrentes de fumaça durante a estação seca, em um cenário que combina pressão ambiental e desafios estruturais permanentes.

