Com controles reconfiguráveis e espaço para experimentos internos e externos, aeronave tripulada deverá iniciar campanha de testes até 2028, segundo a agência.
A NASA apresentou o X-70 Fractal, um novo avião experimental tripulado projetado para transportar até 907 kg de equipamentos de pesquisa, atingir 13,7 quilômetros de altitude e percorrer mais de 2.777 quilômetros. A aeronave terá um sistema de controle de voo reconfigurável, desenvolvido para permitir testes de manobrabilidade ainda não demonstrados em operações tripuladas.
O anúncio foi feito em 4 de novembro de 2026, durante o UP.Summit, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Segundo comunicado oficial da NASA, o projeto busca acelerar experimentos com tecnologias avançadas de aviação, enquanto o Olhar Digital destacou suas capacidades operacionais em reportagem publicada nesta quinta-feira (5).
X-70 Fractal terá controles de voo que poderão ser modificados entre diferentes experimentos

A principal característica anunciada pela NASA não está relacionada apenas à velocidade ou ao alcance. O X-70 foi concebido para funcionar como uma plataforma de pesquisa adaptável, capaz de receber diferentes configurações de testes ao longo de sua vida operacional.
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O sistema de controle de voo poderá ser reconfigurado rapidamente, permitindo aos pesquisadores avaliar como uma aeronave responde a comandos e condições específicas.
Em um avião convencional, os controles de voo fazem parte de uma arquitetura desenvolvida para atender às características daquela aeronave. Alterações profundas nesses sistemas exigem estudos e procedimentos de validação.
No X-70, a proposta é facilitar a investigação de diferentes estratégias de controle e manobrabilidade em condições reais de voo.
Isso permitirá estudar comportamentos que, segundo a NASA, ainda não foram demonstrados em aeronaves tripuladas.
A agência, entretanto, não divulgou detalhes sobre a arquitetura do sistema, os tipos de manobra que serão avaliados ou os recursos específicos de controle que poderão ser instalados.
A Aviacionline também observou que esses elementos técnicos permanecem sem descrição detalhada no anúncio inicial.
Aeronave da NASA terá alcance superior a 2.777 km e poderá atingir Mach 0,75
As primeiras especificações divulgadas mostram que o X-70 foi projetado para realizar pesquisas em diferentes condições de altitude e velocidade.
A velocidade de cruzeiro prevista é de Mach 0,75, equivalente a aproximadamente 75% da velocidade local do som. Esse valor varia conforme as condições atmosféricas, especialmente a temperatura.
Portanto, o X-70 será uma aeronave subsônica, diferentemente de outros aviões experimentais desenvolvidos para ultrapassar a barreira do som.
O teto operacional previsto é de 45 mil pés, cerca de 13.716 metros. Essa altitude permitirá realizar experimentos em condições atmosféricas distintas das encontradas nos voos de baixa altitude.
A NASA também informou alcance superior a 1.500 milhas náuticas, equivalentes a aproximadamente 2.778 quilômetros, e peso de decolagem de 10 mil libras, cerca de 4.536 kg.
O alcance representa a distância operacional projetada, não um percurso já realizado. Até o momento, a agência apresentou essas características como objetivos de desempenho da aeronave.
Segundo a Space.com, o conjunto de especificações aproxima o projeto de outras plataformas experimentais de pequeno porte utilizadas para pesquisas aeronáuticas.
Capacidade de transportar 907 kg de equipamentos permitirá realizar diferentes testes no mesmo avião
Outro recurso anunciado é a capacidade de receber até 2.000 libras de cargas experimentais, aproximadamente 907 kg.
Esses equipamentos poderão ser instalados em compartimentos internos ou posições externas, de acordo com as necessidades de cada pesquisa.
Na prática, a NASA pretende utilizar o avião para transportar diferentes instrumentos e sistemas experimentais, substituindo as cargas conforme os objetivos dos testes.
