Destino tradicional do litoral paulista enfrenta histórico prolongado de praias consideradas impróprias para banho, enquanto se prepara para receber milhões de turistas no fim do ano, em meio a alertas sanitários, desafios de saneamento e cobranças por soluções estruturais.
Santos, no litoral de São Paulo, entra na reta final do ano com a expectativa de receber milhões de visitantes, impulsionada por férias, altas temperaturas e a programação de Réveillon.
Ao mesmo tempo, relatórios de balneabilidade apontam um histórico de classificação negativa para as praias do município, com risco ampliado de adoecimento quando a água do mar apresenta contaminação fecal e o banho é desaconselhado.
A avaliação citada no texto tem como base o balanço anual da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb.
-
R$ 5 mil espalhados pela rua, uma carteira perdida e uma decisão honesta: o caso em Goiás que emocionou até quem Só leu a história
-
Inconformado em ver gente dormindo na rua, um homem chamado Ryan Donais passou a construir pequenas casas móveis para que moradores em situação de rua escapem do frio, cada uma com cama, água corrente, eletricidade e aquecimento
-
ET no Paraná? Após vídeos intrigantes, sons misteriosos na mata e teorias que dominaram as redes sociais, FAB revela o que seus radares registraram e aumenta o mistério sobre suposto OVNI visto em Campo Largo
-
Na Coreia do Norte, moradores levam garrafas, plástico, tecido, papel e metal para lojas de reciclagem e trocam lixo por produtos enquanto sanções, fronteiras fechadas e queda de mais de 80% no comércio com a China pressionam o país a substituir importações
O levantamento não considera apenas um boletim pontual, mas o comportamento da praia ao longo de 12 meses, a partir de coletas e análises microbiológicas regulares.
Nesse método, a frequência de semanas com a água em condição inadequada tende a derrubar a média anual, mesmo quando há melhora em períodos específicos.
Como funciona a classificação da Cetesb sobre balneabilidade
O programa de balneabilidade da Cetesb classifica semanalmente as praias como próprias ou impróprias para recreação de contato primário.
Esse tipo de recreação envolve contato prolongado e direto com a água do mar.
A análise se baseia em microrganismos indicadores de contaminação fecal, utilizados porque sinalizam a possível presença de agentes capazes de provocar doenças.
Além do boletim semanal, a Companhia consolida uma classificação anual, construída a partir da distribuição dos resultados ao longo do ano.
Na prática, o balanço anual busca responder não apenas como está a praia em um momento específico, mas como ela se comportou no conjunto do período.
Esse critério é usado para orientar decisões técnicas e políticas públicas em cidades com grande pressão turística.
No texto original, a informação de que Santos teria passado uma década sem praias próprias na média anual é atribuída ao boletim anual do órgão e a reportagens publicadas recentemente.
Coliformes fecais, esgoto e riscos à saúde dos banhistas
Quando corpos d’água contaminados por esgoto doméstico alcançam o mar, banhistas podem ficar expostos a microrganismos patogênicos.
Crianças, idosos e pessoas com menor resistência imunológica estão entre os grupos mais suscetíveis, segundo a própria Cetesb.
Nesse cenário, a ocorrência mais comum associada à água poluída por esgoto é a gastroenterite, com sintomas como enjoo, vômitos, dores abdominais, dor de cabeça e febre.
A diarreia é a manifestação mais frequente nesse tipo de exposição.
Ainda assim, a Companhia registra que também podem ocorrer infecções em olhos, ouvidos, nariz e garganta.
A situação tende a se agravar quando córregos contaminados, ligações irregulares de esgoto e resíduos lançados nos canais chegam ao mar.
Além disso, fatores como chuvas intensas e fontes de poluição fecal têm papel relevante na variação dos resultados ao longo do ano.
Boqueirão e Aparecida concentram avaliações mais negativas
Entre as praias citadas no texto, o Boqueirão aparece como o trecho mais crítico na série de 2014 a 2023.
Nesse período, a praia recebeu repetidas classificações “ruim” e “péssima”.
