Empreendimento de Karapınar reúne milhões de painéis em 20 quilômetros quadrados e produz cerca de 3 bilhões de kWh por ano. A instalação voltou ao noticiário às vésperas da conferência climática COP31 na Turquia.
Uma extensão de terra equivalente a 2.600 campos de futebol, na região central da Turquia, abriga uma usina solar capaz de produzir eletricidade equivalente ao consumo de uma cidade com 2 milhões de habitantes, segundo a empresa responsável. O complexo Kalyon Karapınar YEKA-1 ocupa aproximadamente 20 milhões de metros quadrados e reúne cerca de 3,5 milhões de painéis fotovoltaicos.
Localizada no distrito de Karapınar, na província de Konya, a instalação alcançou sua capacidade operacional plena em março de 2023. Ela voltou ao noticiário em 5 de novembro de 2026, após uma reportagem da Associated Press mostrar como a Turquia apresenta sua expansão renovável às vésperas da COP31, marcada para novembro em Antália.
A Kalyon Holding informa uma produção próxima de 3 bilhões de quilowatts-hora (kWh) anuais, estimativa utilizada pela companhia para fazer a comparação com uma cidade de 2 milhões de moradores.
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Usina solar ocupa 20 quilômetros quadrados no interior da Turquia
O terreno utilizado pelo empreendimento corresponde a cerca de 20 quilômetros quadrados, uma área que inclui não apenas os painéis, mas também corredores de circulação e instalações necessárias à operação.
Do alto, as fileiras de módulos se estendem pela paisagem relativamente plana de Karapınar, região conhecida pelo clima seco. Segundo a Kalyon, a construção aproveitou uma área que já apresentava degradação ambiental e processos de desertificação.
As obras começaram em agosto de 2020. A implantação ocorreu em etapas até a entrada em operação plena, em março de 2023, de acordo com o histórico publicado pela empresa.
A equivalência com 2.600 campos de futebol serve para traduzir a dimensão territorial do complexo.

Como os painéis produzem eletricidade para uma cidade de 2 milhões de pessoas
A usina possui 1.350 megawatts-pico (MWp) de potência instalada, medida que representa a capacidade nominal dos módulos fotovoltaicos em condições padronizadas de teste.
Durante o dia, as células solares convertem a luz em eletricidade. Equipamentos chamados inversores transformam a corrente gerada pelos painéis em corrente alternada, adequada à integração com a rede elétrica.
A produção varia conforme a intensidade do sol, a temperatura e outras condições de funcionamento. Por isso, a capacidade instalada não corresponde à geração contínua durante as 24 horas do dia.
Segundo a Kalyon Holding, o complexo produz quase 3 bilhões de kWh anualmente. A companhia compara esse volume às necessidades elétricas de uma cidade com 2 milhões de habitantes, sem indicar que a energia seja destinada exclusivamente a um município específico.
Na visita realizada pela Associated Press em outubro de 2026, o diretor da usina, Burak Dogru, informou que o empreendimento responde por aproximadamente 0,7% da demanda nacional de eletricidade. A proporção ajuda a dimensionar a contribuição de uma única instalação para o abastecimento do país.
Painéis fabricados na Turquia e tecnologia de rastreamento solar
Parte da estratégia de construção envolveu a produção nacional dos equipamentos. Conforme a Kalyon, os módulos foram fabricados na unidade industrial Kalyon PV, em Ancara, com aproximadamente 80% de conteúdo local.
O complexo também utiliza rastreadores de eixo único, capazes de ajustar a orientação dos painéis ao movimento aparente do sol. O objetivo é captar mais radiação ao longo do dia do que em uma instalação com inclinação fixa.
A empresa estima um ganho de geração de 15% com esse sistema, em comparação com painéis fixos. Trata-se de um desempenho informado pela própria operadora, que depende das condições de funcionamento consideradas.
A planta possui ainda um edifício de controle que acompanha o funcionamento dos equipamentos e ajuda a coordenar a operação do complexo.
Segundo a companhia, o empreendimento evita aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de emissões de carbono por ano, estimativa baseada na substituição de outras fontes de eletricidade. O número representa uma projeção de impacto ambiental, não uma medição direta de gases que deixaram de ser emitidos pela instalação solar.
Energia solar avança, mas carvão segue importante na matriz turca
A usina ganhou atenção internacional às vésperas da COP31, conferência climática das Nações Unidas prevista para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália.
Em reportagem publicada em 5 de novembro, a Associated Press destacou a expansão das fontes renováveis e o contraste com a dependência turca de combustíveis fósseis.
Segundo dados do Ministério da Energia da Turquia citados pela agência, energia solar e eólica responderam juntas por quase 23% da geração elétrica em 2025. O carvão, isoladamente, manteve a maior participação, com 33%.
Organizações climáticas ouvidas pela AP reconhecem os investimentos renováveis, mas cobram um planejamento mais claro para reduzir progressivamente o uso de carvão, petróleo e gás. O governo turco, por sua vez, apresenta a expansão da geração limpa como parte de sua política de segurança energética.
Nesse cenário, Karapınar representa um projeto de grande escala já em funcionamento, e não uma nova usina anunciada para 2026. Seus milhões de módulos fazem parte da expansão solar turca, enquanto o país ainda enfrenta o desafio de diminuir o peso dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade.
