Nova legislação aprovada pelo Congresso chinês exige padronização do idioma em escolas e instituições e determina que “famílias guiem filhos a amarem o Partido Comunista da China”
A China deu um passo decisivo em sua estratégia de integração nacional ao aprovar uma nova legislação que torna o mandarim obrigatório em todo o sistema educacional e na administração pública. A medida foi oficializada durante as chamadas “Duas Sessões” do Congresso chinês e faz parte da Lei de Promoção Nacional à Unidade Étnica e ao Progresso, que estabelece diretrizes amplas para fortalecer a identidade nacional e o senso de comunidade entre os cidadãos.
A informação foi divulgada por reportagens internacionais com base no documento oficial publicado pelo Congresso da China, que detalha os objetivos do governo em promover a unidade e o progresso nacional. Além disso, o texto reforça a necessidade de consolidar uma identidade comum entre os diferentes grupos étnicos que compõem o país, ampliando a presença do idioma mandarim em todas as esferas da sociedade.
Mandarim obrigatório marca nova fase de padronização cultural na China
A partir da nova legislação, o mandarim passa a ser exigido como língua básica em escolas, órgãos públicos e comunicações oficiais em todo o território chinês. Embora o idioma já seja considerado padrão nacional desde o ano 2000, agora o governo intensifica sua aplicação, ampliando o controle sobre outros idiomas utilizados no país.
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Mesmo reconhecendo a legitimidade de línguas regionais como o cantonês e o mongol, o texto estabelece que é dever do Estado incentivar o aprendizado do mandarim desde a educação pré-escolar. Dessa forma, todas as organizações devem enfatizar o uso da língua nacional, inclusive em regiões com forte presença de minorias étnicas.
Além disso, a lei determina que placas, documentos oficiais e legislações sejam apresentadas prioritariamente em mandarim, seguidos pelas línguas locais. Com isso, o governo busca reforçar a padronização linguística como ferramenta de integração nacional.
Diversidade étnica enfrenta pressão com nova política linguística
A China reconhece oficialmente 56 identidades étnicas. A etnia han representa cerca de 91,1% da população, com aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas. Por outro lado, as outras 55 minorias somam 8,9% do total, sendo que 45 delas possuem áreas autônomas — como regiões, prefeituras e condados — onde há garantia constitucional do uso de línguas locais.
Apesar dessas garantias legais, a nova lei reforça a prioridade do mandarim, o que pode impactar diretamente a preservação de idiomas regionais. Inclusive, mesmo em áreas de maioria han, existem variações linguísticas significativas, como o cantonês e o dialeto de Wenzhou, que podem perder espaço com a nova política.
Esse movimento, no entanto, não é recente. Na verdade, a tentativa de consolidar uma língua nacional unificada já ocorre há mais de um século. O mandarim foi padronizado em 1913 a partir do dialeto de Pequim — 36 anos antes da ascensão do Partido Comunista — com o objetivo de reforçar a unidade nacional.
Histórico de resistência evidencia desafios da unificação linguística
Apesar dos avanços, a implementação do mandarim como língua dominante enfrentou resistência ao longo do tempo. Um exemplo claro ocorreu em 2020, quando milhares de pessoas protestaram na região autônoma da Mongólia Interior contra a substituição do idioma mongol pelo mandarim em disciplinas escolares.
Esse episódio demonstra que, embora o mandarim tenha se popularizado ao longo de quase 100 anos, ele ainda é tratado como idioma secundário em determinadas regiões da China. Ainda assim, a nova legislação reforça que nenhuma organização ou indivíduo pode impedir o aprendizado e o uso da língua nacional.
“O Estado deve promover e popularizar de forma abrangente a língua e a escrita nacionais comuns. Nenhuma organização ou indivíduo pode impedir os cidadãos de aprender e usar a língua e a escrita nacionais comuns”, afirma o texto oficial.
Lei amplia papel das famílias e reforça diretrizes ideológicas
Além da questão linguística, a legislação também estabelece diretrizes claras sobre a formação cultural e ideológica da população. O texto determina que pais ou responsáveis legais devem guiar os menores para que amem o Partido Comunista da China, reforçando o papel da família como extensão das políticas do Estado.
Além disso, a lei afirma que não devem ser incutidas nos menores ideias consideradas prejudiciais à unidade e ao progresso nacional. Dessa forma, o governo amplia sua influência não apenas nas instituições educacionais, mas também no ambiente familiar.
Paralelamente, a mídia chinesa passa a ter responsabilidade direta na construção da identidade cultural. Segundo o documento, jornais e veículos de comunicação devem divulgar conquistas relacionadas ao fortalecimento do senso de comunidade nacional.
Por fim, o Estado prevê a realização contínua de campanhas educativas sobre a história do Partido Comunista da China, da Nova China, das reformas e abertura econômica, bem como do desenvolvimento socialista e da própria nação chinesa. O objetivo é orientar todos os grupos étnicos a adotarem visões consideradas corretas sobre país, história, cultura, religião e identidade nacional.
Fonte: Poder360

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