Reconhecimento nacional coloca Chapecó no topo da limpeza urbana, com indicadores que combinam cobertura elevada, sustentabilidade financeira e destinação ambiental correta, destacando o município entre os poucos do país que atingem padrão considerado alto em gestão de resíduos sólidos.
Chapecó assumiu a liderança nacional da limpeza urbana entre os municípios com mais de 250 mil habitantes ao alcançar nota 0,792 no levantamento mais recente do Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), divulgado pela Abrema com base em dados de 2025.
O resultado colocou a cidade catarinense na faixa de conceito “Alto”, grupo em que aparecem apenas 7% dos municípios brasileiros avaliados pelo indicador.
Ranking nacional de limpeza urbana e desempenho de Chapecó
A classificação destaca um conjunto de indicadores ligados à prestação do serviço, ao equilíbrio financeiro do sistema e ao destino dado aos resíduos.
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No caso de Chapecó, a cobertura da coleta domiciliar chega a cerca de 95% da população, enquanto o município também aparece com 27% de taxa de recuperação de resíduos e 100% de destinação final ambientalmente adequada, dois dos números mais enfatizados na divulgação do resultado.
Esses dados ganham peso porque o ISLU foi criado justamente para medir o grau de aderência dos municípios às metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos, a lei federal que orienta a gestão adequada da limpeza urbana no país.
Segundo a Abrema, o índice funciona como uma ferramenta estatística para avaliar se as cidades conseguem transformar em prática pontos como coleta, recuperação de materiais, sustentabilidade econômico-financeira e redução do passivo ambiental ligado ao descarte irregular.
Como funciona o índice de sustentabilidade da limpeza urbana
Na metodologia do levantamento, a nota final resulta da combinação de quatro dimensões.
Entram no cálculo a sustentabilidade financeira do serviço, a abrangência do atendimento à população, a taxa de recuperação dos resíduos coletados e o impacto ambiental associado à destinação.
Em outras palavras, não basta recolher o lixo: o desempenho melhora quando a cidade consegue financiar o sistema, ampliar a cobertura, recuperar parte do material e impedir que os resíduos terminem em lixões ou estruturas inadequadas.
Foi nesse conjunto que Chapecó se destacou.
A prefeitura informou que o sistema local consegue custear integralmente as despesas com o manejo de resíduos sem necessidade de subsídios, um dado que ajuda a explicar o desempenho em um dos eixos mais sensíveis do saneamento urbano.
Ao mesmo tempo, a recuperação de 27% dos resíduos aparece, nas divulgações sobre o ranking, como um índice próximo dos níveis máximos considerados possíveis para reciclagem em escala municipal.
Cidade de grande porte e desafios da coleta urbana
O resultado também projeta Chapecó em um recorte relevante do país.
O município tinha 282.648 habitantes na estimativa do IBGE para 2025 e permanece entre as maiores cidades de Santa Catarina, o que torna mais expressivo o desempenho obtido em uma categoria reservada a centros urbanos de maior porte.
Em cidades maiores, o desafio logístico tende a crescer com a expansão territorial, o adensamento de bairros e o aumento da geração diária de resíduos.
Ao comentar a colocação, o prefeito João Rodrigues afirmou que a administração chamou a empresa responsável pela coleta, cobrou melhorias no serviço, ampliou ações de educação ambiental e investiu em equipamentos como trituradores, além da implantação de lixeiras subterrâneas.
“Chamamos a empresa responsável, cobramos melhorias, investimos em educação ambiental e em equipamentos como trituradores, além da implantação de lixeiras subterrâneas”.
Na mesma divulgação, a gerente de resíduos sólidos, Graciela Heckler, atribuiu parte do resultado ao envolvimento dos moradores no descarte correto.
“É fundamental reconhecer o envolvimento da população, que tem feito o descarte correto”.
Destinação ambiental adequada e cenário nacional
Embora a liderança de Chapecó chame atenção, o pano de fundo nacional continua desafiador.
Publicações da própria Abrema mostram que a gestão de resíduos no Brasil ainda convive com dificuldades históricas, entre elas a persistência de destinação inadequada em parte dos municípios e o ritmo insuficiente para cumprir integralmente metas previstas na política nacional.
Nesse cenário, resultados acima da média em cidades grandes ganham relevância porque indicam caminhos de organização administrativa e de prestação de serviço que conseguem se sustentar com maior regularidade.
O desempenho catarinense também não se limita a um caso isolado.
Reportagens publicadas após a divulgação do ISLU 2025 mostram que Santa Catarina colocou quatro cidades no grupo dos municípios com melhor avaliação entre os que superam 250 mil habitantes: Chapecó, Florianópolis, São José e Joinville.
Ainda assim, foi Chapecó quem apareceu no topo da lista nacional nessa faixa populacional, consolidando a cidade como principal referência do estado no ranking deste ciclo.
No caso chapecoense, o dado de 100% de destinação final ambientalmente adequada tem peso especial porque esse indicador se relaciona diretamente com saúde pública e proteção ambiental.
Quando o resíduo coletado segue para estruturas compatíveis com a legislação, o município reduz o risco de contaminação do solo e da água, evita a manutenção de áreas degradadas e melhora a aderência às exigências legais para o manejo de resíduos sólidos urbanos.
A combinação entre cobertura elevada da coleta, financiamento integral do serviço, recuperação de materiais e destinação final adequada ajuda a explicar por que Chapecó ultrapassou outros grandes municípios no levantamento.
Mais do que um reconhecimento simbólico, a colocação expõe indicadores concretos de operação e mostra como o município conseguiu converter gestão, infraestrutura e participação social em nota alta dentro de um sistema nacional que mede desempenho com base em dados públicos.

