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China instala 18 turbinas eólicas no Tibete, enfrenta frio extremo e coloca usina de 100 MW em operação a 5.020 metros de altitude média

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Escrito por Ana Alice Publicado em 05/11/2026 às 20:00 Atualizado em 05/11/2026 às 20:03
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China conecta usina eólica de 100 MW à rede no Tibete, com 18 turbinas a 5.020 metros de altitude média e baterias para armazenar energia. - Imagem: Ilustrativa via I.A
China conecta usina eólica de 100 MW à rede no Tibete, com 18 turbinas a 5.020 metros de altitude média e baterias para armazenar energia. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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Construído em uma das regiões mais altas do planeta, parque eólico chinês superou frio intenso, ar rarefeito e dificuldades para transportar equipamentos gigantescos. Projeto combina 18 turbinas com baterias para reforçar o fornecimento de eletricidade.

Instalar uma turbina eólica já exige transportar equipamentos enormes, preparar fundações resistentes e movimentar peças de grande peso a dezenas de metros do chão. Agora, imagine realizar todo esse trabalho em uma região onde o ar é rarefeito, o frio é intenso e o vento pode impedir a operação dos guindastes.

Foi esse o desafio enfrentado pela China para construir uma nova usina de energia eólica no Tibete, a 5.020 metros de altitude média, em uma das regiões mais elevadas do planeta.

O empreendimento reúne 18 turbinas, tem potência instalada de aproximadamente 100 megawatts (MW) e foi conectado à rede elétrica em outubro de 2026, depois de mais de dois anos de trabalhos em condições extremas.

Segundo a CHN Energy, empresa estatal responsável pelo projeto, a instalação representa o maior empreendimento integrado de energia eólica e armazenamento em regiões de altitude extremamente elevada da China. A expectativa é produzir cerca de 211 milhões de quilowatts-hora de eletricidade limpa por ano.

Parque eólico de Jicuo reúne 18 turbinas e tem potência instalada de 100 MW. Crédito: Li Tao/CHN Energy.
Parque eólico de Jicuo reúne 18 turbinas e tem potência instalada de 100 MW. Crédito: Li Tao/CHN Energy.

Construir uma usina a 5 mil metros exigiu soluções fora do comum

O parque eólico de Jicuo fica na cidade de Nagqu, na Região Autônoma do Tibete, uma área conhecida pelas grandes altitudes, temperaturas baixas e extensas paisagens do planalto tibetano.

As turbinas foram distribuídas entre 4.850 e 5.127 metros acima do nível do mar, com altitude média de 5.020 metros. Cada uma possui capacidade nominal de 5,56 MW, compondo um empreendimento de aproximadamente 100 MW.

A construção começou em 31 de julho de 2024, mas transformar o projeto em realidade exigiu enfrentar problemas que dificilmente aparecem com a mesma intensidade em parques eólicos instalados em regiões mais baixas.

Construção do parque eólico de Jicuo começou em julho de 2024, no planalto tibetano. Crédito: Lin Yongqiu/People's Daily.
Construção do parque eólico de Jicuo começou em julho de 2024, no planalto tibetano. Crédito: Lin Yongqiu/People’s Daily.

O primeiro deles foi o próprio ambiente. A falta de oxigênio, o frio intenso e as mudanças bruscas de temperatura dificultavam o trabalho das equipes, enquanto os ventos fortes reduziam os períodos disponíveis para a montagem das estruturas.

Até as fundações precisaram receber atenção especial. O solo congelado e as grandes variações térmicas aumentavam o risco de fissuras no concreto, que sustenta torres sujeitas a esforços constantes provocados pelo vento.

Para evitar problemas, os engenheiros desenvolveram ajustes na composição do concreto e aperfeiçoaram os processos de controle de temperatura, lançamento e cura do material.

A empresa também informou que foram adotadas técnicas específicas para preservar a vegetação do planalto durante a construção e permitir a recuperação das áreas afetadas pelas obras.

Peças gigantes precisaram atravessar regiões isoladas para chegar ao Tibete

Outro obstáculo surgiu antes mesmo da montagem das turbinas: levar todos os equipamentos até o local da instalação.

Torres, naceles — estruturas que abrigam os principais equipamentos de geração — e pás eólicas precisam ser transportadas em veículos especiais, devido às dimensões e ao peso dos componentes.