Essa configuração modular poderá reduzir a necessidade de desenvolver uma aeronave específica para cada investigação.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que o projeto permitirá às equipes trocar equipamentos com rapidez e avançar entre diferentes experimentos de voo.
As informações divulgadas ainda não especificam quais instrumentos serão usados nas primeiras campanhas, nem identificam os parceiros industriais responsáveis pela fabricação dos principais componentes.
A utilização de aeronaves como plataformas científicas já faz parte das atividades da agência. Uma reportagem do CPG sobre o Boeing 777 transformado em laboratório voador mostrou como a NASA adapta aviões para transportar equipamentos destinados ao estudo da atmosfera e de fenômenos climáticos.
O X-70 terá uma finalidade diferente: servir como plataforma de pesquisa de tecnologias de voo, incluindo os próprios sistemas de controle e manobrabilidade.
X-70 será subsônico, enquanto X-59 já ultrapassou Mach 1,53 durante testes em 2026
A chegada do X-70 amplia a família de aeronaves experimentais da NASA, conhecida como X-planes.
Esses projetos são utilizados para investigar tecnologias que ainda não estão prontas para aplicação comercial ou que precisam ser avaliadas em condições específicas.
Entre os exemplos históricos está o Bell X-1, que ultrapassou a velocidade do som em 1947, com Chuck Yeager nos controles.
Outro projeto foi o X-15, avião-foguete que atingiu Mach 6,7 em outubro de 1967 durante pesquisas sobre voo hipersônico, aquecimento aerodinâmico e comportamento das aeronaves em altitudes elevadas.
Atualmente, um dos principais programas da agência é o X-59, desenvolvido para investigar a possibilidade de realizar voos supersônicos com menor impacto sonoro no solo.
Segundo atualização publicada pela NASA em 28 de outubro de 2026, o X-59 completou 40 voos adicionais desde sua estreia, em 28 de outubro de 2025.
Nesse período, a aeronave alcançou velocidade de Mach 1,53 e altitude superior a 56 mil pés, aproximadamente 17 quilômetros.
Os resultados fazem parte da preparação para medições acústicas destinadas a avaliar a intensidade do ruído produzido durante o voo supersônico.
Esse tipo de pesquisa está relacionado às discussões sobre a possibilidade de ampliar as operações de aviões supersônicos de passageiros sobre terra, assunto já abordado pelo CPG.
Enquanto o X-59 concentra seus experimentos na redução do ruído supersônico, o X-70 terá como foco a flexibilidade dos sistemas de controle de voo e a execução de diferentes campanhas de pesquisa.
NASA prevê primeiro voo do X-70 até 2028, mas ainda não divulgou cronograma detalhado
A apresentação do X-70 ocorreu antes do início de sua campanha de testes sob responsabilidade da NASA.
Jared Isaacman declarou que a expectativa é realizar o primeiro voo da aeronave sob a bandeira da agência dentro dos próximos dois anos, prazo que aponta para novembro de 2028.
A expressão utilizada no comunicado não esclarece se o modelo terá realizado voos anteriores sob responsabilidade de outro operador. Também não foram informados local de fabricação, data de entrega ou calendário detalhado de ensaios.
O The War Zone observou que a apresentação trouxe uma imagem conceitual e especificações preliminares, mas deixou sem resposta características de desenvolvimento e configuração da aeronave.
A imagem divulgada oficialmente pela NASA foi gerada por inteligência artificial e não deve ser confundida com uma fotografia do avião em operação.
A representação apresenta uma aeronave de aparência semelhante à de alguns jatos de pesquisa, mas não comprova como será o desenho final do X-70.
A próxima etapa conhecida é a preparação para o primeiro voo sob responsabilidade da NASA, previsto para ocorrer dentro do prazo anunciado. A agência ainda deverá detalhar a configuração definitiva da plataforma, os sistemas experimentais iniciais e as condições dos ensaios.