Já a praia de Aparecida também apresentou histórico negativo, embora com desempenho considerado menos grave dentro do conjunto avaliado.
Esses recortes constam no texto enviado e em reportagens que abordam o tema.
Por outro lado, o detalhamento técnico desses resultados não aparece de forma individualizada no material público resumido da Cetesb consultado.
Enquanto isso, o órgão ambiental mantém a orientação de que o acompanhamento da balneabilidade deve ser feito de forma contínua.
A recomendação é observar boletins atualizados e a sinalização instalada ao longo da orla, já que a condição da água pode mudar rapidamente de uma semana para outra.
Vila Gilda expõe gargalos históricos de saneamento
O texto relaciona a poluição das praias à realidade do Dique da Vila Gilda, área de palafitas localizada em Santos.
No local, a ausência de infraestrutura formal de esgoto faz com que parte dos efluentes seja despejada diretamente no ecossistema de mangue.
A consequência envolve impactos ambientais, riscos à saúde pública e prejuízos diretos para a qualidade de vida de quem vive na região.
A Prefeitura de Santos afirma que existe um plano de urbanização para a área.
Segundo a administração municipal, em 25 de novembro foi assinado um termo de cooperação técnica com a Sabesp para implantar, a partir de janeiro de 2026, sistemas completos de esgotamento sanitário e distribuição de água nas palafitas.
A previsão divulgada é de cerca de 2,5 mil ligações regulares.
A Prefeitura informa ainda que a intervenção será priorizada na comunidade e integra o projeto-piloto de revitalização do Parque Palafitas, reconhecido nacionalmente como “Solução Inovadora para Habitação”.
No mesmo posicionamento, o município atribui à rede coletora de esgoto o principal peso sobre os níveis de balneabilidade das praias.
A administração afirma que Santos possui 99% de cobertura de esgoto, com exceção das áreas subnormais.
O material coletado, segundo a Prefeitura, passa por pré-tratamento antes de ser lançado pelo emissário submarino a 4,5 quilômetros da costa.
Turismo intenso e pouca informação sobre a qualidade da água
Mesmo com o histórico de contaminação apresentado, Santos segue como um dos destinos mais tradicionais do litoral paulista.
A reportagem original menciona a expectativa de 3,5 milhões de visitantes no período de fim de ano, com base em estimativa da Prefeitura.
Em dados divulgados pelo próprio município em temporadas recentes, a Cidade informou ter recebido mais de 3,3 milhões de turistas entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025.
Os números ajudam a dimensionar a pressão sobre a orla, os serviços públicos e o sistema de saneamento.
Nesse contexto, a Cetesb reforça que a classificação “imprópria” indica comprometimento da qualidade sanitária da água.
A orientação oficial é não entrar no mar nessas condições, devido ao aumento do risco à saúde.
Ainda assim, o texto descreve que parte dos frequentadores vai à praia sem conhecer a classificação mais recente ou sem perceber as placas de alerta instaladas ao longo da orla.
Privatização da Sabesp e promessa de avanços estruturais
A Prefeitura também cita a privatização da Sabesp como um fator que pode ampliar investimentos no setor.
Segundo o município, a mudança deve acelerar a universalização do saneamento no estado até 2029, em linha com metas associadas ao Marco Legal do Saneamento.
A expectativa é de que os investimentos contribuam para melhorias estruturais de longo prazo, incluindo reflexos na qualidade das praias.
Com a proximidade do Réveillon e a cidade se preparando para receber multidões, o contraste entre turismo de massa e alertas sanitários volta ao centro do debate local.
Que tipo de informação, fiscalização e transparência são necessárias para que quem chega à orla compreenda, de forma clara, o significado de uma praia classificada como imprópria antes de entrar no mar?

Em Santos temos aniversário submarino que nada mais é que esgoto lançado no mar mais para frente um pouco em Mongaguá temos os esgotos que desembocam na praia a céu aberto… A Sabesp e a CETESB podia cuidar disso não?