Um teste em pista curta de 400 metros levou um veículo experimental de levitação magnética a um novo recorde de aceleração. A façanha foi divulgada pela mídia estatal e aponta aplicações que vão de trens em tubo de vácuo a ensaios para o setor aeroespacial.
Um protótipo de levitação magnética supercondutora acelerou de 0 a 700 km/h em menos de 2 segundos em um experimento feito na China, segundo reportagem da emissora estatal CCTV.
O teste ocorreu em uma linha experimental de 400 metros e foi conduzido por uma equipe da National University of Defense Technology, ainda de acordo com a CCTV.
A velocidade máxima foi atingida com um veículo de porte aproximado de uma tonelada e o sistema conseguiu também realizar uma parada segura no fim do trecho, o que dá peso ao resultado além do número chamativo.
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As imagens divulgadas mostram o equipamento atravessando a pista em um borrão, deixando um rastro de névoa e freando em seguida, em um tipo de demonstração que mais parece ensaio de laboratório do que trem de passageiros.
O que o teste mostrou em números e por que isso importa; vídeo:
A marca principal é a aceleração extrema, já que 700 km/h equivalem a aproximadamente 194 m/s, alcançados em menos de 2 segundos. Em termos práticos, isso sugere forças próximas de 10 g, algo que não seria pensado para transportar pessoas, mas que pode ser útil como prova de controle e potência em sistemas eletromagnéticos.
A própria mídia chinesa destaca que o avanço não é só velocidade, mas também domínio de controle em alta potência e precisão na condução e na frenagem.
Segundo a China Daily, o grupo vem trabalhando há cerca de 10 anos no tema e precisou superar desafios como propulsão eletromagnética em altíssima velocidade, guiagem e suspensão elétrica, armazenamento transitório de energia em alta potência e ímãs supercondutores de campo elevado.
Como a levitação magnética supercondutora entra na equação
Em sistemas maglev, a ideia é reduzir drasticamente o atrito mecânico ao evitar o contato direto com trilhos, usando campos magnéticos para sustentar e conduzir o veículo. Isso abre espaço para velocidades mais altas, porque a limitação deixa de ser o desgaste roda trilho e passa a ser energia, estabilidade e segurança.
No caso do recorde divulgado, a CCTV descreve o feito como um avanço em propulsão maglev elétrica supercondutora, justamente por combinar campos magnéticos fortes com a necessidade de controle fino em poucos metros.
A prova de que a China também experimenta outros formatos apareceu em 2022, quando uma agência estatal relatou um teste em rodovia no qual um carro de 2,8 toneladas chegou a flutuar 35 milímetros acima do asfalto, em Jiangsu, usando uma solução voltada a veículos rodoviários.
Tubos de vácuo e a ponte para o conceito de hyperloop
O ponto mais comentado fora do laboratório é o que a tecnologia pode indicar para trens em tubo de vácuo, uma proposta parecida com o conceito popularizado como hyperloop, em que a redução do ar no caminho diminui a resistência e permite velocidades muito maiores.
A China Daily afirma que o resultado oferece uma nova opção para o desenvolvimento de transporte maglev em tubos de vácuo e também pode apoiar métodos de impulso e testes no setor aeroespacial.
A South China Morning Post fez a mesma leitura ao dizer que a demonstração abre possibilidades tanto para transporte em tubos selados quanto para aplicações que exigem aceleração intensa e controle de alta potência.
Ainda assim, especialistas costumam lembrar que recordes em pistas curtas não resolvem automaticamente os obstáculos de operar em larga escala, como infraestrutura, consumo de energia em regime contínuo, evacuação em emergências e custos de manutenção em ambientes controlados.
A corrida do maglev na China e o que já existia antes do recorde
A China investe em maglev há décadas e tem um símbolo claro dessa estratégia em Xangai, onde a linha comercial do trem maglev entrou em operação após fase de testes no início dos anos 2000, conforme informações do site oficial do sistema.
No campo de alta velocidade, o país também vem apresentando protótipos e plataformas de teste para faixas de 600 km/h, como o sistema divulgado pela People’s Daily em 2021.
O novo recorde de aceleração, porém, muda o foco do debate, porque joga luz na parte mais difícil do problema, que é controlar forças gigantes em instantes, sem perder estabilidade e sem comprometer a segurança na frenagem.
Se essa rota vai virar um trem para passageiros ou uma tecnologia de nicho para testes e lançamentos, ainda não está claro. Mas a mensagem do experimento é direta, a China quer ser a primeira a dominar o que hoje parece impossível.
No seu ponto de vista, esse tipo de recorde acelera de verdade o transporte do dia a dia ou vira só uma vitrine tecnológica cara e difícil de aplicar em escala. Deixe um comentário dizendo se você acha que maglev em tubo de vácuo é o futuro ou mais uma promessa que não sai do laboratório.


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