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Paraguai aumenta consumo de Itaipu, reduz energia disponível ao Brasil e pode pressionar preços até 2029, aponta estudo

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Escrito por Ana Alice Publicado em 05/11/2026 às 09:09 Atualizado em 05/11/2026 às 09:10
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Paraguai amplia consumo de Itaipu e pode pressionar preços da energia no Brasil até 2029. Estudo prevê maior uso de termelétricas no pico. - Créditos: Reprodução/TurismoItaipu
Paraguai amplia consumo de Itaipu e pode pressionar preços da energia no Brasil até 2029. Estudo prevê maior uso de termelétricas no pico. – Créditos: Reprodução/TurismoItaipu
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Relatório do Itaú BBA prevê aumento da demanda paraguaia no horário de pico e maior uso de termelétricas no Brasil. A mudança pode afetar os preços da energia e os contratos das distribuidoras a partir de 2027.

O aumento do consumo de energia elétrica pelo Paraguai deve reduzir a parcela excedente da hidrelétrica de Itaipu disponível ao Brasil, especialmente no fim da tarde, quando os dois países enfrentam maior demanda. A mudança poderá pressionar os preços no mercado brasileiro até 2029, segundo estudo do Itaú BBA divulgado pela Reuters em 4 de novembro de 2026.

O banco projeta que a demanda da estatal paraguaia Administración Nacional de Electricidad (Ande), no horário de pico, passe de 4 gigawatts (GW) em 2026 para 4,7 GW em 2029. O crescimento ocorre justamente em um período importante para o abastecimento do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Na avaliação dos analistas, a menor disponibilidade de energia hidrelétrica poderá exigir maior acionamento de usinas termelétricas, geralmente mais caras. O estudo estima crescimento próximo de 11% ao ano na geração térmica entre 2027 e 2029, acompanhado de pressão sobre os preços marginais da eletricidade.

A análise também chama atenção para o planejamento das distribuidoras brasileiras, que precisam conhecer antecipadamente o volume de energia de Itaipu disponível para contratação em 2027.

Paraguai consome mais energia de Itaipu e diminui excedente comprado pelo Brasil

Localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e o Paraguai, Itaipu possui 14 GW de potência instalada e é administrada conjuntamente pelos dois países.

Pelo Tratado de Itaipu, cada nação tem direito à metade da energia produzida. Quando uma delas não utiliza integralmente sua parcela, a produção excedente pode ser adquirida pela outra.

Vista aérea da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. O aumento do consumo paraguaio pode reduzir o excedente de energia disponível ao sistema brasileiro. Crédito: IHA Central Office / Wikimedia Commons
Vista aérea da usina hidrelétrica de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. O aumento do consumo paraguaio pode reduzir o excedente de energia disponível ao sistema brasileiro. Crédito: IHA Central Office / Wikimedia Commons

Historicamente, o Paraguai consumia uma quantidade menor de eletricidade, enquanto o Brasil aproveitava sua própria parcela e também comprava boa parte do excedente paraguaio.

Esse equilíbrio está mudando. Segundo o Itaú BBA, a demanda elétrica do Paraguai cresceu entre 12% e 18% ao ano de 2023 a 2025, alcançando carga média de 3,3 GW no último ano desse intervalo.

O avanço está associado à expansão do consumo no país, incluindo atividades de mineração de criptomoedas e centros de processamento de dados, conhecidos como data centers.

Essas atividades precisam de eletricidade para manter equipamentos funcionando por longos períodos. A expansão da demanda reduz o volume que o Paraguai pode deixar de consumir e disponibilizar ao Brasil.

A maior parte do abastecimento paraguaio depende de Itaipu, embora a participação da hidrelétrica varie conforme as decisões comerciais e operacionais da Ande.

Por que o horário das 18h preocupa o sistema elétrico brasileiro

O principal desafio identificado pelo estudo não está apenas no crescimento do consumo paraguaio, mas no momento em que ele acontece.

Entre abril e setembro, o pico de demanda do Paraguai ocorre por volta das 18h, coincidindo com um período de elevada necessidade de geração no sistema brasileiro.

