Sob 75 metros de profundidade, a Jianghai começou a perfurar o leito do Yangtzé com dimensões colossais e meta de 9,3 km, em um projeto que amplia a força chinesa em obras de alto risco
A China colocou em operação uma tuneladora gigante para abrir passagem sob o rio Yangtzé em um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos do país. O equipamento chama atenção pelo porte e pelo objetivo de acelerar uma conexão viária estratégica entre duas cidades da província de Jiangsu.
Com 145 metros de comprimento, 16,6 metros de diâmetro e cerca de 5 mil toneladas, a máquina foi projetada para trabalhar em profundidade, sob forte pressão de água e em terrenos mistos de alta complexidade. É exatamente esse conjunto que transformou a obra em vitrine de megaengenharia.
O impacto vai além do tamanho da escavação. Quando estiver concluído, o corredor deve reforçar a mobilidade entre áreas importantes do delta do Yangtzé e encurtar deslocamentos em uma das regiões mais dinâmicas da economia chinesa.
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Jianghai reúne 145 metros de extensão, 16,6 metros de diâmetro e porte industrial fora do comum
A tuneladora Jianghai foi desenvolvida na China para operar em um patamar extremo de escavação. O equipamento combina corpo de 145 metros, diâmetro máximo de 16,6 metros e peso aproximado de 5 mil toneladas, números que a colocam entre as maiores máquinas do tipo já lançadas no país.
Além do porte, o projeto exigiu um cabeçote de corte gigantesco, pensado para atravessar longos trechos de solo argiloso, areia fina e camadas instáveis sob o leito do rio. Em obras desse tipo, cada detalhe do conjunto mecânico influencia diretamente a segurança e a velocidade da escavação.

Túnel terá 39,07 km no total e 11,185 km de trecho subaquático sob o Yangtzé
A obra está ligada ao Haitai Yangtze River Tunnel, corredor com 39,07 km de extensão total. Dentro desse pacote, o trecho sob a água soma 11,185 km, o que ajuda a explicar por que o projeto entrou no radar internacional da engenharia pesada.
O traçado foi concebido para conectar Haimen, em Nantong, a Taicang, em Suzhou. Na prática, isso reforça uma ligação terrestre relevante em uma região marcada por forte atividade industrial, logística e urbana.
Escavação de 9,315 km enfrenta 75 metros de profundidade e pressão intensa de água
Segundo Xinhua, agência estatal de notícias da China, a Jianghai entrou em operação em 9 de abril de 2025 para abrir o que o país descreve como o mais longo túnel rodoviário subaquático escavado com esse tipo de máquina. A frente de escavação prevista para a tuneladora chega a 9,315 km em um único avanço contínuo.
As condições técnicas estão longe de ser simples. O túnel alcança cerca de 75 metros de profundidade máxima e enfrenta pressão de água de até 0,75 MPa, além de formações geológicas que misturam lodo, argila siltosa e areia fina. Esse cenário exige controle milimétrico durante toda a operação.
Projeto foi desenhado para seis faixas e velocidade de 100 km por hora

O túnel foi planejado como uma ligação de seis faixas em mão dupla, com velocidade de projeto de 100 km por hora no trecho subterrâneo. Isso mostra que a proposta não é apenas construir uma passagem sob o rio, mas criar uma rota de alto desempenho para absorver grande volume de tráfego.
Em termos práticos, a obra deve ampliar a capacidade de circulação entre polos urbanos e produtivos que já concentram forte movimentação econômica. Em regiões densas como o delta do Yangtzé, ganhos desse tipo costumam ter efeito direto sobre logística, tempo de viagem e integração regional.
Entrega prevista para 2028 reforça a aposta chinesa em obras de escala colossal
A conclusão do empreendimento vem sendo apontada para 2028, dentro de um cronograma plurianual que combina escavação profunda, estruturas de acesso e integração com o sistema viário local. Em projetos dessa escala, o desafio não está só em perfurar, mas em manter precisão e estabilidade ao longo de quilômetros.
O resultado esperado é uma nova peça de infraestrutura com peso estratégico para Jiangsu. Ao colocar uma máquina desse porte em operação e avançar sobre um trecho subaquático tão longo, a China reforça sua vitrine de megaengenharia e amplia sua capacidade de executar obras que poucos países tentam nesse nível.
A entrada da Jianghai em campo transforma números impressionantes em obra real. O que parecia apenas demonstração de força industrial agora avança no subsolo, sob água, em uma região onde mobilidade e infraestrutura têm peso econômico imediato.
Se o cronograma for mantido, o projeto deve entregar muito mais que um túnel de grandes dimensões. Ele pode consolidar uma nova ligação viária de alta capacidade e ampliar a leitura de que a China segue usando obras colossais para reorganizar território, logística e competitividade regional.
