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Turquia transforma área do tamanho de 2.600 campos de futebol em usina solar capaz de abastecer uma cidade de 2 milhões de habitantes

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Escrito por Ana Alice Publicado em 05/11/2026 às 13:03 Atualizado em 05/11/2026 às 14:20
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Edifício central de controle da Usina Solar Kalyon Karapınar, cercado por extensas fileiras de painéis fotovoltaicos. A instalação acompanha a operação do complexo energético. Crédito: Egemen Karakaya / Bilgin Architects, via Divisare.
Edifício central de controle da Usina Solar Kalyon Karapınar, cercado por extensas fileiras de painéis fotovoltaicos. A instalação acompanha a operação do complexo energético. Crédito: Egemen Karakaya / Bilgin Architects, via Divisare.
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Empreendimento de Karapınar reúne milhões de painéis em 20 quilômetros quadrados e produz cerca de 3 bilhões de kWh por ano. A instalação voltou ao noticiário às vésperas da conferência climática COP31 na Turquia.

Uma extensão de terra equivalente a 2.600 campos de futebol, na região central da Turquia, abriga uma usina solar capaz de produzir eletricidade equivalente ao consumo de uma cidade com 2 milhões de habitantes, segundo a empresa responsável. O complexo Kalyon Karapınar YEKA-1 ocupa aproximadamente 20 milhões de metros quadrados e reúne cerca de 3,5 milhões de painéis fotovoltaicos.

Localizada no distrito de Karapınar, na província de Konya, a instalação alcançou sua capacidade operacional plena em março de 2023. Ela voltou ao noticiário em 5 de novembro de 2026, após uma reportagem da Associated Press mostrar como a Turquia apresenta sua expansão renovável às vésperas da COP31, marcada para novembro em Antália.

A Kalyon Holding informa uma produção próxima de 3 bilhões de quilowatts-hora (kWh) anuais, estimativa utilizada pela companhia para fazer a comparação com uma cidade de 2 milhões de moradores.

Usina solar ocupa 20 quilômetros quadrados no interior da Turquia

O terreno utilizado pelo empreendimento corresponde a cerca de 20 quilômetros quadrados, uma área que inclui não apenas os painéis, mas também corredores de circulação e instalações necessárias à operação.

Do alto, as fileiras de módulos se estendem pela paisagem relativamente plana de Karapınar, região conhecida pelo clima seco. Segundo a Kalyon, a construção aproveitou uma área que já apresentava degradação ambiental e processos de desertificação.

As obras começaram em agosto de 2020. A implantação ocorreu em etapas até a entrada em operação plena, em março de 2023, de acordo com o histórico publicado pela empresa.

A equivalência com 2.600 campos de futebol serve para traduzir a dimensão territorial do complexo.

Vista panorâmica da Usina Solar Kalyon Karapınar, na Turquia. O empreendimento ocupa cerca de 20 milhões de metros quadrados e reúne aproximadamente 3,5 milhões de painéis fotovoltaicos. Crédito: Kalyon Enerji/Divulgação.
Vista panorâmica da Usina Solar Kalyon Karapınar, na Turquia. O empreendimento ocupa cerca de 20 milhões de metros quadrados e reúne aproximadamente 3,5 milhões de painéis fotovoltaicos. Crédito: Kalyon Enerji/Divulgação.

Como os painéis produzem eletricidade para uma cidade de 2 milhões de pessoas

A usina possui 1.350 megawatts-pico (MWp) de potência instalada, medida que representa a capacidade nominal dos módulos fotovoltaicos em condições padronizadas de teste.

Durante o dia, as células solares convertem a luz em eletricidade. Equipamentos chamados inversores transformam a corrente gerada pelos painéis em corrente alternada, adequada à integração com a rede elétrica.

A produção varia conforme a intensidade do sol, a temperatura e outras condições de funcionamento. Por isso, a capacidade instalada não corresponde à geração contínua durante as 24 horas do dia.

Segundo a Kalyon Holding, o complexo produz quase 3 bilhões de kWh anualmente. A companhia compara esse volume às necessidades elétricas de uma cidade com 2 milhões de habitantes, sem indicar que a energia seja destinada exclusivamente a um município específico.

Na visita realizada pela Associated Press em outubro de 2026, o diretor da usina, Burak Dogru, informou que o empreendimento responde por aproximadamente 0,7% da demanda nacional de eletricidade. A proporção ajuda a dimensionar a contribuição de uma única instalação para o abastecimento do país.

Painéis fabricados na Turquia e tecnologia de rastreamento solar

Parte da estratégia de construção envolveu a produção nacional dos equipamentos. Conforme a Kalyon, os módulos foram fabricados na unidade industrial Kalyon PV, em Ancara, com aproximadamente 80% de conteúdo local.

O complexo também utiliza rastreadores de eixo único, capazes de ajustar a orientação dos painéis ao movimento aparente do sol. O objetivo é captar mais radiação ao longo do dia do que em uma instalação com inclinação fixa.

A empresa estima um ganho de geração de 15% com esse sistema, em comparação com painéis fixos. Trata-se de um desempenho informado pela própria operadora, que depende das condições de funcionamento consideradas.

A planta possui ainda um edifício de controle que acompanha o funcionamento dos equipamentos e ajuda a coordenar a operação do complexo.

Segundo a companhia, o empreendimento evita aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de emissões de carbono por ano, estimativa baseada na substituição de outras fontes de eletricidade. O número representa uma projeção de impacto ambiental, não uma medição direta de gases que deixaram de ser emitidos pela instalação solar.

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Energia solar avança, mas carvão segue importante na matriz turca

A usina ganhou atenção internacional às vésperas da COP31, conferência climática das Nações Unidas prevista para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália.

Em reportagem publicada em 5 de novembro, a Associated Press destacou a expansão das fontes renováveis e o contraste com a dependência turca de combustíveis fósseis.

Segundo dados do Ministério da Energia da Turquia citados pela agência, energia solar e eólica responderam juntas por quase 23% da geração elétrica em 2025. O carvão, isoladamente, manteve a maior participação, com 33%.

Organizações climáticas ouvidas pela AP reconhecem os investimentos renováveis, mas cobram um planejamento mais claro para reduzir progressivamente o uso de carvão, petróleo e gás. O governo turco, por sua vez, apresenta a expansão da geração limpa como parte de sua política de segurança energética.

Nesse cenário, Karapınar representa um projeto de grande escala já em funcionamento, e não uma nova usina anunciada para 2026. Seus milhões de módulos fazem parte da expansão solar turca, enquanto o país ainda enfrenta o desafio de diminuir o peso dos combustíveis fósseis na produção de eletricidade.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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