Nesse horário, a produção solar fotovoltaica diminui com o pôr do sol, enquanto o consumo de eletricidade permanece elevado. O sistema precisa, portanto, recorrer a outras fontes capazes de responder rapidamente à demanda.

A geração hidrelétrica tem importância nesse processo porque permite ajustar a produção conforme as condições operacionais e a disponibilidade de água.

Segundo os analistas Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez, do Itaú BBA, a demanda da Ande nesse horário poderá alcançar 4,7 GW em 2029.

Isso representa aproximadamente 700 megawatts adicionais em relação à projeção de 2026. Quanto maior o consumo paraguaio nesse intervalo, menor tende a ser a energia excedente de Itaipu que o Brasil poderá utilizar.

O cenário não significa que o abastecimento brasileiro ficará interrompido. A preocupação está na necessidade de utilizar outras fontes de geração, potencialmente mais caras, para atender ao consumo.

Estudo prevê maior uso de termelétricas e pressão sobre preços até 2029

Com menos energia hidrelétrica disponível no horário de maior demanda, o Itaú BBA estima que o sistema brasileiro precisará ampliar o despacho de usinas termelétricas.

Essas unidades podem produzir eletricidade a partir de combustíveis como gás natural e outros insumos. Seu acionamento depende das condições de operação e dos custos de cada fonte.

Nos cálculos apresentados pelo banco, a geração termelétrica aumentaria aproximadamente 11% ao ano entre 2027 e 2029 no cenário analisado.

O relatório também projeta uma elevação do preço marginal médio de R$ 40 para R$ 59 por megawatt-hora (MWh), conforme os números divulgados pela Reuters.

O preço marginal é um indicador associado ao custo de atender à demanda adicional de eletricidade no sistema. Não equivale ao valor da tarifa residencial, que depende também de contratos, encargos, tributos e regras de distribuição.

Por isso, a estimativa não deve ser interpretada como uma previsão de aumento proporcional na conta de luz dos consumidores.

O Itaú BBA considera que os efeitos deverão ficar mais evidentes a partir de 2027, quando a programação mensal da operação elétrica brasileira deverá incorporar uma nova metodologia para estimar a demanda paraguaia.

A mudança busca representar melhor um consumo que cresceu rapidamente nos últimos anos e que influencia a quantidade de energia de Itaipu disponível ao Brasil.

Distribuidoras alertam para risco de contratar menos energia em 2027

O avanço da demanda do Paraguai também preocupa as distribuidoras brasileiras que recebem cotas da energia produzida por Itaipu.

Essas concessionárias precisam contratar eletricidade suficiente para atender seus consumidores. Uma redução das cotas pode exigir a compra de volumes adicionais no mercado.

Linhas de transmissão de energia elétrica no lado paraguaio de Itaipu. O crescimento da demanda no país vizinho pode modificar a quantidade de eletricidade destinada às distribuidoras brasileiras. Crédito: Leandro Neumann Ciuffo / Wikimedia Commons
Linhas de transmissão de energia elétrica no lado paraguaio de Itaipu. O crescimento da demanda no país vizinho pode modificar a quantidade de eletricidade destinada às distribuidoras brasileiras. Crédito: Leandro Neumann Ciuffo / Wikimedia Commons

Em manifestação enviada à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) alertou para o risco de as empresas iniciarem 2027 com contratação inferior às suas necessidades.

Segundo cálculos apresentados pela entidade e divulgados pela CNN Brasil em 29 de outubro, a redução das cotas poderia chegar a 32,3% em um dos cenários considerados. Trata-se de uma simulação específica, não de um corte já definido pela agência reguladora.

A associação pediu uma definição antecipada da parcela destinada à Ande e a possibilidade de ajustar as necessidades de contratação das distribuidoras.

A preocupação está relacionada aos Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3, marcados pela ANEEL para 13 de novembro de 2026. O certame A-1 prevê fornecimento a partir de janeiro de 2027.

Caso a energia contratada pelas distribuidoras seja insuficiente, poderá ser necessário recorrer a mecanismos adicionais de compra para completar o atendimento aos consumidores.

A definição das cotas de Itaipu para 2027 e a atualização das previsões de demanda paraguaia serão, portanto, etapas importantes para o planejamento da operação elétrica brasileira nos próximos anos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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