No caso de Jicuo, obras de manutenção em uma rodovia dificultaram a passagem de cargas de grandes dimensões. A solução encontrada foi estudar uma rota alternativa que atravessava Xinjiang e regiões pouco habitadas da China.

O desvio permitiu que os equipamentos chegassem ao canteiro, mas a montagem continuou dependendo das condições meteorológicas.

Içar as peças e encaixar o rotor na nacele exige movimentos precisos dos guindastes. Quando o vento ultrapassa os limites de segurança, a operação precisa ser interrompida, independentemente do cronograma da obra.

Por isso, as equipes utilizaram monitoramento de velocidade do vento em tempo real para identificar os intervalos mais favoráveis à instalação.

Segundo a PowerChina, uma das empresas participantes, os trabalhos também exigiram medidas específicas de proteção aos trabalhadores, incluindo fornecimento de oxigênio e disponibilidade de atendimento de emergência no canteiro.

Esses cuidados permitiram concluir a montagem das 18 turbinas e avançar para os testes necessários à conexão do empreendimento à rede elétrica.

Por que as turbinas precisam ser adaptadas ao ar rarefeito

O vento é o combustível de uma usina eólica, mas sua velocidade não é o único fator que determina a quantidade de eletricidade gerada.

A densidade do ar também faz diferença. Em grandes altitudes, a pressão atmosférica é menor e existe menos massa de ar passando pelas pás a uma determinada velocidade.

Isso significa que uma turbina instalada a mais de 5 mil metros pode captar menos energia do que outra submetida ao mesmo vento em uma região próxima ao nível do mar, caso suas características sejam equivalentes.

Para enfrentar esse problema, os equipamentos de Jicuo foram adaptados às condições do planalto.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa, as turbinas utilizam rotores de aproximadamente 200 metros de diâmetro, aumentando a área percorrida pelas pás e permitindo captar mais energia do vento disponível.

Os sistemas de controle também receberam ajustes para melhorar o funcionamento diante de rajadas, turbulências e outras condições características da região.

Essas adaptações são importantes porque a usina precisa funcionar em um ambiente que combina baixas temperaturas, ar rarefeito e variações meteorológicas intensas.

Apesar da complexidade, a região oferece uma vantagem: apresenta recursos eólicos abundantes. O aproveitamento desse potencial ajuda a explicar o interesse chinês em desenvolver projetos renováveis em áreas cada vez mais elevadas.

Usina de 100 MW também terá baterias para reforçar o fornecimento elétrico

Além das 18 turbinas, o empreendimento conta com um sistema de armazenamento de energia de 20 MW de potência e 80 megawatts-hora (MWh) de capacidade.

Na prática, essa configuração permite que as baterias forneçam, em condições nominais, 20 MW durante aproximadamente quatro horas. O tempo efetivo depende das condições de operação e do gerenciamento do sistema.

A estrutura pode ajudar a compensar oscilações na geração eólica, que varia conforme a intensidade do vento, e melhorar a estabilidade do fornecimento à rede.

Trata-se de um sistema chamado de armazenamento formador de rede, desenvolvido para contribuir também com o controle de parâmetros elétricos, como tensão e frequência.

A combinação é especialmente relevante em regiões afastadas dos grandes centros urbanos, onde a infraestrutura elétrica pode ser mais limitada e o fornecimento precisa enfrentar condições climáticas severas.

Segundo a CHN Energy, a previsão é que o parque forneça aproximadamente 211 milhões de kWh de eletricidade por ano. Esse volume é uma estimativa de geração futura, e não uma quantidade já produzida desde o início das operações.

A empresa espera que a energia ajude a fortalecer o abastecimento de Nagqu, especialmente durante o inverno, período em que as necessidades de aquecimento e a dificuldade de acesso a determinadas regiões tornam o fornecimento mais importante.

A usina foi conectada à rede em outubro, e o comunicado oficial da operadora registra o dia 23 como marco da entrada em operação.

Com a instalação concluída, o projeto passa a servir também como referência para o desenvolvimento de novas obras de energia eólica e armazenamento em ambientes de altitude extrema, onde o desafio não é apenas aproveitar a força do vento, mas construir estruturas capazes de resistir às condições do planalto.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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